Por uma Revolução Iraniana dos trabalhadores!

Por uma revolução dos trabalhadores iranianos!

Liberdade para Karim Siyahi! Liberdade para todos os grevistas presos! Reconstruir a shura!

Construir apoio para a onda de greve iraniana! Professores, caminhoneiros, metalúrgicos, agricultores, trabalhadores de cana-de-açúcar unam-se!

Faça sua greve geral!

Por uma ação política independente dos trabalhadores para a revolução permanente!

EUA fora do Oriente Médio! Não às sanções imperialistas contra o Irã!

Fora as imperialistas Rússia e China do Oriente Médio e Norte da África!

Nenhum apoio aos regimes capitalistas no Oriente Médio e Norte da África!

O trabalhador da base metalúrgico, Karim Siyahi, foi preso por um discurso que ele fez em uma manifestação dos trabalhadores metalúrgicos de Awaaz, em dezembro. Dezenas de milhares de trabalhadores estão enfrentando o regime em ondas de greves de base econômica que apresentam um desafio político ao regime: slogans por Pão, Emprego, Liberdade e Construção de Conselhos (shura) estão se tornando comuns, enquanto os trabalhadores desafiam a falta de direitos democráticos. Os grevistas são espancados e detidos, sua luta pelos direitos econômicos e democráticos se cruza, confrontando as contradições obscurantistas do regime. Esta é a lógica da Revolução Permanente: só a classe trabalhadora pode completar a revolução democrática na era do imperialismo e só pode completá-la através de uma revolução socialista ininterrupta.

O uso de recursos estatais para apoiar o regime iraquiano e sírio é como os mullahs se posicionam contra a revolução socialista mundial em nome do “antiimperialismo”. Trabalhadores e camponeses são instruídos a pagar o preço da crise capitalista e pelas guerras que os teocratas precisam para manter seu poder na região e para esmagar a revolução síria e a luta de autodeterminação curda. E enquanto o regime manipula com o tirano turco para entregar Idlib para Assad, eles jogam para se tornarem membros da aliança China / Rússia, a Organização de Cooperação de Xangai (SCO), mesmo quando o bloco desliza impotente para a colisão militar com o bloco liderado pelos EUA. Rússia e China são potências imperialistas. O antiimperialismo dos Mullahs é falso, assim como todo o apoio “socialista” daqueles (Bolívia, Venezuela, Cuba, etc.) que pertencem a este bloco das imperialistas Rússia e China. Para evitar a terceira guerra mundial, é preciso acabar com a ditadura da classe capitalista. “Não há planeta B!”

NENHUMA ALIANÇA COM OS ANIMAIS FASCISTAS DE TRUMP DO MEK!

Muitos níveis de revolta estão ameaçando o regime teocrático, incluindo todos os seus absurdos e crueldades. As repressões não sufocaram o movimento. Lembramos como um organizador do Sindicato dos Pintores morreu na prisão acusado de se organizar contra o Estado; ele morreu por falta de solidariedade internacional … então levantamos nossa voz em solidariedade aos grevistas das Metalúrgicas e Canaviais e ficamos com as mulheres se revoltando contra a polícia cultural do regime de Khamenei que parecem imitar seus inimigos monarquistas em Riad. Estamos com a Revolução Síria e todas as forças do Irã exigindo a retirada das forças iranianas e das milícias “voluntárias” da Síria. Estamos com a revolução iraniana que já sabe que a traição da revolução de 1979 não é o desenvolvimento final da história e que os autocratas religiosos devem seguir o caminho de todos os tiranos. Os sindicalistas e os combatentes socialistas devem saber que os revolucionários nos EUA, assim como os da África, América do Sul e Pacífico, estão lado a lado com eles.

Cuidado com o culto MEK (Povo Mujahedin do Irã) que hoje em dia é o brinquedo de Trump, Pompeo, Bolton e Giuliani. Sua trajetória histórica é uma advertência contra a acomodação ao obscurantismo islâmico e ao imperialismo!

Os trabalhadores metalúrgicos acertam quando dizem que os ladrões no parlamento estão livres enquanto os trabalhadores estão na prisão…

Pessoas no trem do metrô de Teerã são vistas no YouTube reagindo a uma jovem que não tem hijab. Nós estamos com você, como o homem que veio em sua defesa declarando: “vocês com seu hijab compulsório arruinaram este país nos últimos 40 anos!” Apesar da celebração do hijab em desfiles de moda e exposições de arte internacionais, a lei de obrigatoriedade do uso do hijab são patriarcais e uma expressão da opressão das mulheres. Com o aumento das greves dos trabalhadores, as mulheres expressarão sua libertação dos símbolos da opressão patriarcal. Para que o movimento operário seja bem-sucedido, ele deve abraçar, defender e lutar ao lado de todos os oprimidos.

Permita que os iranianos saibam que rejeitamos e denunciamos as ações dos agentes de Trump e também os falsos socialistas do PSL (Partido para o Socialismo e Libertação dos EUA) que atribuem sua revolução ao trabalho da CIA. Esperamos que muitos de seus semelhantes cheguem agitando bandeiras cor-de-rosa em nome do movimento de paz dos EUA, à la Code Pink, e façam uma causa comum com o governo de Khamenei. Ao mesmo tempo, lembramos aqueles que defenderam o Xá como um secularista e “modernizador”. Eles apoiam a intervenção iraniana na Síria hoje como uma “intervenção antiimperialista”, assim como toda uma série de grupos de “esquerda” parceiros de Putin nos EUA faz.

Vitória para a Revolução Iraniana!

Por uma nova Internacional dos Trabalhadores, o Partido Mundial da Revolução Socialista, baseado no Programa de Transição de 1938 de Trotsky!

Por um Irã socialista como parte de uma Federação Socialista do Oriente Médio e Norte da África!


Veja:

https://www.allianceofmesocialists.org/new-wave-of-strikes-protests-in-iran-need-solidarity-from-international-socialists-and-progressives/

https://en.wikipedia.org/wiki/2018–2019_Iranian_general_strikes_and_protests

https://www.theguardian.com/news/2018/nov/09/mek-iran-revolution-regime-trump-rajavi

http://www.iransolidarity.org/press.html

http://libcom.org/blog/iran-workers-strikes-continue

http://libcom.org/blog/workers-strikes-iran-time-it-different-02012019

http://flti-ci.org/ingles/international_network/2018/diciembre/metalug-iran-presos.html

http://flti-ci.org/ingles/iran/2018/diciembre/llamamiento-iran.html

https://www.liberationnews.org/what-to-make-of-irans-demonstrations/

https://en.wikipedia.org/wiki/2017–2019_Iranian_protests

https://workers-iran.org/iaswi-statement-on-the-new-wave-of-mass-protests-in-iran/

https://iww.org.uk/news/iranian-striking-workers-imprisoned/

https://workers-iran.org/iran-over-40-steel-workers-in-custody-after-two-days-of-security-forces-raids/

https://socialistfight.com/?s=iran

 

Originalmente publicado por Grupo de Trabalhadores Comunistas (EUA) http://www.cwgusa.org/?p=2233

Traduzido por Grupo de Trabalhadores Revolucionários- GTR Brasil

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Recuperando Marx aos 200 anos

1 – “Eu não sou Marxista”

Um famoso homem já morto nos indulta voltando do túmulo em seu aniversário de 200 anos para assombração de celebridades. Por quê? Deveríamos ficar impressionados quando o interesse por Marx está em ascensão entre acadêmicos, estudantes e jornalistas? Não apenas na imprensa burguesa liberal, como o The Guardian, ou no The Daily Blog, em inúmeros jornais de “esquerda”, como Jacobinos, mas também nas faculdades americanas, onde o Manifesto Comunista é o livro mais lido em bibliotecas universitárias. Não apenas isso, o Partido Comunista Chinês (PCC) realizou uma celebração oficial e financiou uma estátua de Marx erguida em Trier, na Alemanha, sua cidade natal, perturbando alguns dos habitantes locais.
No entanto, se Marx estivesse vivo hoje, não duvido que ele reagiria como o fez pouco antes de sua morte em 1883. Assim Marx costumava dizer, comentando os “marxistas” franceses do final dos anos 1870: “Tudo o que sei é que não sou marxista.” Essa recusa foi a última das muitas vezes em que Marx castigou vários autoproclamados “marxistas” por deturparem suas ideias em suas tentativas de “melhorar” ou “atualizá-las”. Vamos ver porque Marx achou isso necessário. Mas para fazer isso, precisamos recuperar Marx dos ladrões de túmulos.
Qualquer avaliação de Marx não pode ser deixada para a ideia superficial de que “Marx estava certo” sem definir o que significa ser “certo”. Significa saber como ele usou o método científico para entender o capitalismo e como ele aplicou esse conhecimento em um programa para o comunismo revolucionário. Sua disputa com os “marxistas” franceses em 1883 foi sobre sua demanda prática por aumentos salariais, sem deixar claro que a luta por salários mais altos deve levar à derrubada do próprio sistema de salários. A luta de classes não se tratava de se ajustar à exploração capitalista, mas desenvolver a consciência de classe necessária para derrubar o capitalismo e chegar ao comunismo. Mas como decidimos quem estava certo sobre esta e outras questões?
Para saber quem era e está certo hoje, a avaliação de Marx, 200 anos depois de seu nascimento, precisa ser baseada em quão bem suas ideias foram testadas na prática e provadas corretas ou não, em vez das ideias de autoproclamados “marxistas”, não importa o quão bem-intencionados. Aqui não estou lidando com anticomunistas, hostis ao marxismo. Podemos deixar a aversão à Marx de pessoas como Ana Stankovic para cozinhar em seu próprio suco.
Devemos também fazer referência passageira ao presidente Xi Jinping, cuja celebração de Marx é grotescamente contradita pela restauração do capitalismo na China e a ascensão rápida como a segunda maior economia do mundo e principal rival do imperialismo dos EUA. Tais caricaturas flagrantes do marxismo são tão grotescas que já se dirigiram para a lata de lixo da história.
Mais perigosa é a esquerda social / liberal que presta seus respeitos ao trabalho da vida de Marx apenas para desarmá-lo e inocular os trabalhadores contra sua mensagem revolucionária. Mas os mais perigosos são os autoproclamados marxistas de todas as sombras, estalinistas, maoístas e falsos trotskistas, que arrastam seu nome na lama, tornando-o um comum liberal. Como decidimos entre Marx e anti-Marx? Um exemplo: o blog Anticapitalista faz um bom trabalho em desconstruir a Introdução de Yanis Varoufakis a uma nova edição do Manifesto Comunista que cobre Marx com um leve elogio enquanto tenta enterrá-lo – Yanis para Karl, com amor.

Marxismo vs pseudo marxismo
Marx considerava-se um cientista cujas ideias críticas tinham que ser postas em prática pela luta de classes para testá-las e desenvolvê-las. Foi a luta de classes que provaria que ele, e não seus rivais e oponentes políticos, estava certo ou errado. Lembre-se da 11ª tese das Teses de Feuerbach: “Os filósofos tem somente interpretado o mundo… o ponto, no entanto, é mudá-lo”.
A teoria crítica do capitalismo de Marx era de uma forma historicamente limitada de sociedade baseada na exploração do trabalho que mais cedo ou mais tarde esgotaria seu potencial para desenvolver as forças de produção (usando o trabalho para aumentar a produtividade), visto que elas estavam em contradição com as relações sociais de produção (propriedade capitalista dos meios de produção). Isso acabaria destruindo as forças de produção, inclusive jogando a força de trabalho para fora do trabalho e necessitando de uma revolução proletária para derrubar o capitalismo e substituí-lo pelo socialismo.
Para ativar sua teoria, um programa de ação era necessário para representar e promover os interesses do proletariado. O Manifesto Comunista de 1848 foi o resultado. Aqui Marx e Engels descreveram a derrubada do governo burguês pelo proletariado revolucionário que abriria o caminho para o comunismo. Marx e Engels viram o Partido Comunista não como substituto do proletariado, mas como parte do proletariado, incorporando o programa e separado dos outros partidos dos trabalhadores apenas pelo seu programa de promoção dos interesses históricos e internacionais do proletariado.
O primeiro grande teste do programa de Marx veio em 1871 com a Comuna de Paris, quando o povo trabalhador de Paris se levantou contra o governo burguês depois da derrota do imperador Louis Bonaparte (sobrinho-neto de Napoleão) pelos prussianos. Já nessa época Marx estava convencido de que o proletariado sucedeu a burguesia como a classe revolucionária. O fracasso das tentativas das classes burguesas de 1848 de fazer sua revolução “francesa” contra seus “regimes antigos” desmoronou em acordos embaraçosos com as classes dominantes feudais.
Essa derrota por parte da burguesia europeia deixou o proletariado com a responsabilidade de completar a tarefa de desenvolver as forças de produção em nome do socialismo. Pela primeira vez, Marx falou de “a revolução permanente”, significando que o proletariado tinha que pisar no palco da história e assumir a tarefa da burguesia reacionária de completar a revolução burguesa e criar as condições para o socialismo. Mas como fazer isso: reforma ou revolução? Foi a Comuna de Paris de 1871 que colocou o programa marxista e os vários programas reformistas à prova com uma sangrenta vingança da classe dominante.
As lições da Comuna eram claras. Primeiro, refutando os reformistas, era prova de que o estado burguês tinha de ser derrubado pela força armada proletária ou destruiria fisicamente com toda a oposição da classe trabalhadora. Segundo, refutando os anarquistas, a derrubada do estado burguês tem que ser substituída por um Estado operário armado para defender a revolução. O programa marxista foi modificado à luz dessas lições, mas a derrota da Comuna inaugurou um período de reação capitalista. A primeira internacional entrou em colapso após amargas lutas internas com Bukharin e os anarquistas. E Marx teve que lutar contra a retirada dos “marxistas” de volta ao reformismo, mais notavelmente em Gotha, na Alemanha, em 1875.
A “Crítica do Programa de Gotha”, de Marx, foi um ataque furioso contra àqueles que seguiram a “falsificação” de Lassalle do Manifesto Comunista. Mas foi em grande parte fútil e o partido marxista só foi revivido quando a Segunda Internacional foi fundada em 1889. Engels levou adiante a defesa do programa até sua morte em 1895. Então a tarefa de defender e desenvolver o programa tornou-se da próxima geração de marxistas – em particular, Kautsky, Lenin, Luxemburgo e Trotsky para nomear os mais importantes. Podemos julgar se Marx teria desautorizado ou aceitado esses novos líderes como dignos do marxismo real, começando com sua posição sobre as lições da Comuna, e então o que eles fizeram para aplicar a teoria e a prática do marxismo no século XX.

