Eleições 2018: um voto crítico no PSTU Por comitês de trabalhadores que lancem seus candidatos como tribunos de um programa contra a Frente Popular!

As candidaturas começam a ser definidas e o país se encaminha para as mais instáveis e imprevisíveis eleições, desde a redemocratização do país.

O Brasil vive a sua maior crise econômica, política e social, mostrando que a atual crise global do capitalismo atingiu o país e que não era uma “marolinha” como dizia Lula, mas uma tsunami. O fim do boom econômico internacional, de venda de commodities para a China e crédito farto, acabou. O PT não podia mais manter as concessões para a classe trabalhadora e o governo Dilma foi atingido diretamente pela crise e pelo descontentamento popular gerado por ela. Esse desgaste continua no governo Temer.

Dilma e o PT negavam a existência da crise global do capitalismo e acabou por levar um “golpe” de seus próprios aliados burgueses que diziam que a causa da crise era o PT. Essa burguesia hoje se encontra dividida e atingida pelo descontentamento popular e as denúncias de corrupção, imersa em uma crise política e com a necessidade de atacar a classe trabalhadora como maneira de “resolver” a crise.

Após a ditadura, o PT passou 20 anos iludindo a classe trabalhadora de que uma saída pelas eleições burguesas, elegendo Lula presidente, seria a solução para a classe trabalhadora para melhorar suas condições de vida. Hoje, depois de 14 anos de governo petista que aplicou fielmente as políticas neoliberais do imperialismo, o PT continua com sua política reformista e Frente populista de alianças com a burguesia, como mostra as alianças do partido com o “coronel” da política, Renan Calheiros, e vários outros exemplos Brasil a fora.

A polaridade, entre a tradicional direita representada pelo PSDB e a esquerda pelo PT dos últimos 24 anos, pode estar chegando ao final, o crescimento do bonapartismo através da candidatura de Bolsonaro e do fascismo com os que defendem um golpe militar é um sinal. A crise que vivemos afirma a necessidade de organização independente da classe trabalhadora para uma saída revolucionaria e socialista.

A esquerda também vem dividida para essas eleições. O PSOL se apresenta com a candidatura de Boulos e um programa abertamente reformista e Frente populista, a plataforma “VAMOS”, construído em uma Frente com diversos partidos burgueses, como PDT. Boulos e o PSOL se apresentam como os grandes salvadores e reformadores do apodrecido capitalismo na sua crise terminal. Boulos/Psol são hoje um dos maiores defensores do PT e da Frente Popular, isto é, da aliança com setores “progressivos” da burguesia, como forma de luta contra o fascismo. A Frente Popular não é capaz de combater o fascismo e um golpe de estado no país, pelo contrário, divide os trabalhadores e abre caminho para o fascismo. A defesa de Lula e a narrativa de que houve um golpe de estado no Brasil, desarmando a classe para a luta contra um verdadeiro golpe, mostra isso.

O PSTU lançou a candidatura da Vera, sem coligações. O PSTU não fez uma campanha forte por uma Frente de Esquerda como havia feito em eleições anteriores nas quais havia sido um elemento importante de conscientização da militância e ativistas de esquerda no Brasil de que não se deve fazer alianças com a burguesia. O PSTU diz que é contra alianças com a burguesia nas eleições, o que concordamos. Mas, no movimento sindical e nas lutas dos trabalhadores defendem qualquer tipo de alianças com a burocracia sindical e a burguesia, o que justificam não ser uma Frente mas uma “unidade de ação”. Para nós, a razão de não haver a frente de esquerda com o PSOL não é por princípio de independência de classe ou o fato do PSOL defender um programa de uma Frente Popular, mas por sectarismo do PSTU com o PSOL e por oportunismo eleitoreiro.

O programa eleitoral do PSTU chama a uma “rebelião”, e não mais a revolução. Em 2013, quando a juventude radical se rebelou contra o aumento das tarifas do transporte público e que levou às grandes manifestações conhecidas como as “Jornadas de Junho”, o PSTU publicou a famigerada notaChega de Black Blocs!” que de fato criminalizava a juventude rebelde, a qual a mídia e o governo chamavam de “vândalos”.

Foi no calor das Jornadas de Junho de 2013 que o PSTU inaugurou o bloco burocrático entre as direções das centrais sindicais, o qual existe até hoje. Desde as Jornadas em 2013 até a luta contra a Copa do Mundo em 2014 surgiram inúmeras greves por todos os setores da classe trabalhadora e o clamor por uma Greve Geral era forte. Essa pressão pela greve geral foi o que levou a conformação do bloco burocrático entre as direções das centrais que até hoje desviam a greve geral para “Dia Nacional de Mobilizações”.

A verdadeira Frente Única que se formava no decorrer das lutas, como o Bloco de Lutas em Porto Alegre, o Fórum de Lutas no RJ, a frente única dos estudantes ocupando escolas em 2016 ou as frentes durantes as greves dos trabalhadores foram destruídas pelas direções oportunistas e apoiadas pelo PSTU que enquanto boicotava a frente única e organização independente nas lutas, se juntava aos blocos burocráticos onde se decidia entre quatro paredes o rumo do movimento.

A esquerda reformista como o PSOL substitui a classe trabalhadora pela democracia burguesa e cargos no parlamento. O PSTU substitui a luta direta e independente da classe, pela burocracia sindical. Por isso, não passa de hipocrisia quando o PSTU faz criticas a burocracia sindical das centrais e se une a elas em blocos burocráticos com a justificativa de que estes são necessários como uma “etapa” da luta dos trabalhadores. Essa verdadeira Frente Popular entre as burocracias não é uma etapa necessária, mas sim um entrave para organização independente e democrática dos trabalhadores: os comitês por local de trabalho, comitês de autodefesa, a Frente Única e a Greve Geral.

A classe trabalhadora brasileira está cansada, não aguenta mais as péssimas condições de vida e trabalho. Apesar do grande descontentamento popular com o governo e o parlamento, e o descrédito cada vez maior nas eleições, ainda não veem uma alternativa por fora da democracia burguesa. Porém, qualquer um que ganhar as eleições precisará aprofundar os ataques contra a classe trabalhadora como “saída” da crise capitalista. A Reforma da Previdência, corte dos gastos públicos, privatizações e exploração maior da classe é a principal e verdadeira agenda dos partidos que aí estão.

Por isso defendemos o Voto Crítico no PSTU, que é um partido de esquerda e não está aliado a nenhum setor da burguesia. Por que crítico? Porque apesar de apresentar uma candidatura sem alianças com a burguesia, seu programa é o da “rebelião” e não o da necessária Revolução socialista. Seus métodos não são o de organização independente da classe com comitês por local de trabalho, comitês de autodefesa e a Greve Geral revolucionária, os métodos de luta da classe trabalhadora. Mas os métodos burocráticos de aliança com as direções oportunista do movimento sindical. É preciso expor a burocracia e ganhar as bases para um partido revolucionário de massas.

Pela estatização dos bancos e grandes empresas, sem indenização e com controle operário!

Pelo não pagamento da dívida pública e um plano de obras públicas que atendam a necessidade dos trabalhadores e povo pobre!

Nas eleições de 2018, apoio para comitês de trabalhadores que lancem seus candidatos como tribunos de um programa contra a Frente Popular!

Por um Congresso de Trabalhadores eleitos em comitês de base para discutir e decidir os rumos da luta!

Por um partido revolucionário que organize a vanguarda dos trabalhadores!

Por um governo de Comitês de Trabalhadores! Por um Brasil Socialista!

Anúncios

O ACORDO DE HELSINQUE E O IMPÉRIO AMERICANO

Há muita confusão sobre o comportamento de Trump em Helsinque. Ele é louco, um traidor ou um joguete de Putin? Ora,não é tão difícil. Ainda é sobre o Grande Jogo da Eurásia . Trump está lutando contra a China, que é a principal ameaça econômica ao imperialismo dos EUA. A China disse que vai ignorar as sanções ao Irã. Trump quer testar a lealdade de Putin à Xi na esperança de enfraquecer o bloco China / Rússia. Ele quer um novo acordo.

A confusão é agravada quando se trata a questão como Trump-ohomem e não como interesses nacionais dos EUA.Isso não é um festival de amor oligárquico. Não é sobre a conspiração mundial da Supremacia Branca ou sobre o império de negócios privados de Trump. É sobre o futuro do império dos EUA.

Mas os impérios são ultrapassados, você pode perguntar, pensando em exemplos históricos como a Grécia Antiga ou a China Antiga. Você estaria errado. Império hoje significa um império capitalista que tem suas próprias características especiais que podem ser resumidas como “capitalismo monopolista de estado“.

Como principais países capitalistas industrializados no século 19 ª , eles cresceram muito para os seus mercados nacionais e começou a evoluir em estados fortes que expandem agressivamente à custa de seus impérios rivais. Eles tiveram que exportar capital para evitar a queda dos lucros em casa. O objetivo era pegar recursos globais e mercados de suas colônias para aumentar seus lucros por qualquer meio necessário, incluindo guerras comerciais e guerras militares.

O modelo foi criado no início do século 20 como o Grande Jogo entre a Grã-Bretanha imperialista capitalista e a Rússia imperialista feudal pelo controle da Eurásia e depois do mundo! Foi a rivalidade entre as potências européias para re-dividir o mundo colonial que levou diretamente à Primeira Guerra Mundial. A Grã-Bretanha e a França haviam passado a diante seus rivais despejando capital na Rússia pré-capitalista, deixando a Alemanha e o Japão por trás do jogo.

A Primeira Guerra Mundial não resolveu esse choque de interesses – a Revolução Russa criou a União Soviética, e os termos draconianos de paz impostos à Alemanha criaram ressentimentos profundos que levaram à Segunda Guerra Mundial.

Em ambas as guerras, os EUA permaneceram isolacionistas até que seus interesses econômicos fossem diretamente ameaçados. Em abril de 1917, os EUA reagiram à perda de seus navios mercantes para submarinos alemães e à ameaça do México se unir ao Eixo.

Em dezembro de 1941, os EUA reagiram ao ataque do Japão a Peal Harbour. Mas nessa época os EUA eram a potência global dominante e assumiram esse papel na definição do acordo pós-guerra em Yalta.

Os EUA dominantes ocuparam a Europa e o Japão, definindo os termos da paz formando um círculo militar em torno da URSS e do futuro “vermelho” da China. O isolamento dos EUA terminou e a época dos EUA como a potência hegemônica global começou. A missão do imperialismo norte-americano pós-Segunda Guerra Mundial era derrotar a URSS e a China e adicioná-los ao seu domínio global.

No entanto, apesar de seu anel de aço em torno da Eurásia e da “guerra fria”, que acabaram por pôr a URSS e a China de joelhos nos anos 90, nem os EUA nem seus “aliados” europeus e japoneses conseguiram convertê-las em neocolônias. Pelo contrário, elas reentraram na economia capitalista global amplamente em seus próprios termos.  

Décadas de planejamento estatal burocrático permitiram que tanto a Rússia quanto a China desenvolvessem as economias estatais centralizadas capazes de resistir à penetração e dominação das potências imperialistas ocidentais. Os métodos usuais de penetração do capital imperialista para subordinar poderes mais fracos ao capital financeiro ocidental se depararam com regimes capitalistas de estado bem sustentados. O domínio militar foi controlado por armas nucleares. Tanto a Rússia quanto a China emergiram como novas potências imperialistas que ameaçam limitar e até desafiar a hegemonia dos EUA.

Os EUA responderam dobrando seu expansionismo agressivo enquanto os neo-conservadores pressionavam pela guerra com a Rússia e a China para conter a “ameaça vermelha”. De Reagan a Bush Júnior, a OTAN se expandiu para as fronteiras da Rússia, mas isso, juntamente com as guerras contra o Afeganistão, Iraque e Irã, não isolou o bloco Rússia / China. No leste, o anel de bases militares em volta da China, do Japão a Guam, foi reforçado.

Todos falharam em derrubar as barreiras políticas e econômicas à penetração e dominação do imperialismo ocidental. A missão neoconservadora de recuperar a Eurásia expirou. O ‘Pivot do Pacifico‘ de Obama foi em grande parte um exercício de propaganda.

Sob Obama, os democratas dos EUA se retiraram de invasões militares caras, preferindo limitadas aventuras de operações especiais, em “standing by” enquanto a Rússia e a China expandiam suas esferas de influência imperialista na Europa, Ásia, África e América Latina.

Com os neoconservadores fervilhando a Ucrânia e os democratas presos no pântano de conflitos não resolvidos, nenhum deles conseguiu deter a erosão da hegemonia dos EUA. Junto veio Donald Trump como um amálgama de ex-presidentes dos Estados Unidos, tanto isolacionista quanto expansionista, para tornar a América “Great Again”. Sua tarefa era abandonar as políticas fracassadas dos neoconservadores e a globalização dos democratas, equilibrando os custos e os benefícios da hegemonia imperialista em um período de terminal crise capitalista global.

Como Michael Klare aponta em ” Trumps Grand Strategy”  , esta tarfa se encaixava no plano russo e chinês para um mundo tripolar.

Klare argumenta que Trump, apesar de todo o seu comportamento bizarro, é uma séria tentativa de resolver os problemas do imperialismo dos EUA, juntando-se a Putin e Xi num acordo trilateral entre a Rússia, a China e os EUA. Ele acha que não há nada que impeça os EUA de acabar com o “imperialismo” neoliberal e democrata como más opções políticas, e que com a “boa vontade” de Putin e Xi Jinping ele poderia persuadir os EUA a se unirem a esse acordo para acabar com ameaça de guerra nuclear.

Por irônico que pareça, esta é, naturalmente, a essência do modelo tripolar sino-russo, abraçado e embelezado por Donald Trump. Ele prevê um mundo de constante disputa militar e econômica entre três centros de poder regionais, gerando crises de vários tipos, mas não uma guerra total. Assume-se que os líderes desses três centros cooperarão em assuntos que afetam a todos, como o terrorismo, e negociarão, conforme necessário, para evitar que pequenas escaramuças entrem em grandes batalhas.

Leia mais: http://www.tomdispatch.com/post/176451/tomgram%3A_michael_klare%2C_trump% 27s_grand_strategy /

Essa análise de esquerda liberal, baseada em Henry Kissinger , pelo menos dá a Trump o crédito por ter uma estratégia geopolítica. Mas é limitado pelo seu foco na geopolítica separada das leis da economia capitalista. Não rastreia a “estratégia” de Trump de voltar aos limites da expansão econômica dos EUA pós-Segunda Guerra e assume que não tem nada a ganhar com a agressão militar e pode realizar seus interesses nacionais em tal pacto de paz.

