Atualização Greve Geral do dia 28-4 (1) e a situação no Brasil

A greve geral do dia 28-4 mostrou a disposição de luta da classe trabalhadora. Muitas categorias de trabalhadores apesar de não estarem organizados e com seus sindicatos ativos não saíram para trabalhar. O setor de transporte público mais uma vez foi importante para paralisar as grandes cidades. O funcionalismo público parou na sua maioria e os movimentos sociais bloquearam ruas e estradas.

A crise no Brasil se aprofunda e algumas semanas após a greve, denuncias de corrupção atingiram diretamente o presidente Michel Temer. Após as denuncias de corrupção na Petrobras, agora são alvos das investigações da PF, a corrupção envolvendo os empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para grandes empresas, em particular a JBS.

A JBS é uma empresa de frigoríficos que recebeu R$10 bi do governo, através do BNDES, em 2007/08. Enquanto fechava plantas e demitia trabalhadores durante o estouro da crise global do capitalismo em 2008, comprava plantas em vários países da America Latina e do mundo e se tornou a grande multinacional da carne. A burguesia e a mídia defensora da lava-jato já ameaçavam há bastante tempo com investigações no BNDES, assim como estavam fazendo com a Petrobras.

A burguesia que governou junto com o PT e apoiou o impeachment de Dilma, agora vê que não vai ficar de fora das investigações da lava-jato.

Com a divulgação do áudio feita pelo dono da JBS que gravou em conversas com o presidente Temer, o governo e o congresso pareciam paralisados. A mídia já especulava a renuncia do presidente, as vésperas de seu pronunciamento, um dia depois, onde negou todas as acusações e disse que permaneceria no cargo.

Após as denuncias do ultimo dia 17-5, tem a mídia contra ele, vários aliados já discutem a saída do governo e já são 15 pedidos de impeachment na câmara federal. Temer sabe que é muito difícil sua permanência na presidência e tentar encaminhar as proposta de reforma da previdência e trabalhista como única forma de se manter no poder.

A popularidade do governo é baixíssima, o grande descontentamento da população com a situação econômica, a greve geral do dia 28 e a manifestação em Brasília dia 24-5 chamada pelas centrais sindicais demonstra que os trabalhadores não estão dispostos a pagar o preço da crise. As denúncias contra Temer na lava-jato e os ataques da mídia demonstram que setores da burguesia também não acreditam mais que Temer tenha condições de seguir com as reformas e os ataques aos trabalhadores.

O estrondoso crescimento da JBS nos últimos 10 anos, eu só foi possível com recebimento de dinheiro público, foi parte, junto com os investimentos na Petrobras e as empreiteiras brasileiras, do projeto do PT de “conteúdo nacional” que o partido e seus aliados dizem que era um projeto de “ruptura com o imperialismo”, mas que na verdade era um projeto de ligação com o imperialismo chinês, e que o BNDES foi o exemplo para a criação do Banco dos BRICS. O dono da JBS, que fez as denúncias contra Temer em troca de um acordo com a justiça brasileira com total anistia e com permissão de morar nos EUA, está fazendo acordo também com a justiça americana (assim como as empreiteiras) e já se fala em migração da JBS do Brasil para os EUA(2) onde a empresa possui mais de 60 plantas frigoríficas.

Diante das denuncia que abalam fortemente o governo Teme e coloca quase como inevitável, o PT e boa parte da esquerda tem como palavras de ordem “Fora Temer” e eleições “Diretas Já!”. Com a grande crise que passa o país, a descredibilidade com as instituições do Estado e disputa entre setores da burguesia, o PT mais uma vez desvia a luta direta e organização independente dos trabalhadores, para uma saída por dentro do regime e alianças com a burguesia.

O PT se vê obrigado a se colocar a frente do movimento, como na Greve Geral e na Marcha a Brasília para na perder a credibilidade perante os trabalhadores e controlar o movimento de acordo com seus interesses, enquanto fazem acordo com parlamentares e partidos da burguesia para uma eventual substituição de Temer.

Setores de esquerda que se diziam oposição ao governo do PT também tem dado como saída o regime democrático burguês. O PSOL defende “Diretas Já!”. O PSTU, que desde o impeachment da Dilma chama “Eleições Gerais Já!”, agora tenta dizer que sua proposta é diferente da do PT, pois, a proposta do PSTU é por eleições para todos os cargos e não só para presidente (3). Outra saída por dentro do regime democrático burguês dá o MRT, com “Assembléia Constituinte”.

Todas essas organizações dizem que é preciso unidade. Declaram como o maior exemplo disso reuniões e acordos entre todas as centrais sindicais, como CUT (ligada ao PT) e outras centrais ligadas diretamente a burguesia como a Forca Sindical e UGT, que levou ao chamado a Greve Geral e a Marcha a Brasília. Desde o agravamento da crise no Brasil, nas jornadas de junho de 2013 foram chamados vários “Dias de Mobilização”, a primeira greve Geral dia 28-4 e a Marcha a Brasília. Agora, dizem que é preciso uma Greve Geral de 48h exigindo da CUT o chamamento, o qual até agora não se dispôs a chamar.

A esquerda tem participando ativamente dos acordos entre as burocracias das centrais sindicais e na base do movimento não tem ações para uma Frente Única onde participem não só as direções, mas também a base. Zé Maria, dirigente do PSTU, em um ato considerado radical na Marcha em Brasília, chamou os trabalhadores a enfrentar a policia e avançar a marcha contra ela. Para resistir à repressão e desafiar a burguesia e o Estado como numa greve geral, os trabalhadores precisam de organizações independentes e comitês de autodefesa.  Após os enfrentamentos em Brasília, o governo acionou as Forcas Armadas para proteger o palácio do governo (utilizando lei criada por Dilma), mostrando que a repressão é cada vez maior. Os trabalhadores não podem enfrentar as forcas de repressão com perspectiva de vitoria sem suas organizações e comitês independentes e estando atrelados e dependentes da burocracia sindical que estão fazendo acordos com a burguesia e agindo de acordo com seus interesses.

A classe trabalhadora brasileira precisa romper com suas direções reformistas e se organizar em comitês e em Frente Única onde a base participe e não apenas as direções, para avançar na luta e por uma Greve Geral indefinida que não apenas derrube o governo, mas que tome o poder da burguesia. Essa é a única saída que pode atender as demandas da classe, seus direitos e verdadeira democracia, diante da maior crise capitalista e dos ataques imperialistas. A organização independente dos trabalhadores é a única que pode combater a burguesia e o fascismo, e não a democracia burguesa, que ilude e aliena a classe trabalhadora e enfraquece a luta.

Pela Greve Geral por tempo indeterminado!

Por uma coordenação nacional de comitês de greve!

Pela formação de comitês de base por local de trabalho! Pela formação de comitês de autodefesa dos trabalhadores!

Pela expropriação da JBS e das grandes empreiteiras sob controle dos trabalhadores!

Pelo Partido Revolucionário! Pela Revolução Socialista!

 

 

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1 comentário

  1. raved · maio 27

    Republicou isso em heaven-storming.

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