2 – Marxismo depois de Marx
Para Marx, mesmo a melhor teoria, sem que o Partido a testasse na luta de classes, era um dogma sem valor. A fusão de teoria e prática exige um programa que é testado pelo Partido Comunista na luta de classes. Em sua vida, as revoluções de 1848 e a Comuna de Paris de 1871 foram os testes práticos mais importantes que produziram lições exigindo revisões do programa. Em 1850, o proletariado havia sucedido a burguesia, agora reacionária, como a classe revolucionária. A revolução burguesa só poderia avançar pela revolução proletária – a revolução permanente.
A Comuna colocou isso em teste. Sua derrota fortaleceu a contrarrevolução burguesa e o impacto do reformismo no movimento operário. Ela provou que o estado burguês tem que ser esmagado e substituído por um Estado operário. O fracasso em aprender essas lições frustrou Marx e sua Crítica do Programa de Gotha em 1875 foi uma declaração de seu marxismo contra aqueles que o revisaram ao sucumbir às reformas burguesas.
Sua declaração feita alguns meses antes de sua morte em 1883, de que se os reformistas se consideravam marxistas, então ele “não era marxista”, não deixa dúvidas quanto ao seu marxismo até o fim. Seu amigo e colaborador político, Engels, continuou a luta para defender o marxismo de Marx de todos os lados na luta para mantê-lo vivo em face das tendências oportunistas e reformistas na Segunda Internacional.
Engels, amigo e colaborador
Após a morte de Marx, Engels, seu colaborador ao longo da vida continuou a luta para resolver esta crise. Ele foi fiel ao marxismo de Marx, completando e publicando três dos volumes inacabados do Capital (Vols 2,3 e Teorias do Excedente de Valor), nos quais Marx havia desenvolvido os fundamentos de sua teoria científica para que pudessem ser compreendidos e aplicados na prática para desenvolver o programa comunista. A importância de publicar esses três volumes foi que eles demonstraram o método de Marx de mudar do abstrato para o concreto.
A partir da análise do Vol 1. que foi “abstraída” da luta por salários, preços e lucros etc; Marx, no Vol 2, mostrou como a produção de valor está subjacente à luta pela distribuição de valor entre Trabalho e Capital; e para no Vol 3 mostrar como as crises que apareceram na superfície da sociedade capitalista como “caos” instável, foram determinadas pela lei da tendência de queda da taxa de lucro (LTPRF). A principal contribuição de Engel foi, portanto, mostrar como a queda dos lucros e não a queda dos salários explicavam o “caos” do capitalismo. Isso não apenas mostrou que as demandas salariais dos trabalhadores não causam crises, mas expuseram o fato de que o capital não podia explorar os trabalhadores suficientemente para evitar crises recorrentes.
Portanto, os trabalhadores tinham que entender Marx para reconhecer que as crises capitalistas não poderiam ser superadas; o próprio capitalismo tinha que ser derrubado. Sua determinação em tornar o marxismo compreensível para os trabalhadores comuns o viu minimizado como “popularizador” de Marx. No entanto, o próprio Marx teria feito o mesmo se tivesse vivido, como demonstrou seu orgulho pela recepção do volume 1 serializado na edição francesa, tornando-o acessível aos trabalhadores.
Para ilustrar esse ponto, após sua crítica ao Programa de Gotha, Marx e Engels intervieram no debate contra Herr Duhring, um acadêmico menor que lançou um programa socialista reformista, atacando Marx entre outros. O livro de Engels, Anti-Duhring, foi serializado em 1877/78 como uma resposta a esse ataque. Ele explode a “pseudo-ciência” de Duhring como “absurdo sublime”. Marx contribuiu com o capítulo “From the Critical History”, no qual ele desbanca seu oponente como um “plagiador ignorante”.
O panfleto de Engels, Socialismo: Utópico e Científico, publicado em 1880, foi uma reescrita de algumas seções do Anti-Duhring “adequadas para propaganda popular imediata”. Marx aprovou claramente esses esforços conjuntos desde que escreveu a Introdução à Edição Francesa, elogiando-a como “… uma introdução ao socialismo científico”. Ele se mostrou muito popular, vendendo 20 mil das quatro edições alemãs, apesar de ter sido banido pela Lei Anti-Socialista, e foi traduzido para 10 idiomas.
Depois da morte de Marx, Engels continuou a intervir como a autoridade na obra de Marx nos debates que ocorreram na Segunda Internacional. Primeiro, seu Postscript para uma nova edição da Guerra Civil na França, de Marx (1891) reafirmou as lições da Comuna. Em segundo lugar, seu “Prefácio” à primeira publicação da Crítica do Programa de Gotha (1891) visava à liderança do Partido Social-Democrata Alemão que tentava suprimir a publicação da Crítica de Marx porque expunha sua ruptura com o marxismo. Terceiro, o trabalho de Engels popularizou e defendeu o Capital Vol. 3 para explicar as crises, o imperialismo, o colonialismo, os “trabalhadores burgueses” e as raízes materiais do “chauvinismo social” na Segunda Internacional.
Quando Engels publicou o Vol 3 em 1894, ficou claro que o imperialismo na década de 1880 era o resultado de crises causadas pela Tendencia de Queda da Taxa de Lucro (LTRPF sigla inglês) forçando a exportação de capital para restaurar lucros. Isso explicava os super-lucros extraídos das colônias que elevavam os padrões de vida da classe trabalhadora, criando uma aristocracia trabalhista privilegiada formada por “trabalhadores burgueses”, como Engels os chamava.
Os super-lucros coloniais explicaram as raízes materiais da burocracia operária e da social democracia- a expressão política de uma camada de trabalhadores relativamente privilegiados nos sindicatos e no parlamento. Lênin rotulou a aristocracia operária como “social chauvinista” e “social imperialista”, promovendo “o socialismo parlamentar em casa e o imperialismo no exterior”. Claramente, foram os super-lucros coloniais que pagaram pela “democracia” nos países imperialistas.
Essas intervenções foram para estabelecer as bases para a próxima geração de marxistas, cuja tarefa era, na verdade, escrever os três últimos volumes planejados de Marx – em O Estado, Comércio Exterior e Mercado Mundial e Crises – que representavam a expansão desigual e cheia de crises do capitalismo mundial. Eles explicam porque a 2ª Internacional degenerou em oportunismo depois de Gotha e evoluiu para um partido reformista com um programa burguês. Esse oportunismo era estabelecer o terreno para o que seria a segunda crise do marxismo, a traição do proletariado pela maioria da liderança da Segunda Internacional em 4 de agosto de 1914.
Amor marxismo, amor leninismo
Após a morte de Engels, em 1895, a tarefa de manter o marxismo vivo caiu para a geração seguinte, nascida no final do século XIX – notadamente Lenin, Trotsky e Luxemburgo. Para fazer isso, eles tiveram que desenvolver a teoria marxista como um guia para a luta de classes na nova época do imperialismo, reconhecida por Marx e Engels. O marxismo só pode viver quando é testado como um programa de ação por um partido marxista imerso nas lutas do dia. Então, aqueles que assumiram a liderança do movimento de Marx e Engels devem ser avaliados como líderes capazes dessa tarefa.
Como mencionado acima, precisamos primeiro avaliar sua concordância com Marx e Engels sobre os principais desafios para o marxismo em seu tempo – a Comuna e o Programa de Gotha. Lenin, Trotsky e Luxemburgo tomaram uma posição marxista sobre essas questões e condenaram a posição antimarxista de Kautsky e outros que se opunham à tomada de armas pelos comunistas para derrubar o regime francês, em favor de compromissos parlamentares. No entanto, é notável que sua crítica de Kautsky não se tornou urgente até a traição de choque da 2ª Internacional em 1914.
Isto provou sem dúvida que até mesmo os marxistas mais revolucionários foram surpreendidos pelo poder da burocracia trabalhista dos países imperialistas que se aliaram às suas próprias classes dominantes, convocando os trabalhadores a pagar pela guerra e dando suas vidas lutando contra trabalhadores. Em sua defesa, os três líderes estavam exilados na Europa, nos EUA, ou na cadeia, e isolados das seções européias da Internacional.
A morte de Marx criara a primeira crise do marxismo; a traição da 2ª Internacional foi uma segunda crise que quase reivindicou a vida do próprio marxismo. Juntar-se à classe exploradora para matar outros trabalhadores foi uma rejeição total do marxismo. Estava colocando o chauvinismo nacional burguês à frente da solidariedade internacional da classe trabalhadora. Foi a junção de todas as lições aprendidas na história das lutas de classe, que declararam ao mundo que o proletariado e a burguesia não têm nada em comum. Não poderia haver argumento para justificar a guerra no interesse da burguesia. Havia apenas um curso aberto para salvar o marxismo e esse era declarar a 2ª Internacional morta e começar a tarefa de construir uma nova.
A Esquerda de Zimmerwald
Aqueles na esquerda anti-guerra da Internacional se encontraram em Zimmerwald. A maioria se opôs à guerra, mas adotou uma linha subjetiva e pacifista para votar contra os males da guerra enquanto votava para pagar por ela, no Reichstag. Eram agora reformistas que haviam sucumbido ao social imperialismo- a visão de que o imperialismo no exterior poderia ser reformado pelo socialismo parlamentar em casa. A minoria, a Esquerda de Zimmerwald, em torno de Lenin, Luxemburgo e Liebknecht, argumentou para transformar a guerra imperialista em guerra de classes, na qual os trabalhadores se recusariam a lutar entre si e a entregar suas armas à sua própria classe dominante. A 2ª Internacional foi declarada morta e o compromisso de construir uma nova terceira internacional foi feito pelos emigrantes russos do Partido Social Democrata Russo. Todos concordaram que a traição da social-democracia resultou da criação de aristocracias trabalhistas (“trabalhadores burgueses” de Engels) comprados pelos super-lucros coloniais para promover o chauvinismo social em casa em apoio à guerra imperialista. O que fazer?
Os “três L’s” exigiram que os trabalhadores se revoltassem e organizassem revoltas armadas contra as classes dominantes em todos os países imperialistas. Trotsky não achava que os trabalhadores estivessem prontos para a insurreição armada e pediu que os trabalhadores se recusassem a lutar por suas classes dominantes. Eles discordavam em outros aspectos do marxismo também. Luxemburgo e Trotsky, de posições à direita e à esquerda, rejeitaram o Partido Bolchevique como substituto do proletariado.
Trotsky, à direita, viu a divisão entre bolcheviques e mencheviques como desnecessária. Ele era conhecido como “conciliacionista” por defender um partido unido. No entanto, ao mesmo tempo Trotsky concordava com Lenin ao rejeitar a teoria menchevique de dois estágios, de que a revolução burguesa tinha que ser completada por uma aliança de classes com a burguesia, antes que a revolução socialista fosse possível na Rússia. Ambos concordavam com Marx, que desde 1850 a burguesia era agora uma classe reacionária. Portanto, a revolução burguesa contra o czar teria de ser liderada pelo proletariado como classe revolucionária, atraindo todas as outras classes oprimidas (camponeses pobres, etc.) e completada como a revolução socialista, ou seja, a revolução ininterrupta ou permanente.
Luxemburgo, à esquerda, se opôs ao centralismo democrático bolchevique como substituto da consciência revolucionária espontânea das massas. Mas à direita, no entanto, sua teoria subconsumista da crise capitalista ignorou a lei de Marx de “a tendência de queda da taxa de lucro” (LTRPF) no capital Vol 3. Desde então, para ela, a queda dos lucros foi causada pelo subconsumo devido aos baixos salários e a luta espontânea por salários mais altos traria a consciência de classe revolucionária e a derrubada do capitalismo.
Portanto, na questão central do Partido, ambos, à sua maneira, adotaram visões unilaterais do centralismo democrático contra a posição dialética de Lenin, que via o partido como a vanguarda revolucionária que liderava a revolução. Para ele, o Partido era o fator subjetivo na revolução, não a consciência espontânea de “sindicato” – uma barreira à consciência revolucionária que deve ser superada pelo Partido. Nem o Partido pode estar unido em torno de um amplo programa que represente uma marcha objetiva e inevitável, da reforma à revolução, sem que o subjetivo partido de vanguarda intervenha para assinalar os avanços e as retiradas.
Só quando a revolução russa provou que estavam errados Trotsky e Luxemburgo chegaram à posição de Lênin. Trotsky juntou-se a Lenine em julho de 1917 e tornou-se um dos principais líderes da revolução russa. Luxemburgo retirou sua objeção ao partido do tipo bolchevique e tardiamente formou o Partido Espartaquista, mas foi traída pela social-democracia em 1919 e assassinada por bandidos fascistas, interrompendo a vida de uma verdadeira revolucionária e contribuindo para a derrota da Revolução Alemã.
As revoluções de outubro na Rússia e na Alemanha
Lênin, como o líder revolucionário marxista, avançou o marxismo, contra todos os seus camaradas retrógrados (Trotsky como conciliador; Luxemburgo como espontâneo e subconsumista) e hostis inimigos de classe (social-democracia), reafirmando suas premissas, relendo Hegel, reafirmando o método dialético e a aplicação da teoria do capital vol 2 e 3 para analisar as condições “concretas” na Rússia (ele leu Marx em Sismondi para expor o programa pequeno-burguês dos narodniks). Ele desenvolveu a teoria da crise do Vol 3 para explicar o estado da economia mundial embutida no imperialismo e na guerra (Imperialismo: o estágio mais alto do capitalismo); o papel reacionário da social-democracia e do centrismo vacilante de Kautsky (Renegado Kautsky, etc.); o caráter de classe do Estado (Estado e Revolução); e APLICOU-O a um programa de transição posto em prática pelo democrático-centralista Partido Bolchevique.
Lênin incorporou Marx porque fundiu teoria e prática no partido democrático centralista no qual a realidade objetiva e subjetiva estava unida na prática. Ele usou o método dialético de Marx para derrotar os objetivistas e subjetivistas cujo papel era confiar em velhas fórmulas idealistas em vez da “arte” da revolução. Ele derrotou os objetivistas que trataram o proletariado como um participante passivo em vez de ativo na revolução. Naturalmente, os pequenos-burgueses substituíam o proletariado na decisão de quando os trabalhadores estariam prontos para a revolução. Lenin também denunciou os subjetivistas (anarquistas e comunistas de esquerda) que argumentam que a consciência espontânea de classe proletária seria suficiente para fazer a revolução, e que o centralismo democrático deveria necessariamente levar o Partido a substituir a democracia operária e abrir o caminho para a contra-revolução.
Segue-se que sem Lenin na liderança de um partido centralista democrático não teria havido revolução socialista na Rússia. Ela teria colapsado em objetivismo ou subjetivismo; nem o marxismo teria sobrevivido como uma força política viva. Em fevereiro de 1917, a liderança bolchevique estava ligada ao velho dogma de Plekhanov etc., que a Rússia deveria ter uma revolução burguesa para preparar as condições para o socialismo. Isto foi baseado em uma aplicação doutrinária do slogan de Marx de que o capitalismo não pode ser derrubado até que tenha completado sua tarefa histórica e não seja mais capaz de se desenvolver as forças produtivas. No entanto, depois de 1850, Marx disse que a burguesia não era mais a classe historicamente revolucionária e teria que ser derrubada pelo proletariado como a nova classe revolucionária. Então, se as pré-condições para o socialismo ainda tivessem que ser criadas, isso só poderia ser feito pelo proletariado.
Quando se tratava das condições concretas na Rússia, esse dogma estava claramente fora de sintonia com a realidade. A burguesia não era forte o suficiente para derrubar o czar e completar a revolução burguesa. Foram as mulheres trabalhadoras têxteis que iniciaram as greves em fevereiro que levaram à derrubada do czar. Somente os trabalhadores industriais, combinados com os camponeses e soldados pobres, poderiam avançar a revolução derrubando o capitalismo. Lênin desafiou a liderança doutrinária, indo às massas bolcheviques e convencendo-os de que uma revolução socialista era necessária para completar a revolução burguesa, mesmo na Rússia atrasada. Na Rússia de 1917, o mesmo erro que viu a burguesia alemã unir forças com os junkers feudais em 1848, teve que ser evitado a todo custo. Assim como Marx em 1850, Lenin estava afirmando a validade da revolução permanente como a única maneira de levar a revolução burguesa ao socialismo em um movimento contínuo.
A revolução permanente também foi testada pelo fracasso da revolução alemã. O primeiro levante em 1919 fracassou porque o SPD menchevique formou um governo com a “democrática”, “progressista”, mas ainda belicista, burguesia. Então, em 1921, o Partido Comunista (KPD) participou de um golpe prematuro que foi facilmente suprimido. Em 1923, uma situação revolucionária havia retornado. O KPD estava mais bem preparado, mas sua liderança vacilou e não conseguiu dimensionar a situação ou se preparar para a insurreição a tempo, e o momento foi perdido. Não conseguindo fazer a revolução, a responsabilidade pela ascensão do fascismo na Alemanha coube então à liderança do KPD, principalmente porque não aprendeu as lições da revolução bolchevique e construir um partido forte, centralista- democrático a tempo.