Além disso, está interpretando mal a natureza do imperialismo, como descrito acima, e assume que, com bons conselhos, Trump pode se juntar a Putin e Xi Jinping em uma nova época de paz mundial. Isso significaria que a história das guerras nos últimos dois séculos foi resultado de má liderança e que tudo o que é necessário é uma boa liderança. Aqui o autor entregando-se ao pensamento mágico no lugar da realidade, de que as potências imperialistas não podem sobreviver em acordos racionais do tipo “ganha-ganha” de Kissinger, mas devem derrotar seus rivais para sobreviver ao jogo da “soma zero”.

Ele falha não apenas em explicar o expansionismo econômico subjacente dos EUA que empurrou presidentes como Wilson e Truman do isolamento para o globalismo. Também interpreta mal os interesses imperialistas de Putin e Xi na promoção de suas políticas “globalistas”. E interpreta mal a “estratégia” de Trump de buscar novos métodos de restaurar a grandeza da América penetrando e dominando seus rivais. Só se pode entender a sua política em relação a outras potências imperialistas e outras nações, como objetivo de reduzir os custos e impulsionar os ganhos do Império dos EUA.

Então, para Trump, é sobre quanto do globo você ainda pode dominar, fazendo com que os estados mais fracos e os trabalhadores do mundo paguem pelo declínio da economia dos EUA. Sua intervenção sobre o Brexit mostra que ele quer que o Reino Unido saia da UE para que ele possa enfraquecer ambos. Ele quer forçar um realinhamento de seus antigos “aliados” e “inimigos” para ver como os EUA podem sair por cima.

Especificamente, ele está testando Putin em sua aliança com a China para ver se ele pode enfraquecê-lo e enfrentá-lo. O Irã provavelmente será um grande teste, já que a China está ignorando as sanções dos EUA. A UE cedeu à pressão dos EUA para aplicar as sanções. Putin seguirá ou oferecerá uma ajuda à UE para evitar as sanções? O último é mais provável, já que o Irã agora faz parte da Organização de Cooperação em Segurança – o bloco militar eurasiano liderado pela Rússia e pela China.

Eles podem chegar a um acordo sobre o Oriente Médio? A Revolução Síria tem assistido a um realinhamento da região em relação ao bloco Rússia / China. O bloco dos EUA foi reduzido para Israel, Jordânia e Arábia Saudita. O bloco Rússia / China agora inclui Síria, Turquia, Irã e Catar. A Al Monitor tem uma teoria de que Trump está subcontratando a guerra da Síria à Rússia para permitir uma maior retirada dos EUA.

Maxim Suchkov relata que “antes da reunião de Helsinque, esperava-se que a Rússia entregasse basicamente três coisas: garantir a segurança de Israel do que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vê como uma crescente presença iraniana na fronteira sírio-israelense, refrear a influência iraniana no resto da Síria e abrir-se para algum tipo de compromisso com os Estados Unidos e os estados europeus interessados ​​- tudo para garantir a retirada militar dos Estados Unidos da Síria. Assim, as declarações e medidas tomadas pelos oficiais russos nos poucos dias seguintes à reunião de Helsinque servem para sinalizar que Moscou cumpriu o que parece ter sido suas promessas para cada partido: segurança para Israel, cooperação com o Irã e engajamento com os governos ocidentais.”

Leia mais: http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/07/helsinki-meeting-trump-putin-next-chapter-syria.html#ixzz5MMF7fj94

Esta pode ser uma parte do novo acordo tripolar. Mas o que há para os EUA? O Curdistão será negociado por uma Coréia unida nos termos estabelecidos por Trump? E como os dois blocos rivais lidarão com a atual ameaça de uma revolta da classe trabalhadora no Iraque? Isso pode ser gerenciado como parte de um mundo tripolar? Certamente, eles colaborarão na supressão de qualquer renovação da revolução árabe como parte da guerra contra o terror. Mas tal cooperação regional não pode sobreviver a nenhum teste real dos interesses centrais das grandes potências rivais.  

Este, como sempre, é o Grande Jogo entre as grandes potências. Não pode ser um jogo “ganha-ganha”. Não pode haver um acordo tripolar benigno que una Israel e o Irã mais do que seus apoiadores imperialistas. Enfrentando uma economia global instável em crise, os imperialismos rivais estão inevitavelmente presos em um jogo de “soma zero”. Hoje esse jogo é entre os EUA e um renascido império russo, em bloco com o novo império chinês, com as potências da UE em ambas as direções.

As potências imperialistas são impulsionadas pela queda dos lucros para guerras comerciais e militares, em que descarregam as suas crises de queda dos lucros nas costas dos seus rivais e, em todo o mundo, nas costas dos trabalhadores. Trabalhadores de todo o mundo devem se organizar internacionalmente para chegar à frente do jogo e lutar contra todas essas manobras imperialistas.

Protestar contra Trump é um começo, mas não irá a lado nenhum a não ser que se torne um movimento antiimperialista global contra todas as guerras comerciais imperialistas, guerras quentes, genocídios, colapso climático e por uma revolução socialista global. E para que isso aconteça, todos nós precisamos acordar e perceber que para a humanidade viver, o capitalismo e toda a sua destruição de vidas e do planeta, devem morrer. Devemos nos organizar internacionalmente para o socialismo de sobrevivência!

 

http://www.atimes.com/article/shadow-play-new-great-game-eurasia/

http://www.tomdispatch.com/post/176451/tomgram%3A_michael_klare%2C_trump%27s_grand_strategy/

https://www.politico.com/story/2016/12/trump-kissinger-russia-putin-232925

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/07/helsinki-meeting-trump-putin-next-chapter-syria.html#ixzz5MMF7fj94

Originalmente publicado em:  https://situationsvacant.wordpress.com/2018/07/26/the-helsinki-deal-and-the-american-empire/?fb_action_ids=10213770278664116&fb_action_types=news.publishes

Traduzido por GTR-Brasil

Eleição no México

O capitalismo vive a maior crise da história e a disputa entre o decadente imperialismo dos EUA contra os ascendentes imperialismos da China e Rússia é cada vez mais acirrada. Essa disputa que vem se desenrolando com guerra comercial e com conflitos através de seus agentes regionais (“guerras de procuração”), como na Síria ou Ucrânia, só pode ser “resolvida” com mais uma grande guerra e ataques brutais a classe trabalhadora e povos oprimidos.

Apesar das suas disputas, as potências imperialistas estão juntas para acabar com a revolução e promover guerra, como na Síria. Na época imperialista, de crise capitalista e guerras imperialistas, a única saída para a classe trabalhadora é a independência de classe, a derrota de ambos blocos imperialistas e a vitória do socialismo.

As exploradas e oprimidas nações Latino Americanas também são objeto dessa disputa em que EUA vê cada vez maior a influência do imperialismo chinês no seu “quintal”.

O imperialismo da China/Rússia não são “alternativa” ao imperialismo dos EUA. O castro-chavismo e a esquerda reformista não são “anti-imperialistas”.

O castro-chavismo e a esquerda reformista de Obrador no México, Morales na Bolívia ou Lula no Brasil abandonaram a independência de classe e se aliam a setores burgueses “progressivos”, desviam a luta direta da classe para ilusões com a democracia burguesa que está cada vez mais desmoralizada perante os trabalhadores. São os maiores “salvadores” do capitalismo de sua época decadente para um mundo “multipolar” que na prática é tomar lado na disputa inter-imperialista. Com “ajuda” da China e Rússia, aplicam seu “anti-imperialismo” restaurando o capitalismo em Cuba, colocando nas costas dos trabalhadores venezuelanos o preço da maior crise capitalista do país, reprimindo e aterrorizando o povo da Nicarágua que se levantou contra a neoliberal Reforma da previdência e ficando do lado da contrarrevolução na Síria defendendo o massacre do regime de Assad contra o povo. Essas direções oportunistas da esquerda são uma barreira para a independência de classe e a vitória dos trabalhadores e o socialismo contra o capitalismo imperialista na América Latina e no mundo.

Deveríamos caracterizar os líderes do Chavismo como “populistas” da mesma maneira que Trotsky fez ao predecessor de Obrador, Cardenas, na década de 1930, que também estava no PRI. Cárdenas era muito mais radical que Obrador, por isso Trotsky teve que advertir que nacionalizar o petróleo e redistribuir a terra estava longe de romper com o capitalismo.

O populismo de Obrador não é anti-capitalista, mas anticorrupção. Em todo o mundo capitalista, a corrupção é epidêmica durante a época da decadência. O combate à corrupção não pode ser feito por populistas capitalistas como Obrador, Ortega, Dilma ou Chávez, porque eles se recusam a armar os trabalhadores para expropriar a propriedade privada – o capital financeiro – da classe capitalista. Agitando bandeiras vermelhas ou cor-de-rosa eles estão comprometidos em administrar o capitalismo em seu declínio, mantendo os corpos armados do estado prontos para derrubar a insurreição popular contra a decadência capitalista. A única força que pode acabar com a corrupção é a milícia de trabalhadores armados que defende recursos e indústrias socializadas. Isso requer independência política da classe trabalhadora. Um conceito que é rejeitado como uma tática anacrônica, pelos oportunistas “marxistas”, que estão se debatendo por um caminho reformistas em todo o mundo. Os marxistas revolucionários se opõem às frentes populares nas semi-colônias e no centro imperialista, assim como os centristas se atrapalham tentando explicar como o caminho para o socialismo se dá rompendo a barreira de classe através dos partidos e governos de frente popular.


Brasil: a situação com a “greve” dos caminhoneiros que paralisa o país.

Greve dos caminhoneiros no sexto dia. País paralisado. Postos sem combustível. Problemas de abastecimento de alimentos. Várias indústrias paradas e produtores colocando produtos como o leite, fora. Aeroportos cancelando voos. Os noticiários dedicados inteiros à Greve e fazendo transmissões especiais. O governo autorizou o uso das forças armadas para desbloquear rodovias e confiscar “bens privados” que sejam de interesse público. Manifestantes negociando a liberação de cargas de combustíveis para abastecer as forças de segurança! Depois de dias da população em filas tentando abastecimento de combustível e comida, final de semana as ruas e estabelecimentos estão vazios. O governo anuncia mandado de prisão para alguns empresários suspeitos de instigar e organizar a greve. Muito apoio popular à greve. Como será a segunda feira se a greve continuar? A CUT depois de 4 dias de paralisia se coloca contra a “política de preços” da Petrobras e defesa das reivindicações dos caminhoneiros e pedindo “negociação”. Faixas com pedidos de “intervenção militar já ” continuam como umas das palavras de ordem vistas nas manifestações. A esquerda pequena burguesa PSTU/PSOL chama entusiasmada o apoio a greve dos caminhoneiros e exige da CUT e demais centrais pelegas que reeditem o Bloco burocrático e chamem uma greve geral para “unir” as lutas.

O governo Temer está paralisado.Já tinha ocorrido antes com a ofensiva burguesa da Lava jato e tinha sido derrotado pelos trabalhadores não conseguindo aprovar a Reforma da Previdência.As eleições de outubro são as mais instáveis em décadas. A atual situação de “greve” dos caminhoneiro mostra que quem manda no governo é o capital financeiro internacional que não abre mão que os preços da Petrobras sejam vinculados ao mercado internacional.Os mesmos que exigem as reformas que atacam os trabalhadores.A proposta do governo aos caminhoneiros, de baixar imposto dos combustíveis, também não agrada o capital financeiro pois compromete as contas do governo e o pagamento da divida publica, ao qual obviamente não abrem mão.Isso deixa ao governo a única opção de ter que enfrentar os diversos setores descontentes o que, cada vez é mais evidente, não é capaz de fazer.Até onde vai o locaute da burguesia nacional enfurecida com o preço dos combustíveis? As direções oportunistas da esquerda como PT e Boulos/Psol atacam a política do governo de preços da Petrobras e chamam os trabalhadores a se unir a setores “progressivos” da burguesia e prendem os trabalhadores na armadilha da Frente Popular desviando a luta dos trabalhadores para ilusões na democracia burguesa e nas eleições de outubro.A frente popular não é capaz de combater a burguesia, o imperialismo e a ameaças de um verdadeiro golpe de estado no país. Pelo contrário, impedem a necessária alternativa independente dos trabalhadores, com comitês e auto defesa que se unam em Frente Única e exijam apoio de suas direções para a Greve Geral Revolucionaria! Por uma saída Socialista, pelo partido Revolucionário no Brasil!

A greve dos caminhoneiros no seu 3 dia já mostrava a força que tem de parar o país. Foi instigada e organizada pela patronal, a reacionaria burguesia e pequena burguesia brasileira indignada com os efeitos da crise em seus negócios. Eles querem a baixa do preço do combustível, mas palavras de ordem contra o governo e por “intervenção militar” são defendidas por setores envolvidos e vistas em cartazes e faixas. Isso significa que estamos em uma “onda reacionária”, que os trabalhadores “não lutam” e que devemos defender a democracia burguesa e a Frente Popular, como faz o Boulos/Psol e os oportunistas “do momento”, a Resistência? Não, a “greve” dos caminhoneiros, a crise econômica, o impeachment, o fraco governo Temer, as incertezas das eleições de outubro e a instabilidade social mostram os efeitos da crise em que o capitalismo e o imperialismo estão. Os trabalhadores estão lutando, e estão sendo derrotados pelas suas direções oportunistas às quais se juntam com a burguesia “democrática” e dizem que vão “melhorar” o capitalismo direcionando a luta para a democracia burguesa e justificando seu reformismo dizendo que os trabalhadores “não lutam”, como faz o PT e Boulos/Psol. Os caminhoneiros e seus líderes estão indignados com a situação de crise, mas suas “saídas” não tem nada a ver com os interesses dos trabalhadores, como pensa a esquerda pequeno burguesa como PSTU, CST, MES. Defendem a greve dos caminhoneiros como de trabalhadores, e na greve dos trabalhadores se juntam com a burocracia sindical em Blocos burocráticos como o bloco das Centrais, levando a luta à derrota. Para os trabalhadores a saída não é outra que o socialismo. A formação de comitês, auto defesa, e uma Frente Única nacional para organizar a greve geral revolucionaria. É urgente a construção do partido revolucionário no Brasil!

Com o país pegando fogo, o PSTU em uma assembleia em uma fabrica metalúrgica onde dirige o sindicato, discute campanha salarial! Deixando para o final uma pitada de “solidariedade”, aprovando apoio para a greve dos caminhoneiros. O governo na corda bamba e a “esquerda” discutindo economicismo na assembleia dos trabalhadores! Nenhuma discussão política, nenhum chamado e formação de comitê para discutir a situação, nada para organizar pela base a tão proclamada “Greve Geral”, nenhum alerta contra a “intervenção militar já” que ganha peso entre os manifestantes! É a ala ultraesquerdista (cada vez mais próxima da extrema direita) da mesma esquerda reformista que o PT, que diz que os trabalhadores não lutam, não chamam a mobilização da base para formação de comitês e organização de uma frente única para a greve geral, independente, dos trabalhadores.

Impressionante como essa falsa esquerda procura e não encontra mais os trabalhadores. Não pode mesmo ir além de defender a máfia nos sindicatos brasileiros ligados a patronal e defender greve de “pequena burguesia”. O setor de transportes tem burgueses, pequeno burgueses mas está cheio de trabalhadores explorados e precarizados que não tem nenhum papel independente nessa “greve”. Essa esquerda pequeno burguesa que está romantizando a greve dos caminhoneiros deveriam chamar uma frente única dos trabalhadores para organizar a greve geral, de forma independente, que represente os seus interesses e reivindicações “legítimas” dos trabalhadores como baixa do combustível, contra o desemprego, péssimas condições de vida, trabalho, etc. Tem vários setores burgueses insatisfeitos com o governo e a situação econômica, defendendo várias “saídas” como os que pedem ditadura militar. A situação mostra que quem manda no governo é a burguesia financeira internacional que não abre mão do preço da Petrobras estar vinculado ao mercado internacional, restando ao governo enfrentar a atual situação cada vez mais instável e insustentável.

Existe outros setores que também estão indignados com a situação de crise e defendem saídas reacionárias que não tem nada a ver com os interesses dos trabalhadores, como a “greve” da fascista polícia que os renegados do trotskismo também deram para defender. Também é importante dizer que infelizmente, os operários estão muito pré dispostos a defender ditadura devido, em última instância, a traição do PT e a falta de alternativa de esquerda. Isso é a principal causa da política do PSTU e outros que capitulam a consciência atrasada da classe operária em nome da luta contra o PT mas não contra a FP como o Mes, que se aliou ao burguês PPL nas eleições em POA ou o PSTU na luta dos estudantes e trabalhadores.

Os trabalhadores precisam tomar em suas mãos os rumos do país! Pela Greve Geral revolucionaria! Mobilizar as bases nos locais de trabalho, construir comitês de trabalhadores e comitês de auto defesa. É necessário a união dos trabalhadores em uma Frente Única nacional e a construção de um Congresso dos Trabalhadores que elabore um programa de luta da classe para a luta contra o governo, a burguesia e seu locaute e ameaça de um verdadeiro golpe! Por uma saída Revolucionaria e Socialista!

Declaração do 1° de Maio do Comitê de Ligação dos Comunistas

Trabalhadores do mundo uni-vos para esmagar o fascismo e o imperialismo!

Acabar com o capitalismo e construir o socialismo para parar a catástrofe climática!

Camaradas, o Dia Internacional dos Trabalhadores, ou 1° de Maio, é comemorado desde 1886, três anos após a morte de Marx. Mas o que estamos celebrando? Este ano são 200 anos desde o nascimento de Marx, 180 anos desde o Manifesto Comunista, 100 anos desde a Revolução Russa e 80 anos desde a fundação da Quarta Internacional. Há muito para comemorar. Mas onde está o “espectro do comunismo” assombrando a burguesia hoje? É verdade que a burguesia teme o comunismo. Eles temem o proletariado revolucionário como seus “coveiros”. Mas nós, os trabalhadores internacionais, ainda precisamos transformar esse medo em realidade. O 1° de Maio tornou-se menos que uma celebração dos avanços revolucionários vitoriosos e mais uma ocasião ritual para as lideranças burocráticas do movimento trabalhista realizarem “discursos dominicais”. Enquanto isso, a resistência das massas à ascensão da contra-revolução e do fascismo em todo o mundo é isolada e derrotada.

Devemos lembrar que “1° de Maio” também é uma chamada de emergência internacional. É assim que devemos “celebrar” o 1° de Maio, interrompendo o ritual e chamando os trabalhadores internacionais a se unirem em ação para superar uma emergência global de colapso climático e existência humana. Em todo lugar o capitalismo está em crise. Já não pode governar da mesma maneira antiga. De fato, todo dia o capitalismo sobrevive apenas destruindo a humanidade e a natureza. E os trabalhadores não mais se submeterão à exploração extrema sem reagir. Não há saída para a burguesia além da destruição e da barbárie. Para sobreviver como um modo de produção agonizante, o capitalismo precisa destruir tudo o que foi conquistado ao longo dos séculos. Ele ameaça destruir a humanidade e a natureza, a menos que seja interrompida pela revolução socialista global. É claro que para os trabalhadores viverem e a humanidade sobreviver, o capitalismo deve morrer. Mas onde está o proletariado internacional se levantando para esmagar o imperialismo capitalista e para construir o socialismo mundial?

Síria: Revolução e genocídio fascista

Isso não é mais óbvio do que na Síria, a Comuna de Paris do Século 21, onde a promessa da Primavera Árabe é levada à quase derrota pelas forças combinadas da contra-revolução. Os patrões temem mais do que qualquer coisa a disseminação de uma vitoriosa revolução árabe dando um exemplo ao resto dos trabalhadores do mundo – as potências imperialistas e seus regimes aliados assassinos recorreram ao genocídio fascista. Cidades e regiões inteiras foram transformadas em escombros sangrentos porque a Revolução Síria foi ignorada e isolada de qualquer campanha de solidariedade da classe trabalhadora internacional para se juntar à revolução em armas. A maioria daqueles que afirmam ser socialistas internacionais se revelaram chauvinistas sociais e social imperialistas. Eles condenam a Revolução Árabe como uma contra-revolução contra a democracia ocidental. Os dois blocos imperialistas liderados pelos EUA e pela Rússia combinaram forças para esmagar a liderança armada da revolução árabe e internacional, apoiando um ditador fascista, e a servil “esquerda” ocidental forneceu uma cobertura de “esquerda” para o genocídio .

Neste 1° de maio, estamos no oitavo ano da guerra civil na Síria e na aproximação de um derrota da revolução, que será uma derrota também para a revolução árabe e a revolução mundial. Por isso, devemos perguntar quais são as perspectivas para a revolução internacional neste momento. Vamos rejeitar o 1° de Maio como uma “celebração” ritual e torná-lo uma chamada para uma emergência global. Então poderemos agir para superar essa emergência, organizando trabalhadores internacionais como uma força revolucionária capaz de defender todos os direitos democráticos básicos sendo destruídos pelo imperialismo em sua agonia e reconstruir o “partido mundial do socialismo”, chamado por Trotsky em 1938, baseado no Programa de Transição.

Isso significa lutar por um programa marxista que possa orientar os trabalhadores em todas as lutas por seus direitos e necessidades mais básicos, através da ponte para a formação de sovietes e milícias, até a insurreição socialista e uma federação mundial de estados operários. Por exemplo, na Síria precisamos de um partido internacional forte o suficiente para mobilizar o apoio militar à revolução para a liberdade básica e vinculá-la a todas as outras resistências árabes. Significa unir a revolução palestina para derrotar o estado sionista com os movimentos de trabalhadores em todos os outros países. Precisamos de brigadas internacionais na Síria e revoltas militantes contra as classes dominantes imperialistas que ameaçam a guerra mundial.

Em outros “pontos chave”, onde a crise está levando os trabalhadores a lutarem, esse novo partido internacional precisa ter forças para intervir com um programa que promova a revolução contra a contra-revolução e a torne “permanente”. As forças da contra-revolução são as classes dominantes imperialistas, os seus estados clientes governados por facções burguesas nacionais e os seus partidos políticos, e a traiçoeira falsa “esquerda” de todos os matizes que sempre estão do lado da burguesia contra a revolução socialista.

Sob as condições de crise hoje, os imperialistas e seus lacaios são desmascarados e expostos como inimigos de classe. A falsa “esquerda”, no entanto, fornece uma cobertura à esquerda para enganar os trabalhadores. Eles são os inimigos mais perigosos. Precisamos expor e derrotar os agentes desses patrões em nossas fileiras. Em toda situação revolucionária em que os trabalhadores estão se mobilizando, eles estão do lado do inimigo de classe, desmobilizando as massas. Vamos ilustrar isso usando exemplos que demonstram o caminho a seguir em ambos, as semi-colônias e nações imperialistas.

Zimbábue, África do Sul e África

O continente africano, ao lado de outros continentes semicoloniais, como a América Latina e a Ásia (com exceção do Japão e da China), foi duramente atingido pela dupla carga do capitalismo e do imperialismo. A confiança excessiva na exportação de matérias-primas e aprisionada com mão de obra barata, provoca sofrimento agudo para os trabalhadores e o povo pobre. Os regimes ditatoriais e abertamente cruéis na maioria dos estados africanos dificultam as massas a lutar pelos seus interesses e contra a ditadura, a pobreza, o capitalismo e o imperialismo. Assim, ao celebrarmos o Dia Internacional do Trabalhador ou o 1° de Maio, é importante compreender que os trabalhadores, os camponeses pobres e as massas pobres oprimidas e exploradas só podem conquistar uma boa vida através do socialismo que inevitavelmente virá através da estratégia da revolução permanente.

Dois países podem ajudar a ilustrar a condição da classe trabalhadora e das massas pobres na África. No Zimbábue, os trabalhadores estão sob intensos ataques do regime burguês pró-austeridade pós-Mugabe, que equilibra delicadamente o imperialismo ocidental e oriental. Um acórdão da Suprema Corte de 2016, apesar das “reversões” nominais, tornou mais fácil para os empregadores, incluindo o governo, despedir trabalhadores sem compensação ou chances reais de reparação. Mais de 30.000 trabalhadores perderam seus empregos como resultado dessa decisão defendida pelo atual presidente do principal partido de oposição, Movimento pela Mudança Democrática (MDC Alliance). Como resultado do julgamento e da intransigência dos patrões, os trabalhadores foram obrigados a recorrer a ações militantes como as dos Caminhos-de-Ferro Nacionais do Zimbábue (NRZ) e do Conselho de Marketing de Grãos (GMB), onde os trabalhadores organizaram protestos prolongados na sede da empresa. . Trabalhadores da Hwange Colliery e da ZESA (uma empresa de energia elétrica) estão atualmente engajados em uma luta feroz para obter seus salários e subsídios em atraso. Mas o mais importante, as greves dos médicos e enfermeiras trouxeram à tona as verdadeiras cores do regime, apesar das alegações de que se trata de uma “nova era”. Enfermeiros foram sumariamente demitidos antes de serem reintegrados. Numa demonstração clara do que os trabalhadores têm a esperar deste governo, ele mostra ao imperialismo sua disposição de continuar a aliança de Mugabe com o imperialismo e esmagar as lutas dos trabalhadores.

Na África do Sul, a situação é ainda mais delicada. A independência política formal de 1994 não conseguiu mudar a vida das massas pobres que ainda enfrentam a exploração e a pobreza. O partido reformista do Congresso Nacionalista Africano (ANC) e seus parceiros não conseguiram resolver os principais aspectos do apartheid, que incluem a subordinação das massas aos interesses do investimento imperialista imposto pelo Estado, racismo e exploração do trabalho local e migrante, bem como a pilhagem contínua de recursos naturais. Apesar de uma constituição que foi saudada pelo imperialismo e sua classe média e substitutos pequeno-burgueses, as condições materiais dos trabalhadores e das massas pobres permaneceram terríveis forçando trabalhadores, comunidades, estudantes e camponeses pobres a se revoltarem. A mais notável e decisiva revolta das massas sofredoras foi a greve de Marikana, que resultou no assassinato de trabalhadores pelo estado em colaboração com os proprietários de minas capitalistas. A luta por um salário digno, melhores condições de trabalho e o direito irrestrito de greve ocupou um lugar central na dinâmica de classe do estado. A greve dos motoristas de ônibus se arrastou até a terceira semana, quando os trabalhadores rejeitam os salários de escravos e tentam dividir a classe trabalhadora.

O Zimbábue e a África do Sul refletem em grande parte a situação atual na maioria dos estados africanos em relação às condições dos trabalhadores, camponeses pobres e massas pobres. Os salários de escravos, a privatização da terra, a mercantilização da educação e dos serviços, a pilhagem dos recursos locais, a corrupção desenfreada e os regimes ditatoriais são as marcas das sociedades africanas. O 1° de Maio nos dá a oportunidade de fazer um balanço de nossa posição como trabalhadores e pobres comuns e sermos capazes de traçar um caminho a seguir que garanta uma vida melhor para as massas. Somente a ação de massa independente da classe trabalhadora e oprimida pode ganhar uma vida melhor. Para que isso aconteça, os trabalhadores precisam ser organizados de maneira militante e armados com uma estratégia e um programa revolucionários.

Brasil e América Latina

No Brasil e América Latina, considerada um “quintal” pelo imperialismo americano, os trabalhadores e povo oprimido resistiram com muita luta às políticas neoliberais. A esquerda reformista canalizou essa luta para o socialismo parlamentar ou “socialismo do século XXI”, levando ao poder vários governos de Frente Popular ou populistas, que continuaram a aplicar as políticas neoliberais e os ditames do imperialismo.

A crise global do capitalismo atingiu fortemente a America Latina, e o Brasil em particular, abalando os governos que atacam a classe trabalhadora como forma de resolver a crise. A instabilidade economica, politica e social é cada vez maior. Longe de significar “estabilidade”, a volta de governos da direita tradicional como na Argentina e Brasil enfrentam o descontentamento cada vez maior da classe trabalhadora com suas condições de vida se deteriorando, sendo atingidos por desemprego, reformas que retiram direitos e repressão.

No Brasil, Lula e PT sofreram um “golpe” de seus aliados burgueses e o vice-presidente Temer, que hoje está no poder, tem uma alta rejeição, enfrenta mobilizações, greves e ocupações de trabalhadores e movimentos sociais na luta por melhores condições de vida e trabalho e contra as reformas que retiram direitos como a Reforma da Previdência. O PT, mesmo sofrendo a manobra que levou ao impeachment de Dilma e a prisão de Lula, continua defendendo a frente popular e agindo no movimento dos trabalhadores através da CUT e dos sindicatos, desmobilizando os trabalhadores (como no desmanche da greve geral contra a reforma da previdência) e canalizando a luta para a democracia burguesa e as eleições de outubro. O PSOL, em aliança com o líder reformista do MTST (Movimento dos Sem Teto), entrou de vez na Frente Popular, junto com PT e a burguesia “democrática” na luta por “democracia” e “soberania” diante dos ataques do governo e o crescimento da extrema direita e do fascismo.