Oposição de esquerda e Quarta Internacional
Com o fracasso da revolução alemã, a condição mais importante para o sucesso da revolução russa desapareceu. A industrialização da União Soviética foi um retrocesso pelo atraso e pela devastação da guerra tanto na indústria quanto na agricultura. Os bolcheviques tinham que manter a revolução viva em um país isolado e subdesenvolvido sem apoio internacional. A única saída era lutar por um plano democrático-centralizado para que a indústria e a agricultura desenvolvessem as forças produtivas e sobrevivessem até que as revoluções tivessem sucesso na Europa ou na Ásia. Para os bolcheviques nunca houve a possibilidade de o socialismo ser construído em um só país.
Após a morte de Lênin em 1924, a batalha para reivindicar seu legado foi a chave para a luta de vida e morte entre a crescente burocratização do partido e aparato estatal sob Stalin que atraiu a pequena burguesia e a burguesia sobrevivente, e a Oposição de Esquerda de Trotsky, que insistia no controle democrático dos sovietes e do regime partidário pelos trabalhadores como pré-condições para planejar a produção na indústria e na agricultura, permitindo que as forças produtivas crescessem, reduzindo o tempo de trabalho necessário e fazendo a construção do socialismo possível.
O registro dos bolcheviques-leninistas de 1923 a 1933 era de uma luta de vida e morte para desafiar os regimes stalinistas que rompiam com o leninismo ao subordinar a revolução mundial às frentes populares com a burguesia em torno de um programa menchevique de “vias nacionais” para o socialismo em defesa do “socialismo em um só país.” Desde a traição final da Revolução Alemã em 1923 até a Revolução Chinesa, em 1924/1927, o desafio da Oposição de Esquerda (OE) foi recebido com repressão crescente, exílio e execução de seus militantes. Entre eles estava Trotsky expulso e exilado em 1927 e depois assassinado em 1940.
A Oposição de Esquerda tornou-se uma Oposição de Esquerda Internacional(OEI) como uma oposição interna dentro do Comintern. Ela lutou para restaurar a democracia dos trabalhadores contra o regime burocrático até 1933, quando a política de Stalin para apaziguar o fascismo na Alemanha ajudou os nazistas a chegar ao poder. Essa traição do comunismo internacional foi da mesma ordem que o de 4 de agosto de 1914 foi para a 2ª Internacional e forçou a OEI a declarar o Comintern morto, e clamou pela construção de uma nova, Quarta Internacional.
A partir de 1933, a OEI comprometeu-se a construir uma nova internacional revolucionária para assumir a liderança da revolução mundial, lutando pela revolução política para derrubar a burocracia na União Soviética e por revoluções socialistas baseadas em governos soviéticos de trabalhadores e camponeses em todos os lugares. A Quarta Internacional foi formada em 1938 com base em um Programa de Transição que mantém vivo o legado do marxismo e do leninismo e se dedica à defesa incondicional da União Soviética, da revolução política e da revolução internacional.

Conclusão: O curto século 20
Para o marxismo depois de Marx, é o início da época imperialista que explica a inevitabilidade de crises recorrentes, revoluções, contrarrevoluções e guerras. Surgindo da Primeira Guerra Mundial, a ascensão e queda da revolução russa tornou-se o teste final do poder do marxismo revolucionário. O historiador britânico Eric Hobsbawn, fala do “curto século 20” da revolução russa de 1917 até a restauração do capitalismo em 1991, como definição do destino do mundo moderno. De fato, há alguma verdade nisso. A revolução de outubro provou que o marxismo poderia manter viva a teoria do Marx do século XIX sob a forma de uma revolução liderada por um partido marxista. Seu sucesso provou que um capitalismo moribundo poderia ser substituído por uma revolução socialista. Mas o surgimento do stalinismo foi o fim do caminho para o marxismo?
Não. A degeneração da revolução também justificou o marxismo vivo da OEI. Nem a revolução nem a contrarrevolução podem ser entendidas senão como um avanço parcial e incompleto da revolução permanente de que Marx falou em 1850. O proletariado fez a revolução junto com os camponeses pobres, contra a contrarrevolução do capitalismo mundial e a unida classe exploradora. Embora possamos falar da revolução russa sucumbindo à contrarrevolução culminando no curto século XX, ela é apenas parte da dinâmica histórica maior, da revolução permanente de meados do século XIX até hoje e além.
Para Marx, a revolução permanente não significava apenas que a classe trabalhadora deve levar as classes exploradas e oprimidas à revolução contra todas as classes exploradoras e opressoras. Significava que a revolução não poderia ser realizada totalmente sem a vitória da revolução internacional e, finalmente, sem a vitória do socialismo mundial e a perspectiva de uma futura sociedade comunista, sem classes e apátrida. Não antes disso, o Manifesto do Partido Comunista e a revolução permanente acabarão no museu da luta de classes. Até lá, é tarefa dos marxistas continuar a luta pela revolução permanente.
3 – Marx hoje
O marxismo sobreviveu à morte de Marx e àqueles que o seguiram se declarando marxistas? A primeira parte mostrou que Marx criticou o termo “marxismo” por não representar seus pontos de vista. A Parte Dois argumentou que Lenin assumiu a responsabilidade de defender e desenvolver o marxismo dentro da segunda geração de marxistas. Na parte final, perguntamos: quem Marx reconheceria como marxistas hoje? Para responder a essa pergunta, é necessário primeiro reprisar os fundamentos do pensamento de Marx e Lenin como o teste decisivo daqueles que afirmam ser marxistas hoje.
O legado de Marx e Lenin
O método de Marx foi do abstrato das aparências superficiais do capital enquanto troca de mercadorias, para a essência da mercadoria. No Vol 1 ele lidou com a produção de valor como commodities, e no Vol 2, a circulação de commodities entre produção e consumo. Por meio de Vol. 3, ele estava realmente construindo um modelo funcional introduzindo a competição entre capitalistas para promover a produtividade do trabalho, o que levou, por sua vez, ao aumento relativo do capital constante, à crise de Tendencia de Queda da Taxa de Lucros (LTRPT) e à crises recorrentes. É claro que Marx planejava escrever mais três volumes sobre o Estado, o Comércio Exterior e o Mercado Mundial, para reconstituir a realidade “concreta” da “vida cotidiana”. Ele não estava preocupado em não completar esses volumes, pois outros poderiam aplicar o método e a teoria para completar a análise e explicar as “muitas determinações” das aparências superficiais como “reais”, e a base para a prática revolucionária.
Não só isso, enquanto ele estava produzindo o Capital, ele escreveu muitos artigos sobre a luta de classes contemporânea, notavelmente a Índia, os EUA, e a Guerra Civil na França, na qual as relações de classe foram expostas em suas “muitas determinações”, por exemplo, a Comuna, testando e exigindo mudanças no programa comunista (por exemplo, esmagar o estado). Nesse sentido, o Capital era claramente um trabalho do século 19 da ciência social, no qual Marx não apenas desenvolveu sua teoria como também a testou na prática. A lógica era: método (dialética)> teoria / programa (marxismo)> prática (o Partido Comunista). É claro que o objetivo do marxismo é formar um partido comunista internacional, fundado no centralismo democrático, que desenvolva a teoria aplicando-a como um programa para liderar a luta de classes organizada para derrubar o capitalismo e impor a “Ditadura do Proletariado”.
Entrando no século 20 Lenin foi o principal continuador do projeto de Marx. Ele estudou Hegel para entender completamente o método dialético de Marx. Ele precisava explicar a ascensão das nações imperialistas e as implicações para a teoria marxista. Mas não teve que começar do zero para desenvolver a teoria de Marx. Por exemplo, ele não foi o primeiro a argumentar que o capitalismo havia feito a transição de seu estágio competitivo para o do capitalismo monopolista estatal no final do século 19. Marx e Engels haviam estabelecido as fundações.
O capitalismo como um modo histórico de produção era progressivo apenas enquanto desenvolvia as forças produtivas. A teoria da crise do Vol 3 de queda dos lucros explicava por que a exportação de capital era necessária para restaurar os lucros e por que a rivalidade de capitais nacionais levaria à partição da economia mundial, levando à destruição das forças de produção.
Lênin tomou a teoria de Marx em Vol 3 e condensou o conteúdo dos volumes não escritos em sua teoria do Imperialismo – o estágio mais elevado do capitalismo. Somente o socialismo poderia desenvolver as forças de produção para além do capitalismo em seu declínio. Em particular, Lenin aplicou a teoria da renda de Marx à tarefa política concreta de explicar como os monopólios apoiados pelo Estado poderiam extrair grandes lucros, manipulando o mercado e suprimindo parcialmente a competição por meios diplomáticos, políticos e militares. Foi a teoria do imperialismo que permitiu que as principais características do mais alto estágio do capital monopolista no início do século XX fossem entendidas como a base para o programa dos comunistas russos atraídos para uma grande crise e guerra imperialista.
Assim, temos o legado de Marx no século 19 e o de seu sucessor, Lenin, no século 20 para lançar as bases do marxismo do século 21 diante das crises terminais da economia e da mudança climática. Vamos ver como é o marxismo hoje. Mais uma vez, usamos os critérios da continuação e desenvolvimento das lições fundamentais de Marx e dos marxistas do século 20 como base para julgar quem representa Marx hoje. Vamos avaliar esses desenvolvimentos com base no cumprimento das exigências do método, teoria e prática marxistas.
Método dialético
Marx tomou o método dialético de Hegel e manteve-o de pé. Em vez do desenvolvimento histórico que representa a vontade de Deus (idealismo), era o resultado da luta de classes “o motor da história” (materialismo). Aqui temos a unidade dos opostos, o capital como uma relação social entre trabalho e capital, causando a contradição entre as relações sociais e as forças de produção. Por sua vez, essa contradição levou o proletariado a sujeito revolucionário e transcender essa contradição por meio de revolução social. No lugar da adoração idealista de Hegel a Deus como o “sujeito” da história, a dialética fundamentada na vida material era o método do sujeito revolucionário, o proletariado. Daí o termo materialismo dialético.
Em 1908, Lenin, em Materialismo e Empirio-Criticismo, defendeu o materialismo de Marx contra uma corrente do marxismo russo influenciada por Machism, que rejeitou a premissa de Marx de que existia uma realidade material independente do pensamento. Bogdanov e outros recuaram em direção a Kant, alegando que a premissa de um mundo material era sobre um “nada desconhecido” e, portanto, era “metafísico” ou idealista. Lenin enfatizou isso, rotulando-o de “empirio-criticismo” e uma ruptura com o “materialismo histórico” de Marx e Engels. Ele argumentou que “ser” não é o produto da “consciência”, mas o contrário.

“O materialismo em geral reconhece o ser objetivamente real (matéria) como independente da consciência, sensação, experiência etc., da humanidade. O materialismo histórico reconhece o ser social como independente da consciência social da humanidade. Em ambos os casos, a consciência é apenas o reflexo de ser, na melhor das hipóteses, uma reflexão aproximadamente verdadeira (adequada, perfeitamente exata) dela. Desta filosofia marxista, que é lançada de uma única peça de aço, você não pode eliminar uma premissa básica, uma parte essencial, sem se afastar da verdade objetiva, sem cair na presunção da falsidade reacionária burguesa.” (M & EC, Capítulo 6, pág. 326).

Lenine conclui sua polêmica contra o empiro-criticismo:

“A sumidade de Marx e Engels reside precisamente no fato de que durante um período muito longo, quase meio século, eles desenvolveram o materialismo, avançando uma tendência fundamental na filosofia, não se contentando em repetir problemas epistemológicos que já haviam sido resolvidos, mas consistentemente aplicando – e mostrando como aplicar – esse mesmo materialismo na esfera das ciências sociais, impiedosamente varrendo como lixo todo os absurdos e pretensiosas miscelâneas, as inúmeras tentativas de “descobrir” uma “nova” linha na filosofia, inventar uma “nova” tendência e assim por diante. A natureza verbal de tais tentativas, o jogo escolástico com os novos “ismos” filosóficos, a obstrução da questão por dispositivos pretensiosos, a incapacidade de compreender e apresentar claramente a luta entre as duas tendências epistemológicas fundamentais – é isso que Marx e Engels persistentemente perseguiram e lutaram durante toda a sua atividade. ”(M & E-C, 336)

A crítica filosófica de Lenin ao empiro-criticismo estabeleceu uma sólida base materialista dialética para o marxismo russo e o método do programa do partido bolchevique. No entanto, foi a traição da 2ª Internacional em agosto de 1914 que levou Lenin a um estudo intensivo de Hegel para compreender a base filosófica do oportunismo da traição histórica da internacional e fornecer a base para uma nova internacional revolucionária. Os resultados foram o seu “Resumo da ciência da lógica de Hegel”, incluído nos Cadernos filosóficos de Lênin, escritos entre meados de 1914 e 1916.
Ele resumiu a dialética da seguinte maneira:

“Dialética é o ensinamento que mostra como os opostos podem ser e como eles são (como eles se tornam) idênticos – sob quais condições eles são idênticos, transformando-se um no outro, – porque a mente humana deveria entender esses opostos não como mortos, rígidos, mas vivos, condicionais, móveis, transformando-se uns nos outros ”(Bc 1,109).

“(1) A imaginação comum apreende a diferença e a contradição, mas não a transição de uma para a outra, mas esta, no entanto, é a mais importante.

2) Inteligência e compreensão. A inteligência apreende a contradição, enuncia, coloca as coisas em relação umas com as outras, permite que o “conceito apareça através da contradição”, mas não expressa o conceito das coisas e suas relações.

(3) A razão do pensamento (compreensão) aguça a diferença abrupta de variedade, a mera variedade da imaginação, em diferença essencial, em oposição. Somente quando elevado ao pico da contradição, as variadas entidades tornam-se ativas e vivas em relação umas às outras – elas recebem / adquirem essa negatividade que é a pulsação inerente do movimento próprio e da vitalidade. ”(Bc 2, 143)

“Se não me engano, há muito misticismo e pedantismo vazio nessas conclusões de Hegel, mas a ideia básica é de genialidade: a da conexão vital universal, multilateral de tudo com tudo e o reflexo dessa conexão – Hegel virou-se materialisticamente de cabeça para baixo – conceitos humanos, que devem igualmente ser talhados, tratados, flexíveis, móveis, relativos, mutuamente conectados, unidos em opostos, a fim de abraçar o mundo. A continuação do trabalho de Hegel e Marx deve consistir na elaboração dialética da história do pensamento, da ciência e da técnica humanas. ”(Bk 2, 146)