A saída para os trabalhadores e povos oprimidos do Brasil e América Latina é a luta independente da classe contra a burguesia e o imperialismo. É necessário a construção do partido revolucionário, a organização de comitês de base, autodefesa e a Greve Geral, na luta pela expropriação da burguesia e um verdadeiro socialismo. A Frente Popular não combate o fascismo, ela abre caminho para o fascismo. O ditos governos de esquerda na America Latina aplicam a politica imperialista e atacam duramente a classe trabalhadora. Os conflitos com os EUA de governos como o da Venezuela em nada significou uma ruptura com o imperialismo, e o atrelamento cada vez maior com o bloco imperialista da China/Rússia, em nada significa “soberania” ou “anti-imperialismo”. Os trabalhadores latino americanos precisam romper com as direções reformistas, que divide os trabalhadores, impede a solidariedade de classe como mostra o isolamento da Revolução Síria, que restaura o capitalismo em Cuba, apoia o governo repressor da Venezuela, que como na Síria chama de “agentes da CIA” os trabalhadores na Nicarágua que lutam contra a Reforma da previdência do governo de “esquerda” ou que defendem a frente popular no Brasil contra a direita e a ameaça de ditadura.

 

Estados Unidos

Toda a calamidade do “capitalismo de desastre” que o governo federal anuncia ao mundo é um sinal do declínio do imperialismo norte-americano. O lado raramente visto do “nacionalismo populista” é sua autarquia inerente. O recuo de tal consenso mundial mínimo como é representado pelos Acordos de Paris é uma flâmula na chaminé do Titanic! O ataque de mísseis pelos EUA, Grã-Bretanha e França nas instalações vazias de Assad apenas destaca a crescente ineficácia do bloco liderado pelos EUA, enquanto Trump, em ocasiões mais típicas, pede a retirada dos EUA, deixando a Síria para a Rússia. Os bandidos do novo “pântano” têm interesses mais pessoais para satisfazer e estão recebendo os deles, enquanto aqueles “qualificados” para cuidar dos interesses imperiais dos EUA são demitidos por Trump. Ideólogos substituem profissionais e os EUA perdem participação de mercado. Isso resulta em guerra comercial, o prelúdio da guerra mundial. E Trump flutua a ideia de se tornar um Bonaparte para a vida depois de ouvir da nomeação vitalícia de Xi. Nada que Trump diz ou tweets é uma piada, mas sinaliza que ele conhece as várias opções reacionárias. A tendência de queda da taxa de lucro tem o imperialismo norte-americano pelas rédeas curtas.

As cabeças falantes da burguesia não informam os efeitos reais de uma queda de 10% nos preços do mercado de ações nos EUA. Essas perdas ocorreram após o corte de impostos, ou seja, ESTE ANO. Elas acontecem enquanto o investimento está atrasado e quase todos os economistas dizem que as corporações estão acumulando dinheiro. Trump ameaça o protecionismo enquanto inverte o TPPA e o NAFTA. Nenhum de seus movimentos esconde o fato de que a recuperação é uma concha vazia que mantém dezenas de milhões de trabalhadores pobres e suas famílias em um ciclo interminável de pobreza enquanto os salários estagnaram por décadas. Os trabalhadores muitas vezes precisam ter dois ou três empregos apenas para pagar o aluguel, enquanto a classe dominante continua a atacar programas de assistência pública escassos e humilhantes. O ódio institucional e a repressão estatal dos trabalhadores pobres e do povo negro são ampliados pelo racismo ambiental e pelos custos da habitação que aprisionam as pessoas em zonas perigosas à sua saúde. O envenenamento por chumbo da água em Flint, Michigan, é apenas a ponta do iceberg de poluentes industriais que contaminam elementos de sustentação da vida do meio ambiente. Entretanto, é apenas um prenúncio da ameaça ambiental que a sobrevivência do capitalismo inevitavelmente representa para a sobrevivência humana e de outras espécies num futuro próximo. Os capitalistas preparam-se para a Terceira Guerra Mundial, mas retalham insanamente os ICBMs da Coréia do Norte e os reatores no Irã como os mais graves perigos enfrentados pela humanidade para aqueles que seguem sua mídia mantida. Eles incitam os MAWAs (fazer América Branca de novo) contra os imigrantes e refugiados na prisão, enquanto colocam a recuperação de Porto Rico de um furacão de um século sobre rações, e todos os “amigos do trabalho” têm que dizer que votar em nós em novembro. Os trabalhadores precisam do nosso próprio partido agora, não algum dia!

Alguns reconhecimentos de que pilhas de dinheiro estão ociosos resultaram em revoltas da base em alguns setores organizados, revolta que a burocracia/ Democratas até agora foram capazes de correr na frente. Assim, os Estados Unidos viram surtos de lutas sociais e de classes. A luta de Wisconsin em 2011, seguida pelas lutas Occupy e Longshore ILWU EGT, Ferguson, as ações de autodefesa das comunidades Black e Brown em todo o país que lançaram #BlackLivesMatter, a luta dos primeiros protetores de água contra o Dakota Access Dakeline , pré e pós Charlottesville mobilizações contra fascistas alt-direita, as marchas das mulheres e movimento #MeToo, a ampla defesa dos imigrantes com ações diretas espontâneas organizadas pela mídia social nos aeroportos contra a proibição muçulmana e contra a tortura cometida no aeroporto de San Francisco pela Segurança Interna e a disseminação de greves de estado a estado e um ressurgimento crescente na organização da luta de classes e na greve dos enfermeiros e trabalhadores das companhias aéreas enquanto marchamos no Dia 1° de Maio.

Enquanto o sionismo se dobra em sua guerra diária contra as vidas dos palestinos, Israel não pode mais contar com o apoio incondicional de americanos da herança judaica que buscam e marcham em solidariedade com seus camaradas palestinos. No entanto, ainda é necessário um juramento de sangue contra a burocracia trabalhista que está ligada aos projetos do Partido Democrata imperialista, incluindo apoio incondicional a Israel, Arábia Saudita e guerras intermináveis ​​da classe dominante contra trabalhadores no exterior e em casa, tanto abertos quanto encobertos. Da mesma forma, a burocracia trabalhista é do tipo “dá-ou-morra”, comprometida com a idéia de que a polícia é um trabalhador e não o patrulhamento de escravos que diariamente aterroriza as comunidades negra e parda. As lutas de hoje fornecem um vislumbre do que poderia ser, exceto em cada turno, elas são limitadas ou descarrilarem devido à falta de liderança revolucionária. A burocracia sindical pró-capitalista comporta-se como se o poder dos trabalhadores e dos oprimidos fosse pequeno e tivesse possibilidades insignificantes para além da autodefesa legalista. E em todos os lugares, os burocratas estão dispostos a sacrificar seu direito à saúde, mesmo em ataques de outra maneira vitoriosos!

Eles não permitem a autoconsciência sobre o sucesso de sua estratégia. É um cataclismo de queda livre. Os direitos do movimento trabalhista do centro-oeste, que usaram métodos de luta de classes para construir os Teamsters e os CIOs, são na sua maioria história agora, ignorados pela burocracia sindical e contidos entre acadêmicos arcanos e vermelhos nostálgicos. Isto é exatamente porque os métodos de luta de classes de combate aos exploradores são tratados como impossíveis de serem realizados hoje.

Não apenas a estratégia, mas a psicologia dos projetos da burocracia são uma fraqueza supina! A administração Trump balança legalmente mesmo quando realiza o verdadeiro programa burguês de “capitalismo de desastre”, cortando toda a proteção que as massas conquistaram desde a década de 1870 e agora até ameaçando a existência da educação pública. A presidência de Trump é realmente sustentada apenas por relações públicas. Ambas as partes são culpadas de defendê-la com uma leve condenação: fica mais claro o tempo todo que os democratas não estão interessados ​​em destituir Trump este ano, falando cada vez mais que não vão tentar impedi-lo no próximo ano, enquanto muitos repetem o ex-chefe do FBI e agora celebridade Comey que quer que os eleitores classifiquem Trump em 2020. Esta conversa é boa com líderes de conselhos trabalhistas centrais que nunca lutaram pelo impeachment, apesar do advogado de Nixon, John Dean, chamar a crise atual de “Watergate com esteróides”. Candidatos democratas e todo o projeto dos democratas é agora, de forma transparente, a cooptação dos movimentos de autodefesa das massas!

As massas estão famintas por ação direta, mas isso é constantemente usado para pressões políticas limitadas e campanhas eleitorais. A esquerda “socialista” não pode contestar a liderança. Eles se recusam a lutar por um partido operário, enquanto perseguem ou gostam dos Democratas Socialistas da América (DSA), apoiam abertamente as políticas liberais do Partido Democrata e a burocracia trabalhista. Os piores deles, os socialistas Assad / Putin, também abandonam o programa marxista para a revolução socialista mundial, enquanto se empolgam com o brutal ditador sírio Assad e promovem teorias da conspiração síria que fariam Alex Jones corar. A falsa esquerda, portanto, perde qualquer credibilidade que já teve com os trabalhadores americanos e oprimidos e não conseguiu mobilizar nenhum número real deles nas ações “antiimperialistas” de abril, após o ataque de mísseis de Trump.

A luta revolucionária para derrotar o imperialismo americano no país e no exterior, o principal inimigo da classe trabalhadora internacional, também significa vincular as lutas operárias no Oriente Médio e em toda parte na luta pela revolução socialista mundial, não abandonando-as à burguesia compradora brutal. Quanto aos anarquistas, eles são muitíssimo mudos ao esmagar o estado enquanto se engajam em ações de rua “propaganda da ação”, mas não violentas, pensando que acabarão substituindo o Estado capitalista pela construção de assembleias democráticas e uma sociedade alternativa utópica dentro do país no atual sistema capitalista.

A liderança da classe está pronta para a disputa, como demonstrado nas ações lideradas pelos professores em estado de escravidão. Para derrotar a classe dominante e lutar pelo socialismo, temos que derrotar os falsos líderes da classe trabalhadora que continuam nos levando de volta ao Partido Democrata em nossos sindicatos e em nossos movimentos de massa. A luta pela independência política da classe trabalhadora é através da formação de comitês de lutas de classes classificadas nos sindicatos, desafiando a volta dos métodos de luta de classes.

O momento presente é uma rara oportunidade histórica para os trabalhadores organizarem seu próprio partido, ver corrupção e colossais perfídia pelo que é e ver que o que é necessário é uma luta de classes intransigente e a luta por um programa político socialista revolucionário. Entender as tarefas políticas de classe por ela mesma e lutar pelo futuro da humanidade.

O socialismo é a última, melhor e única esperança contra a ameaça pela guerra imperialista e pela destruição do clima!

Por um novo Partido Revolucionário internacional dos trabalhadores baseado no programa de transição de 1938 de Trotsky: o partido mundial da revolução socialista!

 

Marielle Presente! Anderson Presente!

O Grupo de Trabalhadores Revolucionários repudia o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, e presta toda solidariedade à família e amigos.

Marielle Franco era militante do PSOL, tinha um cargo parlamentar como vereadora na cidade do Rio de Janeiro, e sua militância era pautada na luta pelos direitos humanos e principalmente contra a violência policial contra os habitantes das favelas. Recentemente se posicionou contra a intervenção federal militar na segurança pública do Rio de Janeiro e no dia 14 de março foi executada a tiros no centro da cidade junto com seu motorista Anderson Gomes.

A execução de Marielle foi um ato fascista que reflete na atual situação não só do estado do Rio de Janeiro, mas também do Brasil, onde a atual situação de crise econômica, política e social do país tem levado a um fortalecimento das forças reacionarias, as quais na sua maioria são ligadas aos bandos fascistas da polícia e do exército. No Brasil, grupos paramilitares defendem os latifúndios, perseguem e executam trabalhadores rurais e povos indígenas, enquanto as milícias e o tráfico controlam as favelas e o povo negro e setores mais oprimidos da sociedade são os maiores atingidos pela violência e perseguição policial.

Portanto é necessário a formação de comitês de trabalhadores e movimentos sociais para organizar a luta, bem como comitês de autodefesa para nos defendermos. Por um comitê independente de investigação da morte de Marielle!

A luta contra a violência policial, o estado capitalista e o fascismo passa pela organização e luta independente da classe trabalhadora para que avancem na tomada do poder, na destruição das forças reacionárias e na construção do socialismo.

Não à Intervenção Federal no Rio de Janeiro!

No dia 16/2 o governo Temer anunciou uma Intervenção Federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro (RJ). O interventor nomeado, que ficará com plenos poderes, acima do governador do estado, secretaria de governo, comando das policias civil e militar, é um general do exército.

Obviamente a intervenção no RJ não ira “melhorar” ou “resolver” o problema da segurança pública, como diz a “justificativa” e principal argumento para defender a medida de intervenção. Assim como o impeachment de Dilma, a operação Lava-jato ou a Reforma da Previdência não melhoraria a vida dos trabalhadores ou acabaria com a corrupção. A crise global do capitalismo afeta cada vez mais o Brasil, e a burguesia e o imperialismo precisam atacar brutalmente a classe trabalhadora como única forma de “resolver” a crise.

Depois de 1 ano e 9 meses de governo, a instabilidade pela qual já passava o governo Dilma, só aumentou no governo de Temer. A lava-jato e as denúncias de corrupção continuou a atingir o novo governo. Os defensores da lava-jato e a mídia atacavam o Temer pela corrupção, mas defendia as medidas econômicas e de reformas. Acusavam que a corrupção no governo é que não deixavam elas serem aprovadas.

Durante as manobras para o impeachment de Dilma, Temer se comprometeu com a burguesia e o imperialismo na aplicação de algumas medidas e reformas, que foram documentadas no programa “Uma Ponte para o Futuro”(1). Deste programa, a principal medida era a Reforma da Previdência. Apesar de Temer ter avançado em algumas medidas prometidas à burguesia e o mercado financeiro, como a Lei do “Teto de Gastos” e Reforma Trabalhista, sua principal promessa para com a classe dominante não conseguiu ser implementada, a Reforma da Previdência.

Temer e seus aliados sabiam que a aprovação de reformas, especialmente da previdência, era fundamental para manter-se no poder. 2018, ano de eleição, chegou com a possibilidade cada vez menor do governo aprovar no congresso nacional uma medida tão impopular, com um governo extremamente fraco, um presidente com alto nível de rejeição, desemprego, estados da federação quebrados financeiramente e servidores públicos com salários atrasados, o deficit do governo federal chagando a níveis insuportáveis, saúde, educação e segurança pública em colapso e a expectativa do mais instável e imprevisível processo eleitoral desde a restauração da democracia no país.(2) Nessa situação que se dá a Intervenção Federal no RJ que nomeia um militar como interventor.

Essa foi a alternativa do governo Temer para acalmar a burguesia e o mercado financeiro, e se manter no poder. Para Temer, a aprovação da reforma da previdência era a maneira de mostrar que tem mínimas condições de governabilidade. A reforma da previdência é importante para burguesia, no Brasil representa uma das maiores forma de distribuição de renda, considerando que o país é um dos piores do mundo nesse quesito! Mas ela não é a solução para a crise capitalista e mesmo que ela fosse aprovada obviamente não seria a melhora das condições de vida do povo e o “combate aos privilégios” como dizia a propaganda do governo. Os ataques a classe que a burguesia e o imperialismo precisam implementar vão mais além e o governo Temer mostra não ser capaz de ser o aplicador desses ataques. Temer, após o anuncio do decreto de intervenção no RJ, chegou a dizer que anularia o decreto se o congresso fosse aprovar a reforma (pois o decreto proíbe durante sua vigência qualquer alteração na constituição, o que a reforma requer). Esse último suspiro do governo de tentar aprovação da reforma e mostrar governabilidade não durou 2 dias, e o projeto atual já foi retirado da pauta do congresso.

Vale lembrar que o estado do RJ é a “vanguarda” na crise econômica, política e social nos estados e no país. O RJ foi a base, a grande expressão da aliança entre PT e PMDB no governo federal. O PT “entregou” o estado para o PMDB, que governou nas últimas décadas, administrando e recebendo muito dinheiro público para grandes obras como portos e refinarias, as obras da copa e olimpíadas. Hoje é o estado onde mais a lava-jato está inserida. Os grandes políticos são acusados de corrupção e vários estão presos. O atual governo não paga salários de servidores, educação e saúde colapsando e o governo tentando aprovar medidas de austeridade e privatizações, o que colocou o RJ na vanguarda da crise econômica, política e social no país. Não foi segredo que se cogitou uma Intervenção Federal não só na Segurança Pública, mas no estado todo, e que não está descartada. Seria nessa Intervenção, um interventor militar também?

PT, Reformismo, Frente Popular e Constituição

As medidas “constitucionais” como a Intervenção Federal e o próprio impeachment de Dilma, mostram o caráter reacionário da democracia burguesa e sua Constituição. Constituição que a esquerda reformista e o PT levou os trabalhadores a acreditarem que seria a “democracia” e a “saída” para a classe trabalhadora após os 20 anos de regime militar vivido no Brasil. Se considerarmos a lógica de “golpe” e “continuação do golpe” adotada pelo PT e pela maior parte da esquerda, deveríamos considerar que o golpe começou com a reacionária constituição de 1988, refletindo nos “golpes” que levamos hoje e durante todo o período de democracia burguesa, incluindo o envio de militares para as favelas do RJ, a lei “antiterrorismo” e a ocupação no Haiti levadas a cabo pelos governos do PT.

A narrativa de golpe do PT e repetida por correntes de esquerda como PSOL e MRT é baseada no contrário, na defesa da democracia burguesa, através de um programa reformista de frente popular para “solucionar” a crise, isso é, “melhorar” ou “democratizar” o capitalismo. Essa narrativa e programa desarma a classe trabalhadora para a luta contra um verdadeiro golpe. Não se combate “ditadura” com “democracia” (burguesa). O capitalismo não pode resolver a crise sem fascismo e barbarismo. A intervenção no RJ e o avanço das medidas mais reacionárias, fortalecendo os setores da extrema direita que tempos já se mobiliza pela “intervenção militar já!”, mostra isso. A frente popular não é capaz de combater a extrema direita, pelo contrário, ela desmobiliza a classe trabalhadora e abre caminho para o fascismo. A única força capaz de combater a burguesia, o capitalismo e sua crise é a organização e luta independente da classe trabalhadora através dos seus métodos de luta como piquetes e a Greve Geral.

O PSOL, em nota pública (3), se posiciona contra a intervenção no RJ e diz que “chegou a hora de derrotar essa velha política do PMDB”, diz que Pezão não tem condições de governar e por isso exigem “a renúncia de Pezão e a antecipação das eleições para o governo do estado do RJ.”. No calendário “normal”, as eleições estão marcadas para outubro, e parece que por esse processo ser cada vez mais incerto e a discredibilidade do regime pelos trabalhadores ser cada vez maior, a própria burguesia já coloca em teste uma outra “saída”, como a intervenção no RJ parece mostrar. Se a renúncia do governador e novas eleições são a “saída”, seria necessário a organização e luta da classe para isso, o que o PSOL não diz ou defende. Pois Pezão já “renunciou” à segurança pública e corremos o risco dele “renunciar” o restante do estado para os interventores militares.

O PSOL é um partido reformista. Substitui a luta direta da classe trabalhadora pela disputa parlamentar no regime democrático burgues. Por isso, além de eleições antecipadas para governador e debate em que as medidas que propõem são todas no sentido de “melhorar” o capitalismo, não tem nenhuma proposta de organização de comitês de trabalhadores, comitês de autodefesa e de luta direta e independente.

O partido tem se colocado como o grande defensor da “democracia”, de uma “boa” política sem corrupção, direitos e soberania, tudo através da democracia burguesa. Defende o mesmo programa reformista com que o PT levou os trabalhadores a se iludirem, e com os mesmos métodos de frente popular, isto é de alianças com a burguesia, que o PT governou por mais de 13 anos. O PSOL compõe uma nova frente popular, intitulada “Unidade para Reconstruir o Brasil”, a qual fazem parte o PT, PCdoB e partidos burgueses como PDT e PSB. O PSOL se coloca como alternativa ao PT, mas não ao seu programa reformista e seus métodos de Frente Popular. Mesma proposta que tem a Frente Povo sem Medo e seu líder, Guilherme Boulos, através de seu programa VAMOS. A direção nacional do PSOL está fazendo acordos para que Boulos seja o candidato a presidência da república pelo partido.

O PSTU não lançou nota sobre a intervenção no RJ, mas em seu site está publicado um texto de Maria (4), presidente do partido, onde condena a intervenção e a considera mais um avanço da repressão que já vinha dos governo petistas. Diz ser necessário expropriação e estatização de empresas, não pagamento da dívida pública, etc, para garantir emprego e vida digna e diz que “A classe trabalhadora e o povo pobre precisam organizar sua autodefesa”. E continua: “é preciso que os policiais se unam aos trabalhadores e suas lutas. Esse é o caminho para garantir uma verdadeira segurança para todos e todas que trabalham.“. Vergonhosamente, diz que a saída para classe trabalhadora e o povo pobre é que nas suas organizações estejam as policias! Para esses falsos trotskistas, a policia não é mais o braço armado do estado burgues para defender a propriedade privada e reprimir a classe trabalhadora, mas agora são “vitimas”, que devem “repensar seu papel na sociedade” e estar nas organizações dos trabalhadores!

Se por um lado o PT com sua narrativa de golpe cria ilusões na democracia burguesa e desarma a classe trabalhadora para a luta contra um verdadeiro golpe, por outro o PSTU faz o mesmo quando justifica sua posição de não lutar contra o impeachment por não ter sido este um golpe de estado. E se fosse, apoiaria o PT e a frente popular? Não foi poucas as vezes que se escutou os militantes da esquerda dizerem que agora os golpes não são mais como antes (com tanques na rua e ditadura) ou que a burguesia não precisa mais de golpe militar para governar. O ultraesquerdismo do PSTU em muitos momentos serve à extrema direita.

O partido tem adotado há anos uma política bastante sectária nos processos eleitorais. Apesar de dizer defender uma “Frente de Esquerda”, alianças com o PSOL não tem sido concretizadas. O PSTU alega que é contra alianças com a burguesia e o programa do PSOL. Para nós, essa política sectária do PSTU é uma máscara para sua política oportunista nos sindicatos. O PSTU adota a política morenista que substitui a classe trabalhadora pela burocracia sindical. Justifica a divisão da esquerda nas eleições porque não faz alianças com a burguesia (o que dizem ser alianças “políticas”). Mas, no movimento sindical, o “carro-chefe” da política do PSTU é a “Unidade de Ação”, nome que dá para a frente popular que fazem nos sindicatos com a burocracia e setores diretamente ligados a burguesia. O PSTU, através da CSP Conlutas, tem mantido há anos uma “unidade” com a burocracia sindical e suas centrais como Força Sindical, CGTB, Nova Central, etc, que tem colocado a luta dos trabalhadores na mão da burocracia sindical, onde as decisões são tomadas com as cúpulas das centrais entre 4 paredes em detrimento da organização e luta pela base. Para o PSTU, alianças com a burguesia nos sindicatos não seria “política”. Bastante condizente com sua política economicista no sindicato que dirige dos metalúrgicos de São José dos Campos, onde mantém a luta isolada por fábricas por questões salariais e impede a unidade para a luta e elevação da pauta para questões políticas. A “unidade” na luta contra as reformas deixam para a burocracia das centrais sindicais e a luta “política” para as eleições! No movimento sindical fazem aliança com a burguesia e a burocracia porque dizem que essa unidade é temporária e não tem programa. E a discussão do programa eles deixam para “os tempos” de eleições!(Manifesto: PSTU convida o ativismo à rebelião e à construção de um projeto socialista). (5)

Os trabalhadores precisam avançar nas suas organizações de base e independente. Construir comitês de trabalhadores por locais de trabalho, comitês de autodefesa e construir uma verdadeira Frente única, que reunia não só as direções, mas também a base da classe, e derrotar os blocos burocrático e frentes populares que servem para travar a luta. Os trabalhadores nas suas greves e mobilizações devem elevar suas pautas, unificar com demais trabalhadores e com seus métodos de luta com piquetes e Greve geral derrotar a burguesia e o imperialismo. É preciso que os trabalhadores rompam com suas direções reformistas que desmoraliza e desmobiliza suas lutas!

Não à Intervenção Federal no RJ!

Por Comitês de autodefesa dos trabalhadores!

Por uma verdeira Frente Única, que organize os trabalhadores nacionalmente!

Por um partido revolucionário internacional dos trabalhadores!

Pela revolução Socialista e um verdadeiro governo dos trabalhadores!

(1) https://grupodetrabalhadoresrevolucionarios.wordpress.com/2015/12/29/nao-ao-impeachment-romper-com-a-frente-popular/

(2) https://grupodetrabalhadoresrevolucionarios.wordpress.com/2017/12/29/brasil-eleicoes-2018-romper-com-a-frente-popular-por-uma-alternativa-independente-e-revolucionaria/

(3) http://www.psol50.org.br/nota-do-psol-intervencao-nao-e-solucao-2/

(4) https://www.pstu.org.br/ze-maria-intervencao-militar-no-rio-vai-aumentar-violencia-contra-os-pobres/

(5) https://www.pstu.org.br/manifesto-pstu-convida-o-ativismo-rebeliao-e-construcao-de-um-projeto-socialista/

Pela Revolução Permanente no Irã, Oriente Médio e Norte da África!

Solidariedade com o levante iraniano!

(1) O novo levante no Irã é de importância histórico-mundial. Isso prova que as massas estão prontas e dispostas a lutar para derrubar o capitalismo em sua agonia. Os trabalhadores iranianos e os agricultores pobres se recusam a pagar pela crise terminal do capitalismo global com as suas vidas e os seus padrões de vida. Marxistas entendem que este levante está atrasado e só pode terminar em revolução socialista ou bárbara contra-revolução. Mas não estamos sozinhos nessa perspectiva histórica. Um homem iraniano, envelhecido 111 anos, fala de ter nascido no Irã (então Pérsia) na época nos primeiros passos para a revolução burguesa que ocorreu em 1906. Ele disse “Eu sabia que esse dia chegaria, eu fiquei vivo para ele”. Ele viveu toda a época do imperialismo no Irã durante a qual seu desenvolvimento nacional foi retido pela rivalidade das grandes potências, auxiliado por seus agentes burgueses nacionais, e a traiçoeira pequeno burguesia ‘democrática’ da esquerda, na disputa pelo controle da Eurásia como chave para dominar o mundo. 

 

(2) Quando Lenin escreveu “O imperialismo; A fase superior do capitalismo”em 1915, o lugar do Irã no capitalismo global já era de subordinação ao imperialismo. Lenin definiu imperialismo como um sistema em que os países imperialistas opressores dominam países coloniais oprimidos. No entanto, um punhado de países eram ‘transitórios’ os quais incluiu Pérsia, China e Turquia. Ele chamou esses países de semi-colônias :

 

” ..países que, formalmente, politicamente eram independentes, mas que são, na verdade, enredados na rede de dependência financeira e diplomática”.
Assim como a revolução russa provou a teoria / programa da Revolução Permanente ser correta, o fez o desenvolvimento futuro do Irã. A reforma constitucional de 1906 limitou os poderes do Shah mas não conseguiu escapar da “rede de dependência financeira e diplomática” sem se libertar da rivalidade imperialista britânica, alemã e russa para o controle do petróleo persa. A revolução nacional do Irã nunca foi concluída porque ela foi presa na garra do imperialismo na I Guerra mundial que tentava a redivisão do mundo em face do levante revolucionário internacional. O tratado russo-persa de 1921 protegia a revolução soviética de incursões do exército branco ao sul, enquanto garantia os direitos de transporte no Mar Cáspio para a Pérsia. Tal foi a re-divisão do mundo que eliminou o imperialismo russo da cena, substituindo-o pelo poder da União Soviética até o acordo de Stalin com o bloco anglo-americano durante a Segunda Guerra Mundial.

 

(3) o Irã aproveitou a redivisão pós Segunda Guerra Mundial e a onda de descolonização, mas como a maioria das colônias ficou aquém de completar a revolução nacional democrática (burguesa). Que sucedeu apenas na China, onde os capitalistas recusaram a oferta para compartilhar o poder com o maoísta PC chinês e fugiu para Taiwan, e tardiamente em Cuba onde os EUA se recusou a compartilhar o poder forçando os castristas ir para os braços da stalinista URSS. Em 1951 a Frente Nacional de Mossadegh, comprometida com a nacionalização do petróleo, ganhou uma maioria parlamentar e derrubou o poder absoluto da monarquia constitucional, mas não conseguiu percorrer todo o caminho para derrotar a burguesia nacional numa revolução socialista. O resultado foi um populista governo burguês anti-imperialista que nacionalizou a indústria do petróleo. Contudo, para o movimento popular dos trabalhadores e agricultores pobres faltava um revolucionário partido bolchevique-leninista capaz de romper a frente popular. Mossadegh tentou negociar com os imperialistas, enquanto eles impunham sanções na produção e comércio, bem como um bloqueio naval. Agentes americanos e britânicos criaram divisões entre os apoiadores de Mossadegh e em 1953 eles conspiraram para realizar um golpe para restaurar sua propriedade e controle de petróleo iraniano e para restaurar Reza Xá Pahlavi como monarca constitucional.