Lenin levou essa “elaboração dialética” a novos patamares. O recuo do marxismo para o empirismo na segunda Internacional foi explicado ao nível do método. O empirismo tomou a superficial aparência como realidade e suprimiu as contradições que impulsionam a luta de classes. O “socialismo evolucionário”, ou menchevismo, foi o resultado. Os trabalhadores deveriam colaborar com a burguesia e usar o estado para legislar pelo socialismo. Contra esse ataque ao marxismo, a crítica de Lênin a Plekhanov, Kautsky, o papel do Estado, dos mencheviques e assim por diante “elaborou” a teoria / prática do Partido Bolchevique.
Portanto, não pode haver dúvida de que Lenin e Marx estavam em completo acordo em sua concepção de partido revolucionário como a “vanguarda” desenvolvendo a “consciência” de classe em compreender e abranger o mundo como uma contraditória “unidade de opostos”. Armado com este programa e prática marxista, o bolchevismo e a 3ª Internacional, até a morte de Lenin, em 1924, representavam a mais alta expressão do marxismo. O materialismo dialético permitiu que o partido criasse um programa que foi testado na prática, culminando em uma revolução bem-sucedida.
Bolchevismo vs menchevismo
Apenas o método correto pode levar ao correto programa e prática. Quem pode afirmar seguir Marx e Lênin na dialética? Muito poucos, incluindo autodeclarados marxistas-leninistas e trotskistas. Primeiro entre iguais, Trotsky foi crítico na defesa dessa continuidade. As Lições de Outubro e a História da Revolução Russa condensa o bolchevismo como um marxismo vivo. Após a morte de Lênin e com o renascimento do menchevismo na ditadura burocrática de Stalin, a luta de Trotsky e da Oposição de Esquerda manteve a dialética viva até sua derrota com o exílio de Trotsky em 1927 e a morte de outros líderes comunistas. Daquele ponto em diante, a Oposição de Esquerda Internacional sobreviveu como “bolcheviques-leninistas” lutando contra a degeneração da 3ª Internacional sob Stalin.
Mas o método e a teoria não são mais do que ideias, a menos que sejam unidas à prática revolucionária em uma internacional comunista saudável. O bolchevismo / leninista de Trotsky lutou para restaurar a democracia operária na URSS e no Comintern até 1933, quando a política de Stalin de votar com os nazistas contra os “social-fascistas” (social-democracia) na Alemanha ajudou a levar Hitler ao poder.
Para os bolcheviques / leninistas isso equivalia a uma traição clara do proletariado internacional tanto quanto em agosto de 1914. Trotsky imediatamente rompeu com o Comintern e convocou uma nova internacional revolucionária que levou à fundação da IV Internacional em 1938. Seu Programa de Transição é a expressão mais desenvolvida do bolchevismo / leninismo que sobreviveu ao assassinato de Trotsky por Stálin em 1940. Incorporando a dialética, o método transicional de levantamento de demandas mobilizando os trabalhadores para lutar pelo que eles precisam imediatamente, para que eles aprendessem de sua experiência que a luta de classes deve percorrer todo o caminho até a revolução socialista para transcender a contradição entre trabalho e capital.
Mas a 4ª Internacional fracassou em se transformar em uma internacional revolucionária após a guerra, capaz de promover os interesses do proletariado revolucionário – recaindo no “pablismo” sob uma liderança pequeno-burguesa que se adapta ao stalinismo como uma forma moderna do velho menchevismo evolucionário unilateral. O maoísmo era outra expressão do menchevismo moderno, pois se baseava na teoria de Stalin de “bloco de quatro classes” – a frente popular dos trabalhadores, camponeses, “progressistas” burgueses e pequeno-burgueses, para estrangular o proletariado.
Enquanto isso, a maioria dos “marxistas ocidentais” no século 20 considerava o bolchevismo uma aberração, se não abominação. E, claro, eles abandonaram a dialética. Por quê? Porque a dialética é o método do proletariado revolucionário que requer um partido de vanguarda organizada para promover seus interesses de classe na revolução socialista. Contra a dialética, o método dos mencheviques é o da lógica burguesa – o idealismo e seu irmão gêmeo, o empirismo. Ele cria uma teoria / programa reacionário e a anti-marxista substituição da pequena-burguesia pelo proletariado como agente histórico da revolução socialista.
Menchevismo e marxismo ocidental
A maior parte do que se passa por marxismo hoje é uma ou outra forma de menchevismo que remonta à Comuna de Paris de 1871 e Gotha em 1875. A subordinação do proletariado à burguesia em nome do socialismo evolucionista que levou às sucessivas traições da 2ª, 3ª e 4ª Internacionais. Kautsky era um menchevique de esquerda, assim como a maioria da “velha” liderança bolchevique. Lenin rompeu com o Partido Operário Social-Democrata da Rússia para combater o menchevismo e àqueles que se comprometiam com ele (por exemplo, Trotsky por um período).
A cisão foi necessária porque o menchevismo substituiu o partido proletário pela intelligentsia pequeno-burguesa como o agente da mudança revolucionária (o “socialismo pequeno-burguês” de Marx). Os mencheviques eram contra a Revolução de Outubro. Eles conspiraram com o imperialismo para derrotar a Revolução. Ocidental, ou Euro-marxismo é o descendente direto do menchevismo comprometido com o “fracasso” do bolchevismo, e a retirada para a “meio termo” do socialismo parlamentar.
O “marxismo ocidental” do século 20 está alistado na contrarrevolução por suprimir a dialética e reviver o socialismo evolucionário. Lukács defendeu Lênin e a revolução apenas para sucumbir a Stalin e à burocratização da revolução. Gramsci defendeu o stalinismo e a “longa marcha pelas instituições” do grupo “eurocomunistas” de mencheviques. Os Frankfurters, de Adorno a Marcuse, abandonaram o proletariado por intelectuais pequeno-burgueses “revolucionários”, isto é, estudantes. Por quê? Porque substituíram a contradição entre trabalho e capital como uma luta de classes viva pela “contradição” entre uma “natureza” abstrata e a sociedade capitalista. Sartre encontrou o jovem Marx “humanista” e ignorou o velho “determinista” Marx. Althusser rejeitou o jovem Marx “humanista” pelo Marx do Capital, e a luta de classes pela luta “teórica”. Todos romperam com a dialética para acabar no campo dos mencheviques.
Então, o que nos resta? Quem é Marx, e o que é o marxismo, 200 anos depois? Nosso objetivo é resgatar Marx aos 200. O que nós mantemos, o que nós descartamos?
Acadêmico e pós-marxismo
Se olharmos para os autoproclamados marxistas hoje, o que eles representam, marxismo ou pós-marxismo? Os pós-marxistas invariavelmente voltam às doutrinas pré-marxistas para “melhorar” Marx. Lembre-se da crítica de Marx ao programa de Gotha – “por que reverter”. Os marxistas acadêmicos respondem “por que não”? Como resultado, eles reavivem as reações idealistas, revisionistas ao marxismo de Marx e de Lenin para consumo hoje. Tome o retorno de Zizek ao grande “mestre” (Lenin) para servir o projeto menchevique. “Revisar Lenin é revisar não o que Lênin FEZ, mas o que ele FALHOU EM FAZER, suas oportunidades PERDIDAS.” Zizek reduz o Partido como composto de elitistas políticos “fora” da luta de classes. E Lenin, revisado, “canaliza” Zizek e se torna o substituto para o Partido decidindo o que as massas revolucionárias deveriam fazer ou não fazer.
Acrescente os híbridos como Derrida, que “revisam” a social-democracia a partir de estranhas ligações com o pós-estruturalismo e marxismo onde a determinação social é banida. Esse marxismo renascido rejeita o proletariado como o coveiro histórico do capitalismo para a reconstrução idealista do “grande líder”, o jovem Marx, ou o messiânico Lênin, que pode inspirar as massas a eventos históricos mundiais espontâneos.
O marxismo acadêmico é a fábrica que produz e reproduz o moderno menchevismo, cortando e colando Marx e Lenin consequentemente. Por exemplo, David Harvey tem uma reputação de reproduzir fielmente o Capital, mas, ainda assim, rejeita a teoria da crise de Marx por uma sub-reptícia teoria do subconsumo keynesiano que pode ser desempenhada pelo socialismo parlamentar. Mesmo Michael Roberts, que defende firmemente a teoria da crise de Marx baseada no Capital 3 contra Harvey, não pode na prática aplicar a teoria do valor ao mundo real quando falha em compreender o significado da lei do valor na restauração do capitalismo / imperialismo na China para a luta de classe global.
No entanto, além da academia onde o marxismo está mais distante do mundo cotidiano, algumas celebridades”marxistas” estão tentando preencher essa lacuna com um chamado para retornar ao comunismo como um verdadeiro movimento social. Vamos pegar o maoísta francês Alain Badiou, que argumenta que hoje, o marxismo que devemos construir é um “movimento comunista”, como se isso fosse distinto do “Partido Comunista”. Em sua opinião, o “estado-partido” provou ser uma barreira ao comunismo e é parte do fracasso das revoluções socialistas. Portanto, o “movimento comunista” deve atuar para verificar que o “partido comunista” não degenere em estado-partido. Mas o “movimento comunista” fora do Partido é capaz de “verificar” e “corrigir” o centralismo democrático do “partido comunista”?
É este o “novo começo para o marxismo”? Não! A revolução não é possível sem o centralismo democrático que une todos os comunistas no partido de vanguarda. O problema do fracasso da revolução chave do século XX na Rússia e na China não pode ser superado hoje por um “movimento comunista” separado do “partido comunista”. Por quê? Porque desde 1850 todo “movimento” político proletário só é possível como resultado do partido de vanguarda que funde teoria e prática na ditadura do Estado operário. Somente essa percepção pode desencadear um “novo começo para o marxismo”.
Em suma, o marxismo ocidental (e seu análogo maoísta oriental) é contrarrevolucionário juntamente com todas as outras tendências mencheviques e falsos marxista-leninistas e trotskistas que afirmam ser seguidores de Marx. Há um fracasso da liderança revolucionária, enquanto as massas mergulham no pântano do social-imperialismo, da social-democracia, do cripto-stalinismo e de políticos “Red-Brown”. A contrarrevolução não se limita ao “Ocidente” – o eufemismo para o imperialismo – como a antítese da revolução permanente internacional. O curto século 20 é um recuo de Marx que se assemelha e conspira com a contrarrevolução. O início do século 21 é um recuo a partir do século 20 como um todo e marca seu ponto mais baixo ainda – o fruto amargo da restauração do capitalismo na União Soviética, na China, em Cuba, no Vietnã e, em pouco tempo, na Coreia do Norte.
A “crise de liderança” de que Trotsky falou nos anos 1930 persiste hoje e até que novas gerações de marxistas assumam o verdadeiro legado de Marx e Lênin e construam uma nova Internacional Comunista capaz de conduzir os trabalhadores do mundo à revolução socialista para acabar com a destruição capitalista e o colapso climático, e para construir uma futura sociedade comunista.

 

Artigo originalmente publicado em Class Struggle, periódico do Grupo de Trabalhadores Comunistas- Aotearoa/N. Zelândia- https://redrave.blogspot.com/2018/12/class-struggle-127-summer-201819.html?fbclid=IwAR0VBD4QmQPO7-qeKrztnpJs8kFDkhQBO4hqof9gnqGsidIZPc5prFj3KtI
Traduzido por GTR- Brasil

BALANÇO DAS ELEIÇÕES: A FALÊNCIA DA ESQUERDA E A NECESSIDADE DE UMA DIREÇÃO REVOLUCIONÁRIA

A ascensão da extrema direita e a eleição de uma figura bonapartista como Bolsonaro são resultado do agravamento da crise do capitalismo no Brasil. Significa o esgotamento do Partido dos Trabalhadores (PT) e a Frente Popular (FP) na sua função de pacificação dos trabalhadores que lutam contra os ataques da burguesia e o imperialismo. O capitalismo global, diante de sua crise terminal, recorre ao bonapartismo e o fascismo como forma de fazer com que os trabalhadores paguem o preço da crise.

Com um discurso populista e conservador, Bolsonaro explorou o descontentamento da pequena burguesia e dos desempregados com a atual situação de crise. Como característica do bonapartismo, ele se colocou acima dos partidos e das instituições que se encontram desmoralizadas e desgastadas perante a população. A corrupção, o privilégio dos políticos e as negociatas nas esferas de poder, enquanto a população sofre com desemprego e queda das suas condições de vida, foi o principal motivo dos votos em um candidato “antissistema”. O PT foi o partido mais associado com esse sistema. O “anti-petismo” foi bandeira na campanha eleitoral de Bolsonaro e de vários candidatos ao parlamento e aos governos estaduais. No entanto, todos os maiores partidos que governaram o país desde a redemocratização, especialmente PSDB e PMDB, sofreram com rejeição nessas eleições.

Corrupção, privilégios de uma oligarquia política e ataques aos trabalhadores. Esse é o “sistema” estabelecido com a Constituição de 1988 e o regime democrático burgues. É isso que o capitalismo pode dar em sua época imperialista. Obviamente, o PT não é o responsável pela corrupção e por esse “sistema” como querem fazer acreditar a burguesia e a Lava-Jato, mas o PT entrou nesse sistema quando se juntou a burguesia para governar o país por mais de 13 anos. Lula/PT e os ditos governos “progressistas” da América Latina subiram ao poder em um momento de crescimento econômico mundial, impulsionado pela venda de commodities para a China. Longe de romper com o capitalismo, esses governos puderam dar migalhas aos trabalhadores e povo pobre enquanto aplicavam as medidas neoliberais. Longe de serem “anti-imperialistas”, esses governos se alinhavam e aumentavam suas dependências do imperialismo chinês.

Bolsonaro foi eleito por um grande sentimento de mudança e prometendo acabar com a corrupção, que a população vê como causa da piora das condições de vida. Sabemos que nem a corrupção inerente das relações capitalistas, nem a crise econômica se resolverá, e ele precisará atacar duramente a classe trabalhadora. A instabilidade gerada pela crise capitalista já levou ao impeachment de Dilma e ao governo impopular de Temer que teve momentos na corda bamba. Bolsonaro é um saudosista do regime militar e tem anunciado vários militares para compor seu ministério. Acabando a ilusão com as promessas de Bolsonaro, um regime de exceção poderá ser a única “mudança” que a burguesia terá a oferecer.

O maior desafio da classe trabalhadora para combater Bolsonaro e o fascismo, é romper com a Frente Popular. Pois o que divide a classe trabalhadora é a burguesia. A classe trabalhadora continuará dividida enquanto as direções oportunistas levarem grande parte dos trabalhadores a se juntar com a burguesia e romper com a independência de classe, desviando a luta para a ilusão no parlamento. Os trabalhadores precisam de uma Frente Única, que organize a classe de forma independente e democrática, que assuma os métodos tradicionais de luta direta, única forma capaz de combater o fascismo e o imperialismo.

OS PARTIDOS DA ESQUERDA EA CAPITULAÇÃO À FRENTE POPULAR

O PT e a grande parte da esquerda são hoje os maiores defensores do desmoralizado regime democrático burgues para combater Bolsonaro e a ameaça do fascismo. No segundo turno das eleições, quase a totalidade das organizações de esquerda apoiaram a Frente Popular chamando voto no PT. Inclusive organizações que se dizem revolucionárias, como PSTU, MES, CST e MRT. Esses falsos trotskistas evocaram a luta dos bolcheviques contra o golpe fascista de Kornilov para justificar seu apoio à FP. Lenin e Trotsky foram incansáveis combatentes contra a FP. Enquanto lutavam contra Kornilov, chamavam a Frente Única justamente para expor a traição dos mencheviques que faziam parte do governo provisório de FP! A esquerda abandonou qualquer perspectiva de luta pela revolução brasileira. A principal política dessas organizações para as eleições, e agora depois das eleições, é o chamado para a “Frente Ampla” do PT para defender a democracia(burguesa)! Isto é, a única saída para a classe trabalhadora contra o bonapartismo e o fascismo seria a aliança com setores ditos “democráticos” ou “progressivos” da burguesia.

Guilherme Boulos e a direção do PSOL capitulam para o PT e tem sido os maiores porta-vozes da política frente populista. Com o processo eleitoral polarizado entre Bolsonaro e o PT, a candidatura de Boulos foi a verdadeira linha auxiliar do PT. Boulos e o PSOL passaram o ano de 2017 construindo a plataforma “VAMOS” em uma frente com PDT, PSB e outros setores burgueses que dizem ser “progressivos”. No segundo turno chamou voto na FP, coerente com sua defesa da democracia burguesa vs. fascismo. O PSOL é uma ruptura do PT e foi oposição ao seu governo, mas, é um partido reformista e, na verdade, nunca foi contra a política de frente popular. Socialismo é uma palavra que não existe no vocabulário de Boulos. O programa defendido por ele e a direção do PSOL na plataforma VAMOS é abertamente reformista, se colocam como os maiores defensores de um capitalismo “melhor” e acusam de divisionistas e sectários os que defendem a independência de classe, a Frente Única e uma estratégia revolucionária.

O PSTU apoiou a manobra da burguesia para derrubar o PT como “reivindicação democrática”, e a Lava-Jato como “luta contra a corrupção”. Para o PSTU, ficar contra o impeachment era apoiar o PT e a FP, pois não havia ameaça da extrema direita e do fascismo no Brasil. No segundo turno apoiaram a frente popular chamando voto no PT contra o candidato da extrema direita que “defende um projeto de ditadura para o nosso país”, uma ameaça que poucos meses atrás diziam não existir. Nós alertávamos que o PSTU estava apenas mascarando seu oportunismo com sectarismo e sua lógica levaria à defesa da FP frente ao fascismo. Nós dizíamos que o ascenso da extrema direita e do fascismo se combate com independência de classe e métodos de luta direta dos trabalhadores e não com FP que serve para desmobilizar os trabalhadores e abrir o caminho para o fascismo. Não apoiamos o PT e a FP e fomos contra o impeachment e as manobras da burguesia. Somos contra a narrativa do golpe que desarma a classe trabalhadora na luta contra um verdadeiro golpe e um regime fascista. O PSTU fez esse desarme negando uma ameaça fascista e, depois, apoiando a FP nas eleições.