Inicialmente, a tentativa de golpe fracassou, com a Frente Nacional e o (Partido Comunista) Tudeh indo às ruas e o Xá fugindo para os EUA. Os EUA e a Grã-Bretanha planejou uma segunda tentativa. Desta vez o golpe sucedeu, principalmente porque Mossadegh desmobilizou seu apoio de massas e o partido stalinista Tudeh aquietou-se complacente pela frente popular aparentemente vitoriosa que incluiu seu movimento islâmico rival pressagiando o seu papel reacionário em 1979. Perdendo o apoio no parlamento, Mossadegh, em seguida, fizeram um referendo para dissolver o parlamento e tirar do Xá seus poderes remanescentes; um golpe constitucional da esquerda que o fez perder mais apoio. Prenunciando Allende no Chile em 1973, Mossadegh não mobilizou seus apoiadores nem os chamou recorrer às armas. Tudo o que era necessário então era neutralizar Tudeh, infiltrando provocadores no partido para provocar uma “insurreição comunista”, perdendo a Mossadegh mais apoio e, finalmente, instigando os oficiais pro-Xá sob o general Zahidi para prendê-lo e assumir o controle do governo.

 

(4) Resumimos nossa posição sobre a revolução anti-imperialista de 1979 e da contra-revolução pela burguesia islâmica do bazaar:

“A tragédia da revolução de 1979 mostrou que o Irã estava maduro para a revolução, mas não tinha uma direção revolucionária. Os operários e camponeses pobres foram a força por trás da revolução anti-Xá, mas foram conduzidos por liberais e stalinistas que aliados com a burguesia nacional islâmica que em 1981 tinha ligado os trabalhadores mais avançados e exterminados muitos milhares dos melhores militantes. O fracasso da revolução socialista pode ser claramente atribuído ao papel do partido stalinista Tudeh, que seguiu a fatalista linha stalinista de fazer uma revolução democrática em aliança com a burguesia ‘progressista’ para expulsar os imperialistas. Os stalinistas se recusam a aprender com a sua traição da revolução na China em 1927, quando seu ‘aliado” e membro honorário da Comintern, Chiang Kai Shek, cooptou o Partido Comunista e massacrou sua liderança.


Novamente, isto serve para demonstrar que a menos que os trabalhadores liderem os camponeses pobres à revolução, a burguesia nacional reacionária usará sua liderança na frente popular anti-imperialista para cooptar os trabalhadores e oprimidos e esmagar a revolução socialista. As lições de Outubro ainda não foram aprendidas. Os stalinistas, guevaristas, trotskistas renegados e Mudjadaheen (maoístas) depositam sua confiança na democracia burguesa, em vez dos revolucionários operários e camponeses pobres. Mais uma vez, os trabalhadores e os camponeses pobres se levantam, mas falta um partido marxista revolucionário e eles são derrotados pela burguesia reacionária, servindo direta ou indiretamente os interesses de uma ou outra potência imperialista.



(5) A República Islâmica e sua ditadura de quase 40 anos e a episódica resistência a ela, chega até sua situação atual como parte do bloco Rússia-China, indo para a guerra no Oriente Médio para repartição do Iraque ao Líbano. Ele está tentando resolver sua crise semi-colonial à custa das semi colônias menores e os povo trabalhador do Oriente Médio e do Irã. Pelo menos duas vezes até agora, após a negociação Astana e de Sochi, o mundo foi girado um conto de um acordo sírio. Tudo o que foi resolvido, a partir do ponto de vista dos governantes iranianos, é que a Síria vai ter que pagar pela intervenção em apoio à Assad! E enquanto isso, a política expansionista contínua introduzindo às massas iraquianas, sírias e iemenitas os “voluntários” da temida Guarda Revolucionária Iraniana. Estes não só reprimem e roubam tudo à vista em áreas “liberadas”, mas têm seus dedos em todo tipo de empreendimentos econômicos onde quer que estejam, tudo com a benção dos teocratas.

Como resultado (como um cartoon no Facebook coloca) o Irã está bombeando capital e  mercenários para o Iraque, Síria e Iêmen em um papel de subordinado à Rússia e a China, remendando suas pontes com a Turquia e Qatar, e matando de fome seus próprios trabalhadores e camponeses. Assim, os determinantes da revolta é uma história de desenvolvimento desigual e combinado semi-colonial em face a uma crise mundial que cria todas as condições objetivas para a revolução, mas que ainda não tem a condição subjetiva vital de um partido revolucionário bolchevique-leninista. Com apenas duas alternativas, em última análise, as massas iranianas devem encontrar o caminho para leninismo para ser capaz de realizar a sua revolução, porque a única outra alternativa é a pior reação que eles presenciaram até agora.

 

 Como a luta está se desenvolvendo e os dois blocos imperialistas 


(6) Lemos que noventa por cento dos iranianos estão se alimentando com o equivalente a cupões de alimentos, e que estes estão programados para serem cortados. Onde 27% do Produto Interno Bruto foi dedicado ao bem-estar social e um piso básico semelhante ao Bolsa  Família brasileiro,em 2008, um estudo do Banco Mundial agora mostra como isso foi “reformado” para baixo a 3% hoje. O desemprego dos jovens é enorme, a inflação de dois dígitos tornou-se um elemento permanente e o salário mínimo do governo é da ‘renda mínima necessária’ oficial para uma família de três membros. Esta condição prevalece como resultado dos custos de guerras dos teocratas que ocorrem durante uma crise global do capitalismo e, especialmente, desde que o Irã tem apoiado a contra-revolução de Assad com tanto sangue e dinheiro. Um aumento no investimento internacional deveria resultar em melhores condições de vida, assim como a reeleição de Rouhani, que a imprensa ocidental chama de “moderado”. Mas, enquanto os ganhos nas ações foram vendidos, nada melhorou nas ruas. No mês passado, os preços da gasolina dobrou. Onde Alemanha e Espanha foram os grandes investidores após os protestos de 2009 (pela fraude nos resultados das eleições), hoje o dinheiro inunda a partir da China : 

“A China está financiando bilhões de dólares em projetos chineses no Irã, fazendo incursões profundas na economia, enquanto concorrentes europeus lutam para encontrar bancos dispostos a financiar as suas ambições, disseram autoridades do governo e indústria iranianas… o financiamento chinês, de longe o maior declarante de intenções de investimento do que qualquer outro país no Irã, está em contraste gritante com a seca dos investidores ocidentais desde que o presidente dos EUA, Donald Trump rejeitou o pacto de 2015 acordado pelas grandes potências, aumentando a ameaça de que as sanções poderiam ser re-impostas.”


Autoridades iranianas dizem que as ofertas são parte de US $ 124 bilhões da Nova Rota da Seda, iniciativa de Pequim que visa construir nova infra-estrutura – de rodovias e ferrovias a portos e usinas de energia -entre a China e Europa para pavimentar o caminho para uma expansão do comércio”


As revolta das massas é geral e não restrita às grandes cidades. A alegação do governo feita pelo britânico “Guardian” de que as manifestações tenham acabado é espúria. A revolta combina demandas econômicas e políticas e apela à expulsão dos teocratas e o grande aiatolá Khamenei são chamadas em todo o país. Zamaneh mídia relata que o segundo semestre de 2017 viu um aumento de greves trabalhistas sobre o não pagamento de salários e demissões em massa. Os protestos não se limitam aos trabalhadores industriais, que sofreram o pior de tudo, mas se espalharam para todos os setores de trabalho assalariado. Zamaneh relata as repressões do estado atingem as minorias nacionais mais duramente, assim como os muitos curdos que são mineiros.


Nossa “esquerda” oriental nos assegura quer(a) não há classe de trabalhadora lá, ou (b) que este é apenas o último de uma série de trabalhos da CIA nas massas do Oriente Médio e Norte da África. Estamos aqui para dizer-lhe que existe uma ‘situação pré-revolucionária’ na linguagem do bolchevismo. Condenamos com antecedência qualquer tentativa de impingir uma frente popular sobre as massas iranianas. Eles estão justamente cansados com os líderes que lhes trazem nada além de guerras, pobreza e repressão anti-sindical. Quando uma vez perceberem que essas condições são lançadas sobre eles por uma classe social inimiga, eles também reconhecerão e rejeitarão quaisquer esquemas “a meio caminho”, sejam as frentes populares ou as Assembléias Constituintes, e o estado desse apoio.



(7) As frações reformistas da esquerda e os falsos trotskistas, necessariamente estão expostos e derrotados pela dialética. Se os protestos se  sustentarem e crescerem em uma revolução permanente através da formação de conselhos de trabalhadores, ocupando fábricas etc., e ele realmente começar a lutar pelo poder, podemos esperar que os pró-Assad corram para a defesa do regime, como fizeram na Síria. Estes falsos esquerdistas são tão fixados em sua visão de um mundo unipolar e cegos pelo seu oriental-chauvinismo que todos eles podem ver, sempre que um levante popular nas semi-colônias contra regimes capitalistas despóticos, é ação nefasta da CIA. A falsa esquerda, (na verdade, muito parecido com a Voice of America, que sugere que clérigos linha-dura estão por trás dos protestos!), acredita que o regime pode ser reformado / melhorado. Ou para esta “esquerda”, as próprias pessoas não são capazes de revolução – então elas devem ser as ferramentas de Wall Street. Assim, quando Trump enaltece a revolta, sem nenhum custo político para si mesmo ou sua marca, a falsa esquerda  vê um exército de espiões e provocadores agindo.


O regime lançou uma ofensiva para conter os protestos. Isso pode levá-los à obscuridade, como na Síria, onde milícias armadas surgiram para defender o levante da violenta repressão. Vai ser difícil (não impossível) para a falsa esquerda apresentar os protestos no Irã como trabalho da CIA e / ou radicais islâmicos. É claro que eles vão tentar dizer que é uma “revolução colorida”, ou seja, anti-corrupção, pró-capitalista, mas muitos não vão comprar isso por muito tempo. Eles não podem defender o regime na sua forma mais usual, alegando que o regime é secular e democrático, sendo totalmente apoiados por Erdogan e Putin (embora com cautela, os planos de Putin seja em manter uma aliança com o Irã, independentemente da sua liderança)! Naturalmente as massas iranianas têm pouco tempo para estes ocidentais pequeno-burguês. Colorir esta revolução de VERMELHO!

Chamamos os trabalhadores de todo o mundo a se engajar e participar de ações de trabalhadores em solidariedade com o levante iraniano!



(8) Seguindo o vigoroso patrocinador do governo, canal de notícias RT, declarou as revoltas terem acabado e “como qualquer  violento protesto”, inaceitável. Sombra de Marikana! A falsa esquerda deu ao CNA (Congresso Nacional Africano) um passe livre e nos últimos 6 anos eles têm dado indireto, se não suporte direto, à Assad. Este é o nexo do bloco SCO / BRICS (Organização de Cooperação de Xangai e o bloco  Brasil Rússia, Índia, China, África do Sul), que reunem-se ao emergente bloco imperialista da Rússia / China, com várias semi-colônias capitalistas tentando libertar-se ou permanecerem viáveis, livres do imperialismo norte-americano /União Européia. Assim, junto com aplausos do Fórum Social Mundial / LINKS assemblage, de Chávez presenteando Assad com a espada Bolivariana ao Irã apoiando Assad contra a revolução síria, as classes capitalistas semi-coloniais (Bolivariana, sul africanos e iranianos … ) agem para parar a onda de aspiração revolucionária do proletariado procurando fazer a revolução nacional democrática permanente- isto é, socialista. A esquerda stalinista, com LINKS, os castristas e os falsos trotskistas  do PSL e WWP, optaram por apoiar um bloco imperialista sobre o outro. Cem anos depois de Outubro e eles repetem a traição social-imperialista de agosto de 1914.


O determinante comum da atual onda de protestos é a austeridade devido à crise econômica global que está sendo imposto para as semi-colônias pelas potências imperialistas. Como em toda revolta desde a erupção na Tunísia no início da “Primavera Árabe”, vemos revoltas espontâneas descoordenados  não organizados por qualquer fração burguesa ou influência externa. No Irã, a culpa é dirigida ao regime, não as sanções, etc., daí slogans contrários à intervenção na Síria e Gaza representam um internacionalismo proletário, não uma conspiração da CIA. Isto é evidente na demanda do dirgente do sindicato de professores  que pede o fim do regime (ele foi preso pelo regime durante 5 anos, então não pode ser um fantoche da CIA). Assim, o regime é improvável que seja capaz de enterrar esse levante, tomando a linha que EUA / Israel etc., são os culpados. Daí a defesa do regime pela esquerda imperialista já é exposta como falência! 

 


Não desprezamos a nossa visão do que precisa ser feito, a saber: 


Por solidariedade internacional dos trabalhadores com as massas iranianas!

Por ações  e greves políticas dos trabalhadores para defender os sindicatos e trabalhadores iranianos!


Abaixo a repressão à mídia social! Retirar todas as acusações e libertar todos os manifestantes presos!

Pela Revolução Permanente no Irã! Acabar com o regime! Esmagar o Estado burguês / clerical!

Formar conselhos operários e milícias, dividir o exército, sem retorno do Xá, unir a revolução com a resistência na Síria e na Palestina!


Abaixo o imperialismo incluindo tanto o bloco dos EUA /UE e do SCO da Rússia e a China! Abaixo os  lacaios burgueses / clericais!

Apoio  internacional dos trabalhadores para reabertura da revolução iraniana juntando-se com a Revolução Árabe! 

Pelo direito de autodeterminação do povo curdo! Por um Curdistão socialista!

Por um partido leninista bolchevique que não ceda a liderança para stalinistas, maoístas, bolivarianos e guevaristas! 

Para um estado dos trabalhadores e camponeses pobres! 

Para uma federação de repúblicas socialistas do Oriente Médio e Norte da África! 


Por uma  nova, revolucionária Internacional dos Trabalhadores, baseada no método e Programa de Transição de Trotsky de 1938 : “Morte agonizante do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional”! 



Comitê de Ligação dos Comunistas 8 de fevereiro de 2018 

 



documentos do Comitê de Ligação dos Comunistas sobre o Irã: 

http://www.cwgusa.org/?p=1800 

http://redrave.blogspot.co.nz/2015/06/mena-yemen-and-arab -revolution.html 

http://www.cwgusa.org/?p=1049 

http://redrave.blogspot.co.nz/2012/02/defend-iran-against-imperialism-and-its.html 

http: / /redrave.blogspot.co.nz/2011/11/defend-iran-against-us-eu-and-israel.html 

http://redrave.blogspot.co.nz/2010/03/us-and-chinese- imperialismo-mãos-off.html

http://redrave.blogspot.co.nz/2009/06/iran-for-revolutionary-party.html 

http://redrave.blogspot.co.nz/2015/07/for-workers-socialist-federation-of .html


RCIT: 

https://www.thecommunists.net/worldwide/africa-and-middle-east/long-live-the-popular-uprising-in-iran/


Fontes: 

https://chinadigitaltimes.net/2018/ 01 / ministério de verdade-não-reporte-Irã-protestos / 

https://en.radiozamaneh.com/articles/spike-in-labor-protests-in-iran-is-changing-the-political-milieu/ 

http: //www.worldbank.org/en/country/iran/overview 

https://www.japantimes.co.jp/news/2017/12/01/asia-pacific/chinas-investments-iran-surge-coming-western -nations-solha / 

https://www.theguardian.com/world/2017/dec/30/iran-protests-trump-tweets

https://twitter.com/SMohyeddin/status/948505462596603904 

https://financialtribune.com/articles/domestic-economy/65339/iran-2nd-biggest-fdi-destination-in-mena

Original em http://www.cwgusa.org/?p=1967

Traduzido por GTR

Brasil eleições 2018: romper com a Frente Popular! Por uma alternativa independente e Revolucionária!

A eleição presidencial de 2018 no Brasil se encaminha para acontecer num período de maior instabilidade no pais, desde a redemocratização na década de 80.

A crise global do capitalismo de queda da taxa de lucros que estourou em 2008 e tem provocado grande instabilidade no mundo todo, não poupou o Brasil. Em 2011 a crise atingiu forte o país e nos anos de 2015 e 2016 o Brasil teve a maior recessão da sua história. Dilma e o PT se reelegeram em 2014 negando a existência da crise e prometendo que o país “voltaria a crescer”. A queda do PIB, a inflação alta e desemprego, o aumento da miséria e as denúncias de corrupção, cada vez aumentava mais a insatisfação dos trabalhadores e povo pobre. A burguesia e a mídia que também não mencionam a profunda crise capitalista mundial partiu para uma ofensiva contra o PT, tendo a principal arma a operação Lava-Jato, dizendo que o problema da crise no país era o PT e a corrupção.  Com uma manobra parlamentar, apoiada e orquestrada pelos aliados do PT no governo, especialmente o PMDB do atual presidente Michel Temer, levou ao impeachment de Dilma.

Porém, a crise, a corrupção e a ofensiva da lava-jato não parou no PT. Após a caída de Dilma, a burguesia que governou em aliança com o PT nos 14 anos de governo e manobraram para derruba-la, agora se veem também alvos da Lava-jato. Mesmo o PSDB, que não fez parte dos governos Lula/Dilma, é o maior partido de direita na oposição ao PT e que antes do PT esteve no poder por 8 anos, é atingido. Todos aqueles que governaram o país nas últimas décadas estão sob a mira da lava-Jato.

Apesar da crise política, com momentos em que seu governo parecia estar chegando ao fim como o da divulgação do áudio da conversa entre Temer e o dono da JBS escancarando de vez o envolvimento do presidente na corrupção, Temer tem conseguido aprovar reformas, como a trabalhista, medidas de austeridade como a PEC do teto de gastos, a Reforma do Ensino Médio e realizar leilões de petróleo do pré-sal. Porém, a Reforma da Previdência, a principal proposta do programa “Uma ponte para o Futuro” onde esclarecia suas ações como presidente com o impeachment de Dilma, está sendo muito difícil de ser levada a cabo pelo atual governo. Temer também tem mantido a política “progressista” do Lula/PT, de aproximação do imperialismo russo e chinês e os BRICS. Ha alguns meses visitou a China e voltou “impressionado” no interesse do país em investir no Brasil. Temer agora se propõem a “reconstrução” da Síria, colocando o Brasil no suporte ao ditador Assad que massacra o povo sírio e tenta acabar com a revolução.

A mídia e a burguesia que apoiam a lava-jato e atacam o governo, dizem que a continuidade da crise política e da corrupção é o que impossibilita o governo aprovar as medidas econômicas, as quais eles apoiam. Eles não são contra as medidas econômicas que o governo quer implantar, especialmente a Reforma da previdência, que é considerada o grande vilão do déficit das contas públicas. Mas acham que o governo Temer não é capaz de aprova-las. O PSDB, que em sua conferencia no inicio de dezembro decidiu por deixar o governo, fez questão de assumir seu compromisso com a Reforma da Previdência.

Diante da maior crise econômica e instabilidade politica e das instituições brasileiras é que já se discute o processo eleitoral que escolherá novo presidente e congresso nacional em outubro de 2018. PT e PSDB que alternadamente estiveram no poder nos últimos 23 anos, e PMDB que fez parte de todos os governos desde a redemocratização estão em crise, desgastados com as denúncias de corrupção, as medidas de austeridade que aplicam e com baixíssima popularidade. A burguesia está dividida. Pequenos partidos tentam se apresentar como alternativa, muitos são partidos fisiologistas, legendas de aluguel e aventureiros, mas também os ideológicos de extrema direita veem uma possibilidade de ascensão, além dos intervencionistas que pedem uma ditadura militar.

Na reeleição de Dilma, o PT negava a crise e prometia a “volta do crescimento”. Agora, diz que a crise foi causada pelo atual governo e promete a volta dos investimentos e crescimento econômico se Lula for eleito em 2018. Lula, durante as caravanas que tem realizado pelo país nos últimos meses, mantém seu discurso de que seu governo foi o que “mais fez pelos trabalhadores”, que seu governo “investia”, que é necessário “fazer o Brasil crescer de novo” e que por esses feitos ele é hoje perseguido pela mídia e a Lava-Jato.

Muitos trabalhadores têm esperança que com a volta de Lula à presidência do Brasil as condições anteriores à crise possam voltar, isso é: os “investimentos” e créditos fartos. Mas sabemos que isso não é possível. A retirada de direitos, os ataques as condições de vida da classe trabalhadora são a única saída para a burguesia e o imperialismo. O que poderia acontecer com um eventual novo governo de FP que terá que aprovar medidas de ataque a classe trabalhadora, que desgastaram Dilma e agora Michel Temer?

Porém, a candidatura de Lula é uma das grandes, de muitas, incógnitas para as eleições de 2018. Lula está ameaçado pela Lava-jato, que promete condena-lo impossibilitando sua candidatura. O que pode acontecer se Lula for impedido de disputar as eleições?

O PSDB elegeu o atual governador de SP, Geraldo Alckmin, como presidente do partido e tudo se encaminha para ele ser o candidato da legenda o ano que vem, com um partido dividido e bastante desgastado. Porém uma candidatura forte, que terá muito dinheiro. Alckmin tem se mantido até agora livre dos processos de corrupção e com certeza o candidato de maior estabilidade para a burguesia.

Nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018, aparece em segundo lugar, atrás de Lula, o candidato da extrema direita, Bolsonaro. Deputado federal pelo PSC, é conhecido por suas declarações extremistas e de defesa da ditadura militar. Porém, está agora deixando o atual partido e com dificuldades de fechar acordo com os partidos que tem discutido para filiar-se. Todos estes partidos “nanicos”.

Mas além da tradicional direita e a esquerda reformista, no debate eleitoral para “uma saída para o Brasil”, setores reacionários aparecem dizendo-se ter a melhor “saída”, como a declaração, meses atrás, de um oficial do exército dizendo que em caso de “caos” os militares devem “agir”.

O PT é o maior partido de esquerda do país, foi construído nas lutas operarias contra a ditadura militar na década de 80 e gerou grandes expectativas em toda classe trabalhadora brasileira. A aliança do PT com a burguesia e um governo de FP que governou para a burguesia, grandes bancos e empresas e o imperialismo, mostram que não devemos depositar nossas esperanças nas eleições burguesas. Nessas eleições os trabalhadores precisam de uma alternativa à Frente Popular(FP). É necessário ficar contra alianças do PT com a burguesia, esse é o principal motivo da traição do PT com a os trabalhadores. Para o PT estar de fato do lado dos trabalhadores é preciso romper com a burguesia. Porém, o PT nunca deixou suas alianças com a classe dominante e nada indica que as deixará nas eleições de 2018. Pelo contrário, está cada vez mais ligado a burguesia, especialmente a “golpista” que tenta se defender da lava-jato. Na caravana que Lula fez pelo nordeste brasileiro, levou ao palanque figuras ligadas ao “coronel” de alagoas, Renan Calheiros (PMDB), conhecido oligarca corrupto, que esteve no governo PT e é, também, acusado e investigado pela Lava-Jato. Lula também declarou publicamente que é possível o PT fazer alianças com os partidos que defenderam o impeachment de Dilma.

PSOL e PSTU, os maiores partidos da esquerda que fizeram oposição ao governo de FP do PT, dizem que é necessária uma alternativa de esquerda ao PT nas eleições. Todos dizem defender uma “Frente de Esquerda” nas eleições. O PSOL defende uma candidatura como “alternativa” a Lula/PT e já está discutindo nomes para concorrer. Porém, as maiores correntes do PSOL não são contra aliança com a burguesia e muitos casos já ocorreram em eleições passadas e ocorrem no movimento dos trabalhadores e estudantes, como a aliança do PSOL com o Partido pátria Livre (PPL) nas eleições para a prefeitura de Porto Alegre em 2016. O PSTU nas últimas eleições tem negado a frente de Esquerda e lançado candidaturas próprias, mas no movimento sindical faz alianças através de blocos burocráticos com a burocracia sindical ligadas a partido burgueses como o PDT, Solidariedade, PPL, etc. De fato, seja pela via oportunista ou sectária, PSOL e PSTU propõem uma alternativa ao PT, mas não uma alternativa à Frente Popular.

No setor de trabalhadores da iniciativa privada, especialmente o metalúrgico, os trabalhadores estão blindados pelo PT/CUT e as burocracias sindical, com a ajuda do PSOL/PSTU, através da “Frente Brasil Metalúrgico”. Assim como PSTU/PSOL sustentam o bloco burocrático com a burocracia sindical no movimento dos trabalhadores contra a reforma trabalhista e da previdência, sustentam a mesma burocracia na organização dos metalúrgicos. Nas fábricas do sindicato de São José dos Campos (SJC), controlado pelo PSTU, operários de várias fábricas fizeram movimento e entraram em greve. A direção do sindicato manteve todas as greves isoladas por fábrica, com pautas economicistas e deixou a tão proclamada “unidade” e “luta contra Temer e as reformas” para o Bloco que tem com as burocracias e os “Dia Nacional de Mobilização”. Recentemente, provou-se mais uma vez que desviar a luta para blocos burocráticos com a burocracia sindical serve para desmobilizar e desmoralizar a luta dos trabalhadores além de ser uma traição, quando a CUT e demais centrais burocráticas desmarcaram a Greve geral do dia 5/12, que havia sido acordada entre elas mesmas, contra a Reforma da Previdência. O mesmo já havia ocorrido na Greve Geral do dia 30/6, que foi boicotada pela maioria das centrais, inclusive a CUT.

Outro setor da esquerda que é bastante numeroso e tem grande influência é o MTST, e o seu líder Guilherme Boulos, e os setores a sua volta. Inclusive a maior corrente do PSOL impediu que o congresso do partido no início de dezembro decidisse o candidato à presidência, porque quer convencer o líder dos trabalhadores sem-teto a ser o candidato pelo partido. O MTST é o maior movimento por moradia do país. A ocupação “Povo sem Medo” em São Bernardo do Campo (SBC), um grande terreno ocupado por algumas centenas de pessoas em setembro, em uma semana já teria 8 mil famílias! A ocupação Povo sem Medo de SBC é um exemplo de como essa é uma grande expressão da crise social que vivemos. Qual a saída para o movimento sem teto?

A principal política dos governos PT para a moradia foi o programa Minha Casa Minha Vida. Esse programa fazia parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que incluindo outros setores da economia, baseava-se no financiamento público de obras de grandes empreiteiras, através de PPP e concessões.  As grandes empreiteiras da construção civil nunca ganharam tanto dinheiro. São as mesmas que ganharam muito nos contratos com a Petrobras e nos carteis que negociavam com o governo, hoje denunciados na Lava-Jato. O boom da venda de commodities e a grande entrada de receita possibilitaram o PT a aplicar as políticas neoliberais no país com algumas concessões. Para o MTST e o seu líder Guilherme Boulos, exigir do governo o Minha Casa Minha Vida é a solução para a questão da moradia e as mais de 8 mil famílias em SBC e os milhões de sem teto no Brasil. Guilherme Boulos, em várias ocasiões, tem aparecido nos palanques com Lula e o PT. É também o impulsionador da Plataforma VAMOS, que reúne várias correntes e militantes para discussão de um “projeto para o Brasil” que promete combater o fascismo com democracia (burguesa) e melhorar o capitalismo.

O Brasil tem nas grandes cidades milhões de desempregados, sem tetos, os trabalhadores perdendo direitos e condições de vida. No interior e pequenas cidades a indignação do povo pobre é cada vez maior com uma condição de vida insuportável, não é difícil escutarmos de revoltas que colocam fogo em prefeituras e perseguem políticos. No campo, uma verdadeira guerra civil, latifundiários e seus bandos paramilitares dizimam populações indígenas e massacram os trabalhadores rurais e pequenos agricultores. Recentemente, no oeste baiano, o povo de uma cidade invadiu uma fazenda e destruiu todo o sistema hidráulico e elétrico para a irrigação, que deixava o rio sem água para abastecimento da população. O fim dos serviços públicos como uma das principais medidas do governo para diminuir os gastos tem atingido fortemente os servidores públicos municipais, estaduais e federal, e gerado vários movimentos de greve pelo país.

Em outubro passado, vimos a esquerda fazendo eventos para comemorar os 100 anos da Revolução Russa. As incertezas e instabilidades que permeiam o debate sobre as eleições de 2018 deveria trazer à tona debates como os dos 100 anos da revolução russa, a necessidade da revolução brasileira e do partido bolchevique para uma resposta independente e revolucionária dos trabalhadores a essa crise. Não é o que está ocorrendo, os exemplos e ensinamentos da Revolução Russa tem ficado para os “dias de festa”. Pelo contrário, a esquerda “revolucionaria” diz que não é possível a revolução socialista no Brasil.

O capitalismo não pode resolver a crise sem fascismo e barbarismo.  A Frente Popular não é capaz de combater o fascismo. Pelo contrário, ela cria ilusões na democracia burguesa, desmobiliza e desmoraliza os trabalhadores e abre caminho para o fascismo.