BOLSONARO NA POLÍTICA INTERNACIONAL

O novo presidente defende uma política de alinhamento com o imperialismo americano. Seguindo a linha anti-China de Trump, diz que o país asiático não está investindo mas sim “comprando” o Brasil. O editorial do jornal porta-voz do governo chinês foi considerado um alerta a alguma pretensão do novo governo em cortar negócios com a China. A retórica nacionalista de Bolsonaro contrasta com sua equipe econômica de notáveis liberais comandada pelo economista “chicagoboy” Paulo Guedes que se apressou a dizer que os negócios com a China são importantes para o país e não serão afetados. As declarações de Bolsonaro contra a China também foi vista como um risco por empresários e setores que temem por seus negócios. Enquanto Bolsonaro diz que não entende de economia e Paulo Guedes é quem decide nessa área, os demais ministérios tem sido preenchidos com nomes conservadores e por militares, mais próximos da sua política de extrema-direita. O nacionalismo de Bolsonaro não pode ir além da sua subordinação ao imperialismo.

A crise global do capitalismo abala a hegemonia do imperialismo americano estabelecida na II Guerra e acirra a disputa com os imperialismos ascendentes da China e Rússia. A atual crise, de guerras comerciais à militares, afirma o marxismo e a teoria do imperialismo de Lenin do caráter destruidor do capitalismo na época imperialista, quando o mundo já está dividido entre as grandes potências e estas precisam ir à guerra para sobrevier. A disputa entre os blocos dos EUA/UE e China/Rússia é interimperialista na qual os trabalhadores devem manter sua independência de classe e unidade dos trabalhadores do mundo na luta pela revolução socialista, única capaz de derrotar ambos blocos imperialistas, evitar suas guerras e a destruição do meio ambiente.

Grande parte da esquerda, especialmente a estalinista, defende o bloco da China/Rússia alegando uma luta “anti-imperialista” por um mundo “multipolar”. Nós dizemos que isso não passa de revisionismo de uma esquerda traidora. Nós afirmamos o marxismo e o trotskismo de que na época imperialista não existe burguesia “progressiva” e que as reivindicações democráticas e a independência do imperialismo só pode ser alcançada pelos trabalhadores, com a revolução permanente. Não é possível uma semi-colônia se tornar imperialista. China e Rússia puderam desenvolver suas forças produtivas com a expropriação da burguesia, por isso voltam à esfera capitalista como países imperialistas. As reacionárias burguesias nacionais não são capazes de desenvolver as forças produtivas e temem mais a classe trabalhadora e a revolução, do que temem o imperialismo.

Para esquerda reformista, no terreno nacional se combate Bolsonaro e o fascismo, com FP com a burguesa nacional “progressiva”. No terreno internacional, defendem uma grande FP com a China e a Rússia para combater o imperialismo americano. Defender o imperialismo chinês e russo como alternativa ao EUA é tomar lado na disputa imperialista e abandonar a independência de classe e a estratégia revolucionária.

A LUTA DOS TRABALHADORES

Diferente do que dizem os reformistas, os trabalhadores e povo pobre tem protagonizado várias lutas e resistência. Porém, essas lutas estão ficando subordinadas à estratégia reformista de luta por dentro do parlamento e à FP. A independência de classe e os métodos tradicionais de luta são boicotados e impedidos pelas direções oportunistas do movimento.

Com o estouro da crise em 2008 e o anúncio de milhares de demissões no setor metalúrgico, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) se apressou para defender o governo petista e desmontar a resistência, enquanto o principal líder do PSTU, que dirige o sindicato dos metalúrgicos em São José dos Campos, subia no caminhão de som com o conhecido burocrata sindical Paulinho Da Força, dando inicio a sua política de aliança com a burocracia sindical e seus partidos burgueses que dura até hoje. Nos anos seguintes, greves de professores se espalhavam por todo país, a necessidade de unificação dessas lutas foi desviada pela CUT/CNTE para uma greve geral de 3 dias em defesa do PNE (Plano Nacional de Educação) e apoiado por toda a esquerda. O PNE era justamente o plano neoliberal de privatização/terceirização da educação no país! Em 2012, a greve das universidades e mais de 400mil servidores federais foi isolada e desmobilizada pela CUT/PT com a ajuda da esquerda que se dizia oposição ao governo petista e não tinha nenhuma política independente do PT e da burocracia sindical.

Em 2013, no levante da juventude contra o aumento das passagens de ônibus, que levou à manifestações de massas e ficou conhecido como as Jornadas de Junho, mais uma vez a esquerda que se dizia oposição ao governo, como PSTU e PSOL, não tiveram nenhuma política independente do PT e muitos acabaram apoiando o governo e a mídia chamando os manifestantes de “vândalos”.

As Jornadas de Junho se seguiram com inúmeras greves por todo o país, algumas históricas como rodoviários de Porto Alegre, garis do Rio de janeiro (RJ), Metroviários de São Paulo e professores do RJ, em meio ao movimento “Não Vai Ter Copa”. Toda esse movimento de resistência dos trabalhadores foi atacado e boicotado pelas centrais sindicais governistas, CUT e CTB. O mesmo fez a esquerda que se dizia oposição ao governo, mantendo as greves isoladas por categoria, com pautas economicistas e impedindo qualquer tentativa de incluir “Não Vai Ter Copa” na pauta das greves, palavra de ordem que era gritada nas assembleias e levantada em cartazes pelos trabalhadores. Na véspera da abertura da Copa do Mundo em São Paulo, a direção do sindicato dos metroviários, dirigido por PSTU e PSOL acabou com a greve, e a direção do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) acabou com a ocupação “Copa do Povo”, dois movimentos que estavam parando a cidade. No dia de abertura da Copa haviam manifestações marcadas em todo o país, em Porto Alegre os trabalhadores municionários em greve que se concentravam no centro da cidade há um mês foram desviados para uma atividade distante, numa clara ação da direção do sindicato em isolar os movimentos. Em São Paulo, os manifestantes atacados pela polícia foram impedidos de entrar e receber abrigo no sindicato dos metroviários. As greves dos trabalhadores foram isoladas e derrotadas, e a juventude e alguns movimentos independentes ficaram sozinhos na resistência contra a Copa e o governo, resultando em 23 condenados pela lei “Antiterrorismo” aprovada por Dilma. A verdadeira Frente Única formada nas greves, ocupações de escolas, Bloco de Lutas em Porto Alegre ou o Fórum de Lutas no RJ foram desmanteladas por toda a esquerda.

Porém, as lutas não terminaram e 2016 foi marcado pelas ocupações de escolas pelos estudantes secundaristas. Após a posse de Temer, o “Fora Temer” tomou as ruas das cidades, em Porto Alegre chegou a ter 50 mil manifestantes nas ruas, assim como em São Paulo, RJ e várias cidades país a fora. As manifestações foram todas controladas pelo PT e seus aliados e desviadas para a estratégia de desgaste do governo e disputa das eleições burguesas. Nesse momento, a capitulação ao PT e a FP das correntes que se dizem de esquerda e oposição ao governo petista já era enorme e ficava mais clara a total ausência de uma política alternativa por parte dessas organizações. A luta contra a Reforma do Ensino Médio, a PEC dos Teto dos Gastos e Reforma Trabalhista de Temer ficaram subordinadas a “unidade de ação” das direções oportunistas em um bloco burocrático entre as centrais sindicais. A CSP Conlutas, que surgiu como alternativa a burocracia governista da CUT é hoje a maior defensora dessa unidade com as direções oportunistas do movimento. No sindicato dos metalúrgicos dirigido pela CSP Conlutas, enquanto mantém as greves isoladas por fábricas e com pautas economicistas, deixa a pauta de Greve Geral e Contra as Reformas e ataques do governo nas mãos da burocracia sindical e suas alianças de Frente Popular.

O movimento das minorias é outro exemplo de luta e resistência que também é controlado pelas direções oportunistas que levam o movimento de mulheres trabalhadoras à subordinação ao feminismo burguês. O movimento #EleNao, que gerou manifestações no país todo com milhares de mulheres contra a candidatura de Bolsonaro e o fascismo, foi canalizado para as eleições burguesas e a defesa da candidatura de Haddad/PT.

Diante da profunda crise que passa o país, não é só os trabalhadores e o povo pobre e oprimido que mostra sua revolta e indignação. Setores da burguesia e pequena burguesia também estão insatisfeitos e indignados com a situação. Essa indignação foi capitalizada pela direita e extrema direita em 2015 no movimento que levou ao impeachment de Dilma. Setores reacionários também estão insatisfeito, levando a “greves” da polícia gerando caos nos estados e tendo apoio de várias correntes de esquerda! Mas o movimento mais emblemático foi a greve dos caminhoneiros em maio de 2018. A indignação dos caminhoneiros autônomos que não conseguem manter seu sustento, foi capitaneada pelos empresários do setor de transportes que também não estão nada satisfeito com os altos preços dos combustíveis. Esses setores reacionários também querem uma “solução” para crise, porém essa solução não tem nada a ver com os interesses dos trabalhadores, como mostravam a grande quantidade de faixas na greve dos caminhoneiros dizendo “Intervenção Militar Já”.

A greve dos caminhoneiros durou 10 dias causando uma crise de abastecimento parando o país e com grande apoio popular, ameaçando o já enfraquecido governo Temer. Toda a esquerda saiu em apoio a “greve”, coerente com sua política de unidade com setores burgueses “progressivos”. A CUT ficou paralisada na primeira semana de greve e após o movimento rejeitar o acordo dos sindicatos com o governo para acabar com a greve, declarou apoio. A CUT passou então a mobilizar os petroleiros, setor que dirige, e a levantar a palavra de ordem de “contra a política de preços da Petrobras” e “Fora Parente” (o presidente da estatal petroleira) e marcou 3 dias de greve da categoria. A palavra de ordem da CUT/PT entrou com força no movimento e se sobressaiu à dos caminhoneiros, levando inclusive a queda de Parente. No dia marcado para começar a greve dos petroleiros, a direção do movimento dos caminhoneiros acabou com a greve. As estradas que um dia antes estavam tomadas por caminhões, no primeiro dia de greve dos petroleiros estavam totalmente vazias. A greve dos petroleiros não durou os 3 dias, e acabou totalmente desmoralizada.

O fato da greve dos caminhoneiros ser um movimento da burguesia e pequena burguesia significa que os trabalhadores não deviam se mobilizar e fazer greve? Não, pelo contrário. O apoio popular a greve dos caminhoneiros mostrou o sentimento de indignação da população, principalmente os trabalhadores e o povo mais pobre, e a necessidade de um movimento independente da classe trabalhadora. A frase mais ouvida nos dias da greve dos caminhoneiros era “tem que parar tudo”, era um grande momento para um movimento independente da classe trabalhadora, para uma Greve Geral, que chamasse os trabalhadores a romper com os setores burgueses e unisse as categorias de trabalhadores. O apoio da CUT e o chamado a se unir na greve não era um chamado a unidade da classe, mas de unidade com setores burgueses e pequenos burgueses, que deixou o movimento na mão da patronal do transporte e da burocracia dos sindicatos dos caminhoneiros, inevitavelmente levando à derrota do movimento.

CONCLUSÃO

O novo governo ainda nem assumiu e já mostra toda a sua fragilidade. A formação de sua equipe de ministros está envolta em várias polêmicas de disputa entre seus aliados e o próprio partido de Bolsonaro, mostrando que o “toma lá, dá cá” que ele dizia combater, continua. Assim como as denúncias de corrupção, que abala o seu futuro ministro da Casa Civil e nos últimos dias, as denúncias feitas pela mídia envolvendo seu filho que é deputado e recebimento indevido de dinheiro por sua esposa, enquanto seu vice, o General Mourão, faz declarações dizendo que Bolsonaro tem que explicar a origem do dinheiro. Os policiais no estado de Roraima estão em greve e o governo anunciou intervenção federal no estado. E os caminhoneiros que ameaçam nova paralisação.

Não há saída para os trabalhadores por dentro do capitalismo. E para derrotar o capitalismo é necessário independência de classe e os seus métodos tradicionais de luta. Os trabalhadores precisam formar comitês por local de trabalho, estudo e moradia e organizar comitês de autodefesa. É necessário uma verdadeira frente única que reúna os trabalhadores e movimentos sociais para Congressos Estaduais e Nacional, com delegados eleitos na base, que discuta um programa de luta para a classe trabalhadora.

  • NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA E AS PRIVATIZAÇÕES!
  • EM DEFESA DOS SERVIDORES E DO SERVIÇO PÚBLICO!
  • NÃO AO AJUSTE FISCAL! NÃO AO PAGAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA!
  • PELA ESTATIZAÇÃO DAS GRANDES EMPRESAS E BANCOS, SEM INDENIZAÇÃO E SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES!
  • POR UMA FRENTE ÚNICA! CONGRESSOS ESTADUAIS E NACIONAL DE TRABALHADORES, COM DELEGADOS ELEITOS NA BASE E COM DEMOCRACIA OPERÁRIA!
  • PELA GREVE GERAL REVOLUCIONÁRIA, QUE DERRUBE A BURGUESIA E INSTALE UM GOVERNO DOS TRABALHADORES!
  • PELA REVOLUÇÃO BRASILEIRA E UMA AMÉRICA LATINA SOCIALISTA!