Os trabalhadores precisam romper com a burocracia que dirige os sindicatos e centrais sindicais. Os trabalhadores que tem feito grandes movimentos e greves nos últimos anos precisam avançar para formação de Comitês de trabalhadores e oprimidos que possam tomar em suas mãos o rumo do próprio movimento e da greve, retomando seus tradicionais métodos de luta como os piquetes e greve geral. Para não acontecer como por exemplo na greve dos professores do Rio grande do Sul (RS) que há anos a direção do sindicato mantem os trabalhadores em greve longe do local de trabalho, impedindo e/ou desestimulando os piquetes nas portas das escolas. Isso aconteceu na greve de 94 dias desse ano e mesmo na de 2016, no momento em que os estudantes, em verdadeira frente única, ocupavam as escolas! Ou o que tem acontecido na mobilização e construção da Greve Geral, em que as cúpulas das centrais sindicais decidem por realizar a greve geral em reuniões entre quatro paredes da mesma forma que a desmarca!

O MTST e seus líderes precisam romper com a burocracia e a burguesia. Avançar na construção de comitês de trabalhadores e povo oprimido e autodefesa organizada para combater a burguesia e o imperialismo.

Por um Congresso de Trabalhadores eleitos em comitês de base para discutir e decidir os rumos da luta!

Por um partido revolucionário que organize a vanguarda dos trabalhadores!

Por um governo de Comitês de Trabalhadores!

Nas eleições de 2018, apoio para que os comitês de trabalhadores lancem seus candidatos como tribunos contra a Frente Popular!

 

 

 

 

 

 

 

Síria: Romper o cerco de Ghouta!

O encontro contra revolucionário em Sochi, na Rússia. A troika russa com o Irã e a Turquia se reúne em Sochi para fazer o próximo movimento no Grande Jogo. Como sustentar Assad, acabar com ISIS e al Nusra (HTS) e remover todas as ameaças ‘terroristas’ para a divisão dos despojos de petróleo. A “Democrática” oposição burguesa síria se compromete com a contra-revolução na esperança de tomar a sua parte dos despojos de Assad. Os curdos no SDF controlado pelos EUA, quer se juntar ao exército nacional sírio em troca de um ‘autonomo’ Curdistão sírio. A revolução está sendo lentamente estrangulada enquanto Assad, apoiado por suas hordas de mercenários estrangeiros e seus equipamentos militares, aperta o cerco sobre as cidades controladas pelos rebeldes para forçá-los a recuar. O alívio de East Ghouta em Damasco tornou-se um ponto central para a sobrevivência da revolução, e um teste decisivo de revolucionários em todos os lugares. Isso prova pelo menos duas coisas. Primeiro, que o capitalismo em sua crise terminal sofre resistência por movimentos populares. Em segundo lugar, precisamos de um partido revolucionário internacionalista com um programa que mostre as lições da história e oriente os trabalhadores do mundo para uma revolução socialista mundial.

Uma revolução a meio caminho está perdida

Nós advertimos no início do levante na Síria em 2011 que essa era a vanguarda da Revolução Árabe, e que seu fracasso seria grande revés não só para a revolução na região, mas para revolução mundial. A reabertura da Revolução Árabe foi o resultado direto da crise global de queda dos lucros sendo descarregado sobre os ombros das semi-colônias. A extensão generalizada da resistência da Tunísia para o Bahrein, e a forma que tomou, armado ou não, tornou-se a pedra de toque da revolução.

À medida que as insurgências populares foram da Tunísia ao Egito e para o Levante, a Revolução Síria tornou-se a líder da revolução árabe. Ela teve o apoio das massas palestinas, mas não das lideranças liquidacionistas da OLP e Hamas cuja política nacionalista burguesa trai a revolução palestina para um ‘dual-estado’ compartilhado com o estado sionista. Ela compartilhou as reivindicações democráticas básicas da luta palestina, contra a ditadura e ocupação, contra a interferência externa, o direito de resistência pacífica, e sem sectarismo. Ela rapidamente ultrapassou a liderança da Revolução árabe dos palestinos quando a reação extrema de Assad contra os protestos levou-a se armar para defender sua sobrevivência.

Saudamos a revolta popular na Tunísia após o suicídio de Mohamed Bouazizi, e defendemos os rebeldes na Líbia contra Gaddafi. Defendemos Gaddafi contra o bombardeio da OTAN. Mas também dissemos que a guerra de Gaddafi contra o imperialismo é falsa quando ele estava ocupado matando rebeldes para provar a sua utilidade ao imperialismo. É por isso que demos apoio militar aos rebeldes. É verdade que os rebeldes estavam comprometidos com a intervenção da OTAN, mas, na realidade, os rebeldes estavam pela mais básica “democracia” burguesa, suprimida tanto pelo imperialismo como por Gaddafi. A maior parte da esquerda ocidental defendeu Gaddafi contra a OTAN e afirmou que os ‘rebeldes’ eram realmente fascistas islâmicos e / ou agentes da CIA.

Hoje, o resultado da guerra civil contra Gaddafi não está resolvido porque ele foi isolado pelo fracasso das revoluções em outros estados do Oriente Médio e Norte da África (OMNA)e preso por lutas internas entre às frações burguesas rivais manobrando entre dois grandes blocos imperialistas – EUA / NATO, e a Rússia / China. As revoltas populares na Tunísia e no Egito também foram travadas no meio do caminho pela democracia burguesa. A ‘transição democrática’ na Tunísia deixa a situação que viu Mohamed Bouazizi se matar, inalterada. No Egito, o general Al Sisi manteve a facção burguesa militar no poder.

No Egito, a sobrevivência do regime militar era previsível, dado que os protestos populares nunca tornaram a ocupação da Praça Tahrir em frente única dos trabalhadores construindo conselhos e milícias. Nem eles tentaram dividir a base do exército de seu alto comando, ou se preparar para uma greve geral revolucionária. Os socialistas internacionalistas deram um voto crítico para Morsi. E quando Sisi derrubou Morsi, a maioria dos grupos ‘trotskistas’ chamaram uma Assembléia Constituinte burguesa contra o regime militar como o caminho a ser seguido.

A situação era diferente na Síria

Em março de 2011, Assad começou a reprimir violentamente as manifestações pacíficas e o movimento foi forçado a armar-se para sobreviver. O simples fato de que os protestos pacíficos em massa não poderem ser suprimidos, estimulou Assad à repressão ainda mais cruel. Isto levou a muitos dos seus oficiais e soldados a um espontâneo motim e a juntarem-se a revolução. Claro, isso ainda era uma reivindicação “democrática” (ou seja, a revolução democrática burguesa), mas agora havia escalado para uma guerra civil armada. Por ‘guerra civil’ entende-se a guerra entre as duas classes principais, a burguesia e o proletariado, e seus vários aliados, dentro e fora do país, e não apenas uma guerra travada entre as diferentes frações da burguesia nacional.

O destino da revolução síria é, portanto, um teste crítico do marxismo e sua liderança da revolução mundial contra todas as forças da contra-revolução. As lições da história, em particular a de 1917, prova:

(1) Primeiro: que a revolução democrático-burguesa não pode ser concluída pela burguesia. O sistema imperialista em crise precisa suprimir os direitos básicos dos trabalhadores quando estes lutam contra a crise do capitalismo de queda da taxa de lucros. Assim, os interesses de classe da burguesia nacional são amarrados ao imperialismo como seu agente para garantir a super-exploração das massas.

(2) Segundo: podemos provar que de 1917 em diante, os trabalhadores e os povos oprimidos estão dispostos e capazes de lutar espontaneamente contra opressão. Podemos provar que, mesmo para defender os básicos direitos democráticos, os trabalhadores e oprimidos devem lutar como uma classe independente contra o imperialismo e seus agentes. Os trabalhadores, liderando o povo oprimido, deve levar essa luta até a revolução socialista vitoriosa, ou sofrer a contra-revolução fascista, ou seja, a derrota e destruição da única classe histórica capaz de derrubar a classe capitalista e salvar a humanidade e o planeta.

(3) Em terceiro lugar: podemos provar que as crises e resistência espontânea à classe capitalista são pré-condições necessárias para a revolução, mas elas não são suficientes. Necessário e suficiente é o partido revolucionário de vanguarda com um programa que incorpora as lições históricas da revolução e aplica-os na luta. Este partido poderá provar aos trabalhadores que a revolução socialista é a única maneira de sair do impasse de um capitalismo agonizante, e assim convencê-los a aderir à revolução.

Revolução permanente

Como é que a revolução síria demonstra essas lições históricas mais uma vez? Em primeiro lugar, o regime nacionalista burguês de Assad vai até o final para destruir a revolução. Ele criou a oposição armada e estava perdendo a guerra civil até que ele foi forçado a chamar a intervenção direta maciça da Rússia, Irã e Turquia durante 2016. Hoje, as milícias de Assad consistem principalmente de mercenários estrangeiros organizados pelo Irã, enquanto a Rússia fornece o apoio aéreo. Essas invasões e ocupações têm empurrado para trás a revolução em enclaves sitiados, como Idlib e Ghouta nos quais a sobrevivência da revolução está em perigo.

Em segundo lugar, como já observado, a revolução síria é uma revolta popular. Sabemos disso por causa de sua composição trabalhador / camponês / pequeno comerciante, e o sucesso das milícias armadas nos anos de 2011 até dezembro 2016, quando a queda de Aleppo marcou uma grande derrota para a revolução.

Esta derrota foi facilitada por muitos dos elementos pequeno-burgueses que romperam com a revolução para vender seus serviços a qualquer um de uma série de potências imperialistas e regionais, cuja influência sobre Assad abriu oportunidades para outras frações burguesas a disputar a divisão dos despojos da Síria e do OMNA como um todo.

Como a FSA se dividiu em várias facções, alguns fazendo as pazes com Assad ou Erdogan, as milícias que permanecem firmemente na luta contra Assad estão enfrentando probabilidades quase insuperáveis lutando em pelo menos 3 frentes.

Primeira frente: contra os dois blocos imperialistas rivais na Síria – os EUA / NATO / Israel, e o bloco Rússia / China, que agora inclui as duas principais potências regionais, a Turquia e o Irã.

Segunda frente: contra as facções burguesas islâmicas do EI (Estado Islamico) e AQ, e as frações burguesas curdas, que fazem bloco com Assad contra a revolução. Para fazer isso, os revolucionários têm que pedir um fim ao sectarismo, o reconhecimento do direito sírio à autodeterminação nacional, e pelas liberdades religiosas.

Terceira frente: as milícias que ainda estão lutando contra Assad e recusam fazer acordos em Genebra e Sochi para esculpir a Síria como um ‘protetorado’, os revolucionários devem formar blocos militares onde eles podem lutar como uma frente única armada contra Assad, enquanto, ao mesmo tempo construir conselhos e milícias dos trabalhadores a ser organizados democraticamente para que o programa para a revolução permanente seja levantado e debatido. 

Como romper o cerco de Ghouta

Ghouta é um teste que separa o melhor do pior da autoproclamada esquerda revolucionária. Argumentamos que o pior da esquerda falhou tristemente no teste. Ela demonstra como não quebrar o cerco de Ghouta. Temos escrito longamente sobre a falha da ‘esquerda’ ocidental  para apoiar a Revolução Árabe, a não ser como revolução democrático-burguesa . A situação não mudou em termos gerais, porque a revolução não foi derrotada. Mas a situação é crítica e a revolução será derrotada se não tiver o apoio internacional necessário para vencer a guerra civil.

(1) Socialistas imperialistas

O pior da esquerda opera no piloto automático e voa por números. Eles são jacobinos porque eles acham que a última revolução séria foi a Revolução Francesa. Para eles, a revolução árabe está tentando recuperar o atraso, com a Revolução Francesa. Assad é um jacobino, porque ele luta para defender a república ‘democrática’ da Síria contra o “fascismo islâmico”, “terrorismo feudal”, ou contra a CIA. Os estimados 400.000 mortos por Assad desde 2011 e os 400.000 civis encurralados em Ghouta são ‘reféns’ usados pelos rebeldes islâmicos, e por isso são conseqüências justificável da guerra civil. Pelo o seu serviço aos imperialistas que estão matando civis a cada dia na Síria, nós chamamos esses fakers, socialistas imperialistas.

(2) Socialistas burgueses

Socialistas burgueses não apoiam Assad como um ‘progressista’, o veem corretamente como um ditador servil ao imperialismo. A revolução síria é progressiva, mas apenas se conduzir trabalhadores e camponeses a restituírem a burguesia para completar a revolução burguesa. Isto significa suporte somente para uma oposição ‘democrática’, e quando isso não existe ou é dominado por ‘fascistas’  islâmicos, os únicos revolucionários que qualificam como democrático são democratas seculares  (Workers Voice). Em outras palavras, a revolução não existe e não pode ser apoiada, a menos que cumpra um projeto idealista imposto pelos ‘democratas pequeno-burgueses’ dos estados opressores. O fim do cerco de Ghouta é algo que deve cair do céu socialista (ou a ONU) porque a esquerda não tem ideia do que fazer além de pregar a ‘democracia burguesa’ contra ‘fascismo islâmico’.

(3) Bolcheviques leninistas (comunistas revolucionários)

Bolcheviques-leninistas condenam a traição da falsa esquerda por liquidar a Revolução síria. A nossa tradição é a que tenta manter a Revolução Russa viva hoje. Insistimos sobre as três pré-condições para a revolução acima referidas: em primeiro lugar, objetivamente a burguesia não tem saída que não seja a destruição da civilização; segundo, objetivamente o proletariado e seus aliados estão prontos e dispostos a lutar pela democracia burguesa; e terceiro, o que está faltando é o fator necessário e suficiente ‘subjetivo’ – um partido de vanguarda internacional e um programa que é capaz de fazer avançar a luta diretamente para a revolução socialista.

O Partido Bolchevique-Leninista é fundado na teoria/programa da Revolução Permanente que constitui a base do Programa de Transição de Trotsky. Na Revolução árabe, e em Ghouta hoje, a frente única anti-imperialista apela a todas as forças anti-imperialistas para lutar contra o imperialismo e seus agentes. Este é um bloco militar o que significa que temos de lutar ao lado daqueles que não compartilham nossa política, incluindo EI e HTS na Síria quando eles estão lutando contra o imperialismo e/ou Assad e não contra a própria revolução. Fazendo isso, erguemos o programa da revolução permanente para explicar por que a luta anti-imperialista deve necessariamente levar a uma ruptura com a burguesia nacional e todos aqueles que lhe dão cobertura pela esquerda, como os socialistas imperialistas e burgueses – ‘Revolução Permanente!

 

 

 

 

 

 

Artigo extraído de Class Struggle 123, periódico do Grupo de Trabalhadores Comunistas- Aotearoa/Nova Zelândia. http://redrave.blogspot.com.br/2017/12/class-struggle-123-summer-201718.html

 

Traduzido por GTR-Brasil