Eleições no Brasil: parte 2

No Brasil, agora, uma tempestade perfeita do agravamento da crise, o esgotamento do Partido dos Trabalhadores (PT) e a elevação populista de Bolsonaro, criaram as condições para uma figura bonapartista baseada na pequena burguesia e em um setor da burguesia nacional, que quer privatizar toda propriedade estatal e subir ao poder usando o processo eleitoral. E quando a sua legitimidade eleitoral é contestada pelos trabalhadores organizados, os laços militares de Bolsonaro garantem-lhe a lealdade de pelo menos parte do alto comando militar na montagem de um golpe militar e na criação de um regime fascista.

Nas semi-colônias, vemos um após outro líder nacional explorar a raiva da pequena burguesia e dos desempregados para levar uma onda “populista” ao poder. No Brasil, a crise é extrema e a crescente revolta dos pequenos burgueses empurrou Bolsonaro, um político marginalizado da extrema direita, um capitão do exército durante o período do regime militar, e defensor de longa data de um retorno dos militares, à beira do poder. Sua ascensão repentina à popularidade não é um mistério para os marxistas.

A provável vitória de Bolsonaro representa uma tendência do capitalismo global diante de sua crise terminal a recorrer ao bonapartismo, baseado em um político rebelde reunindo os votos dos insatisfeitos pequenos burgueses para resolver a crise, removendo todos os obstáculos para fazer os trabalhadores e camponeses pagarem pela crise. Significa o esgotamento do papel da social-democracia na pacificação dos trabalhadores que lutam contra todos os ataques que tentam esmagar a sua resistência ao imperialismo em aumentar a sua super-exploração das potências imperialistas mais fracas e semi-colonias.

A prisão de Lula e o impeachment de Dilma mostraram que o imperialismo norte-americano não favorece o PT e favorece o governo reacionário. Mesmo que o PT ganhe o segundo turno, embora altamente improvável, pensar que o Partido dos Trabalhadores (PT) fará algo mais do que entregas para seus mestres imperialistas, é ilusório.

A Tendência Internacional Revolucionária Comunista (RCIT), sua corrente no Brasil, entrou “na dança” pedindo voto para o PT no segundo turno. Esperamos que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) tome uma decisão semelhante esta semana. Se o fizerem, abandonarão o princípio da independência política de classe que mantiveram no primeiro turno.

É aqui que os centristas mostram suas verdadeiras cores. Sua ilusão no parlamento e a chamada da RCIT por uma assembléia constituinte “revolucionária” em todas as semi-colônias e em todos os momentos, ofusca o retalho de ilusões no que pode ser arrancado da burguesia sem levar em conta o estado da economia. O que era possível quando a economia estava em alta não é possível em todos os momentos com uma cédula miraculosa, e de fato o PT sem um partido burguês de pretendente neste momento, não é mais independente de classe do que jamais foi. Por uma questão de programa, está comprometido com a frente popular. Para os centristas, dizer que esta não é a questão agora é um reflexo de sua falência, já que eles estão apostando a totalidade de seu “antifascismo” no resultado do segundo turno. Para eles, sem uma vitória do PT o céu cairá e será inútil ter outros planos de luta. Eles mostram sua total falta de confiança na capacidade da classe trabalhadora de derrotar o fascismo com seus próprios métodos e sem entregar liderança para forças da classe inimiga que, definitivamente, não têm nenhuma participação na derrota do fascismo. Muito pelo contrário, na verdade, como a história deveria ter mostrado a esses Kautskys modernos. Nós rejeitamos todo esse centrismo como confusão de classe média.

Veja esta desculpa vergonhosa do RCIT de apoiar a frente popular que se apresenta de revolucionário!…,

Como dissemos em nosso último artigo sobre as eleições presidenciais“ No passado, a RCC não pediu apoio crítico para Lula ou Dilma Rousseff porque sua candidatura sempre teve um caráter de frente popular simbolizado pelo fato de o vice-presidente ser do PMDB, um partido burguês aberto.” Nós também dissemos que ‘desta vez nas eleições presidenciais de 2018 é diferente, uma vez que têm um vice-presidente do PCdoB, que é claramente um partido operário pequeno burguês’. Em tal situação, é importante que os revolucionários chamem o voto crítico do candidato do PT, Fernando Haddad. Sabemos que Haddad é um político reformista. Mas essa eleição reflete uma polarização de classe significativa e o PT e seu candidato refletem – de maneira reformista – as aspirações da classe trabalhadora e de todos os segmentos anti –golpe da sociedade. Os revolucionários precisam explicar pacientemente aos trabalhadores por que a política reformista do PT e suas antigas alianças inevitavelmente leva ao fracasso e por que um programa revolucionário com um partido verdadeiramente revolucionário lutando por um governo de trabalhadores em estreita aliança com os pobres urbanos e rurais é o único caminho a seguir! ”-“Brasil: Vote Haddad – Derrote Bolsonaro! O desafio para a classe trabalhadora no segundo turno das eleições presidenciais

Compare a posição do RCIT acima com a posição de nossos camaradas do Grupo de Trabalhadores Revolucionários do Brasil (GTR-BR).

O PT enganou os trabalhadores de que a reacionária Constituição de 1988 e o regime democrático burguês poderiam proporcionar um bom sustento à classe trabalhadora e passaram 20 anos criando a ilusão de que um governo de “esquerda” poderia mudar suas vidas. Depois de 13 anos governando com a burguesia, ele está ligado aos esquemas inerentes de corrupção do Estado capitalista e é o principal apoiador da Frente Popular, que é o maior obstáculo à independência da classe trabalhadora. ”-“Eleições no Brasil: Abaixo a Frente Popular! Pela independência de classe na luta contra o imperialismo e o fascismo!”[1]

O estado chinês não foi ao socorro de Dilma. O banco dos BRICS não tinha e não tem dinheiro para socorrer o Brasil. A dimensão internacional do frente populismo do PT estava e permanece perdida na compreensão dos centristas sobre a experiência brasileira da crise capitalista mundial. Vender ilusões no PT como vítimas da “Lava-Jato” e um “golpe de Estado” que não aconteceu é enganar a classe trabalhadora. É uma traição igual à convocação do SWP (EUA) de 1952 para apoio ao MNR de Paz Estenssoro na Bolívia!

Os centristas estão desatentos? Até a BBC vê…

Acima de tudo, o Sr. Haddad tem tentado se retratar como mais moderado do que o agitador da classe trabalhadora, Lula. Parte da estratégia de campanha de Haddad tem sido tentar atrair o eleitorado mais amplo com promessas de reformas graduais.

Essas promessas vêm depois de anos turbulentos em que o Brasil foi abalado por um aumento do crime violento e um enorme escândalo de suborno político que contaminou toda a classe política, capturando não apenas Lula, mas várias outras figuras importantes do Partido dos Trabalhadores”. O candidato do Brasil Fernando Haddad: apostando na moderação

Diante da ascensão do fascismo na Alemanha em 1931, Trotsky escreveu…

O Partido Comunista deve exigir a defesa das posições materiais e morais que a classe trabalhadora conseguiu conquistar no Estado alemão. Isso se refere mais diretamente ao destino das organizações políticas dos trabalhadores, sindicatos, jornais, gráficas, clubes, bibliotecas etc. Os trabalhadores comunistas devem dizer aos seus colegas socialdemocratas: “As políticas de nossos partidos são irreconciliavelmente opostas; mas se os fascistas vierem hoje à noite para destruir a sede da sua organização, viremos correndo de braços dados para ajudá-lo. Você vai nos prometer que, se a nossa organização estiver ameaçada, você correrá em nossa ajuda? Esta é a quintessência de nossa política no período atual. Toda agitação deve ser lançada nesta chave.

Quanto mais persistente, séria e pensativamente… levamos essa agitação, mais propomos sérias medidas de defesa em todas as fábricas, em todos os bairros e distritos da classe trabalhadora, menos o perigo de um ataque fascista nos surpreenderá, e maior a certeza de que tal ataque cimentará, em vez de quebrar, as fileiras dos trabalhadores. ”-“A Frente Unica para a Defesa, Carta aos trabalhadores social-democrata (fevereiro de 1933)

É necessário mostrar de todas as formas uma prontidão total para fazer um bloco com os social-democratas contra os fascistas em todos os casos em que aceitarão um bloco. Para dizer aos trabalhadores social-democratas: “Lance seus líderes de lado e junte-se à nossa frente única “não-partidária”, significa adicionar apenas mais uma frase vazia a milhares de outras. Precisamos entender como afastar os trabalhadores de seus líderes na realidade. Mas a realidade hoje é a luta contra o fascismo. Existem, sem dúvida, trabalhadores social-democratas dispostos a lutar de mãos dadas com os trabalhadores comunistas contra os fascistas, independentemente dos desejos ou mesmo contra os desejos das organizações social-democratas. Com esses elementos progressivos, é obviamente necessário estabelecer o contato mais próximo possível. No presente momento, no entanto, eles não são grandes em número. O trabalhador alemão foi criado no espírito de organização e disciplina. Isso tem seus lados fortes e fracos. A esmagadora maioria dos trabalhadores social-democratas lutará contra os fascistas, mas – pelo menos por enquanto – apenas em conjunto com as suas organizações. Este estágio não pode ser ignorado. Devemos ajudar os trabalhadores social-democratas em ação – nesta nova e extraordinária situação – a testar o valor de suas organizações e líderes neste momento, quando se trata de vida e morte para a classe trabalhadora.

..

Acordos eleitorais, compromissos parlamentares concluídos entre o partido revolucionário e a social-democracia servem, em regra, em proveito da social-democracia. Acordos práticos de ação de massas, para fins de luta, são sempre úteis para o partido revolucionário. O comitê anglo-russo era um tipo de bloco de duas lideranças, inadmissível, em uma plataforma política comum, vaga, enganosa, que não vincula ninguém a nenhuma ação. A manutenção desse bloco na época da Greve Geral Britânica, quando o Conselho Geral assumiu o papel de grevista, significava, por parte dos stalinistas, uma política de traição. [4]

Nenhuma plataforma comum com a social-democracia, ou com os líderes dos sindicatos alemães, nenhuma publicação comum, banners, cartazes! Marchar separadamente, mas lutar juntos! Acordo apenas em atacar, em quem atacar e quando atacar! Tal acordo pode ser concluído até mesmo com o próprio diabo, com sua avó, e até com Noske e Grezesinsky. [5] Com uma condição, não atar as mãos.”- Leon Trotsky,“Por uma Frente Unida dos Trabalhadores Contra o Fascismo (dezembro de 1931)

 

 

[1] A grande maioria da esquerda está defendendo a frente popular para lutar contra o fascismo. O PT está aterrorizando aqueles que não votam no PT, acusando a todos de estar do lado do fascismo. Pressão enorme, e TODA a esquerda capitulou.

O PT está em uma coalizão formal com o PCdoB e um pequeno partido burguês (PROS). Informalmente, é aliado e presente em palanques com vários quadros do MDB e “coronéis” da política.

 

Artigo originalmente publicado em: http://www.cwgusa.org/?p=2186

Traduzido por GTR-Brasil

Abaixo a Frente Popular! Pela independência de classe na luta contra o imperialismo e o fascismo!

Faltam poucos dias para a eleição e a instabilidade e imprevisibilidade está não só no resultado mas no próprio processo eleitoral.

O mais provável, é que a polarização entre PSDB e PT dos últimos 24 anos seja quebrada com uma polarização no 2 turno entre PT e a extrema direita representada por Bolsonaro.

A instabilidade dos regimes políticos é uma constante nas semi-colônias, como o Brasil, exploradas e subordinadas aos ditames do imperialismo. A atual crise econômica e social coloca em xeque o regime democrático burguês estabelecido na constituição de 1988. A maior expressão dessa crise é o surgimento de figuras bonapartistas como Bolsonaro (se coloca acima das classes, dos partidos e instituições, apoiado no descontentamento da classe média e lumpemproletariado, com uma narrativa racista, machista e homofóbica) e na ameaça de um verdadeiro golpe, militar.

Quanto mais a crise do regime se aprofunda, mais a esquerda reformista proclama a velha formula, democracia burguesa X fascismo, defendendo a aliança com setores “progressivos” da burguesia, a Frente Popular, em defesa do moribundo regime democrático burguês. Essa fórmula nos leva hoje a ver a “esquerda”, para combater o bonapartismo de Bolsonaro, fazer frente com a rede Globo e com os setores “democráticos” da burguesia. O maior exemplo é a esquerda junto com o PSDB, PDT, etc, no movimento feminista,“contra o fascismo”.

Apesar da crise política e social se aprofundando e com a imprevisibilidade do processo eleitoral, a esquerda reformista que promete a saída da crise através das eleições burguesas, tem proclamado todo seu “repúdio” ao atentado sofrido pelo presidenciável de extrema direita, em defesa da “democracia” e do “diálogo”. Esse atentado fortalece os setores reacionários apoiados na narrativa racista, machista e xenófoba, que também está insatisfeito com a crise, e suas “saídas” são a de defesa de métodos de guerra civil contra a classe trabalhadora. Esses setores não estão apenas nas eleições representados na candidatura de Bolsonaro, estão nos bandos fascistas da polícia que controlam as milícias nas favelas, estão nos grupos paramilitares que defendem latifundiários e matam lideranças indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais todo dia! Estão no Estado burguês e nos torturadores das forças armadas que até hoje estão impunes! Estão nos grupos que há anos pedem “intervenção militar já”. O PT, com a narrativa de “golpe” e com a luta através do parlamento, desarma os trabalhadores para a luta contra o fascismo e a ameaça de um verdadeiro golpe.

Essas direções “revolucionarias” para quais a revolução “não é possível”, são os oportunistas que defendem o moribundo regime democrático burguês e desmoralizam, desmobilizam e desviam a luta direta da classe trabalhadora, única, com seus comitês de base e de autodefesa, a greve geral e a insurreição revolucionaria, capaz de derrotar o fascismo e o imperialismo e dar a única saída de interesse dos trabalhadores e povos oprimidos diante da profunda crise global do capitalismo. O PT iludiu os trabalhadores de que a reacionária constituição de 1988 e o regime democrático burguês poderiam dar boas condições de vida para a classe trabalhadora e passou 20 anos criando a ilusão de que um governo de “esquerda” poderia mudar suas vidas. Após 13 anos governando com a burguesia, está ligado aos esquemas de corrupção inerentes do estado capitalista e é o maior sustentador da Frente Popular, sendo o maior obstáculo dos trabalhadores para a independência de classe.

A atual crise global afirma o caráter destruidor do sistema capitalista. A rivalidade do decadente imperialismo americano com os ascendentes imperialismo da China/Rússia é cada vez maior, de guerras comerciais à militares. O Brasil e a América Latina estão sendo atingidos duramente pela crise global do capitalismo. São também alvo da disputa interiimperialista entre EUA e China. Na Argentina, como no Brasil, os trabalhadores vem sofrendo com desemprego, inflação, perda de direitos e repressão. Na Venezuela, vive-se a maior crise capitalista do país e os trabalhadores sofrem com a fome, a miséria e com xenofobia nos países vizinhos para onde migram a procura de uma vida melhor. É necessário independência de classe e unidade dos trabalhadores do continente para derrotar esse sistema destruidor! Os trabalhadores latino americanos precisam se livrar do castro-chavismo e suas direções oportunistas que defendem regimes opressores, como o da Venezuela, Nicarágua e Síria, e aliança com o imperialismo russo e chinês como “antiimperialismo” e alternativa ao imperialismo americano. Essas direções frente populistas dividem a classe e colocam nas costas dos trabalhadores o preço da crise.

A força do PT e da Frente Popular, e a capitulação das correntes de esquerda

A candidatura do PSOL com Guilherme Boulos está desmoralizada, com militantes declarando voto no PT e no partido burgues PDT(Ciro) “contra o fascismo”, e Boulos apelando para que façam isso no 2 turno! Boulos e o PSOL passaram o ano de 2017 construindo a plataforma “Vamos”, junto com PT e partidos burgueses como PDT e PSB, dizendo “unir” a esquerda e os setores “progressistas”, “contra o fascismo”. Hoje, a candidatura do PDT cresce postulando o oligarca Ciro Gomes como de “esquerda”, e Boulos e o PSOL colhem os amargos frutos da sua política oportunista, capituladora e frente populista. Não sairá sem crise dessas eleições e corre risco de não eleger importantes parlamentares.

O MRT lançou candidatos com a legenda do PSOL. Sua principal política é a defesa da liberdade de Lula para um processo eleitoral “normal”, com o direito “democrático” do povo decidir em quem votar. Uma capitulação vergonhosa para a frente popular e o apodrecido regime democrático burgues! A política do MRT, que é partido irmão do PTS na Argentina, mostra a capitulação das correntes de esquerda na FIT ao regime democrático burguês, refletida nitidamente no Brasil onde essas mesmas correntes possuem partidos irmãos e são incapazes de unificação das lutas, e muitas vezes até mesmo de solidariedade.

Nessas eleições chamamos voto critico no PSTU por não estar aliado com a burguesia. Num momento de tanta pressão pela FP, onde setores burgueses como PDT e PSB são colocados no campo da esquerda, é fundamental a consciência de classe de não votar na burguesia. Mas expomos que o programa do PSTU é reformista. Ao contrário do PT e PSOL que substituem a luta direta da classe pela luta no parlamento, o PSTU substitui pela burocracia sindical, fazendo alianças com a burguesia e a burocracia nos sindicatos e movimento dos trabalhadores. O que chamam de “unidade de ação” é na verdade um bloco burocrático frente populista.

Não existe capitalismo sem machismo! As mulheres trabalhadoras precisam de suas próprias organizações. Devem estar na luta com suas organizações independente, à frente nas organizações da classe trabalhadora, à frente na luta revolucionaria, única capaz de derrotar o fascismo. O movimento feminista, poli classista, burguês, essa grande frente popular “contra o fascismo”, divide a classe trabalhadora, afasta as mulheres de seus aliados para se colocarem ao lado de suas inimigas de classe! Os trabalhadores precisam se organizar de forma independente e com seus tradicionais métodos de luta, única forma capaz de combater a burguesia e o fascismo!

É importante que os trabalhadores brasileiros não tenham ilusões com o sistema capitalista e com as eleições burguesas. A crise brasileira é parte da crise mundial do capitalismo que se aprofunda cada vez mais. Qualquer que seja o resultado do processo eleitoral, a burguesia, o imperialismo e seus agentes não tem nada para os trabalhadores a não ser que paguem pelo preço da crise, com desemprego, perda de direitos, mais impostos, reforma da previdência, privatizações, e com aumento da repressão e do fascismo.

A esquerda Frente populista não combate o imperialismo e o fascismo, ela abre o caminho para ele! Quanto mais se aprofunda a crise e a instabilidade, mais a falsa esquerda reivindica a Frente Popular para a “luta” contra o fascismo, e a pressão para alianças com a burguesia “progressiva” é cada vez maior. A FP é o maior entrave para a necessária independência de classe dos trabalhadores. As correntes de esquerda que se dizem revolucionárias precisam romper com essa política reformista e de capitulação à FP. Os trabalhadores brasileiros precisam de independência de classe, que priorize os tradicionais métodos de luta da classe trabalhadora, organização de comitês de trabalhadores e de autodefesa, piquetes e greve geral, para lutar contra a burguesia e todas as potências imperialistas, derrubando o Estado burgues e construindo o socialismo. É urgente a construção de uma direção revolucionária!

Por uma saída revolucionária e socialista na Nicarágua e na América Latina*

A atual crise global do capitalismo afirma o caráter destruidor do sistema capitalista e a necessidade da revolução socialista mundial.

A crise abala a “ordem mundial” estabelecida no final da Segunda Guerra e a hegemonia do imperialismo dos EUA. Isso leva a uma grande instabilidade e um acirramento das disputas e rivalidades entre as potências imperialistas pela exploração e controle das riquezas mundiais. E a maior disputa hoje, o maior rival do imperialismo americano é o bloco imperialista da China/Rússia. A América Latina não só está sendo duramente atingida pela crise capitalista, como é também alvo da disputa inter- imperialista entre EUA e China.

Os governos dito “progressistas” e de “esquerda” na América Latina, que com o aprofundamento da crise tem que atacar mais e mais a classe trabalhadora e os povos oprimidos do continente, mostram que não há saída de interesse dos trabalhadores, por dentro do capitalismo. Mostram que os partidos de esquerda reformistas, que se propõem a administrar o Estado burgues, acabam por trair a luta dos trabalhadores e se colocam do lado da conrtra-revolução.

Esses governos e partidos ditos “progressivos” tem uma narrativa de “anti-imperialismo” e tem suas relações com o imperialismo dos EUA cada vez mais acirrada. Porém, esses governos e partidos são contra apenas ao imperialismo americano e grandes aliados do imperialismo chinês e russo. O que essa narrativa de “anti-imperialismo” da esquerda castro-chavista significa na verdade, é uma grande Frente Popular com o bloco imperialista da China e Rússia, contra o imperialismo dos EUA.

Diante da profunda crise capitalista, da rivalidade inter-imperialista e da ameaça de guerra imperialista, os trabalhadores precisam manter sua independência de classe e lutar de forma organizada contra ambos blocos imperialistas, pela destruição do capitalismo e pela revolução socialista mundial.

A maior expressão da disputa inter-imperialista entre os blocos dos EUA/UE e China/Rússia é a Ucrânia e a Síria. Na Síria, a esquerda estalinista, “socialistas RT” e falsos trotskistas, defendem o regime ditatorial de Baschar-Al-Assad e o imperialismo russo como “anti-imperialista”, ficando contra a Revolução Síria e a favor do massacre do povo sírio, acusando a resistência popular de “agentes da CIA” e “terroristas”. A mesma narrativa de “guerra ao terror” utilizada pelo imperialismo americano para massacrar os povos do mundo, hoje é utilizada pelo imperialismo da China/Rússia e a falsa esquerda para defender regimes como o do Assad na Síria, ou para reprimir a resistência popular na Nicarágua, Venezuela ou Brasil.

O castro-chavismo e a esquerda reformista como Morales na Bolívia, Ortega na Nicarágua e PT no Brasil, que restauram o capitalismo em Cuba e colocam o preço da crise nas costas dos trabalhadores na Venezuela e Nicarágua, são o grande entrave para a luta e organização independente da classe trabalhadora latino-americana. Essas direções dividem a classe trabalhadora e impedem a tão necessária solidariedade de classe, como vimos hoje no fato da Revolução Síria estar sendo ignorada e deixada a própria sorte, sendo esmagada por todas as potências imperialistas que intervem no país.

É preciso que os trabalhadores rompam com suas direções oportunistas, se organizem de forma independente e combatam ambos blocos imperialistas, de forma a destruir o sistema capitalista com a Revolução Socialista Mundial.

  • Panfleto distribuído nas atividades da “Caravana de Solidariedade com a Nicarágua”, em Porto Alegre

Eleições 2018: um voto crítico no PSTU Por comitês de trabalhadores que lancem seus candidatos como tribunos de um programa contra a Frente Popular!

As candidaturas começam a ser definidas e o país se encaminha para as mais instáveis e imprevisíveis eleições, desde a redemocratização do país.

O Brasil vive a sua maior crise econômica, política e social, mostrando que a atual crise global do capitalismo atingiu o país e que não era uma “marolinha” como dizia Lula, mas uma tsunami. O fim do boom econômico internacional, de venda de commodities para a China e crédito farto, acabou. O PT não podia mais manter as concessões para a classe trabalhadora e o governo Dilma foi atingido diretamente pela crise e pelo descontentamento popular gerado por ela. Esse desgaste continua no governo Temer.

Dilma e o PT negavam a existência da crise global do capitalismo e acabou por levar um “golpe” de seus próprios aliados burgueses que diziam que a causa da crise era o PT. Essa burguesia hoje se encontra dividida e atingida pelo descontentamento popular e as denúncias de corrupção, imersa em uma crise política e com a necessidade de atacar a classe trabalhadora como maneira de “resolver” a crise.

Após a ditadura, o PT passou 20 anos iludindo a classe trabalhadora de que uma saída pelas eleições burguesas, elegendo Lula presidente, seria a solução para a classe trabalhadora para melhorar suas condições de vida. Hoje, depois de 14 anos de governo petista que aplicou fielmente as políticas neoliberais do imperialismo, o PT continua com sua política reformista e Frente populista de alianças com a burguesia, como mostra as alianças do partido com o “coronel” da política, Renan Calheiros, e vários outros exemplos Brasil a fora.

A polaridade, entre a tradicional direita representada pelo PSDB e a esquerda pelo PT dos últimos 24 anos, pode estar chegando ao final, o crescimento do bonapartismo através da candidatura de Bolsonaro e do fascismo com os que defendem um golpe militar é um sinal. A crise que vivemos afirma a necessidade de organização independente da classe trabalhadora para uma saída revolucionaria e socialista.

A esquerda também vem dividida para essas eleições. O PSOL se apresenta com a candidatura de Boulos e um programa abertamente reformista e Frente populista, a plataforma “VAMOS”, construído em uma Frente com diversos partidos burgueses, como PDT. Boulos e o PSOL se apresentam como os grandes salvadores e reformadores do apodrecido capitalismo na sua crise terminal. Boulos/Psol são hoje um dos maiores defensores do PT e da Frente Popular, isto é, da aliança com setores “progressivos” da burguesia, como forma de luta contra o fascismo. A Frente Popular não é capaz de combater o fascismo e um golpe de estado no país, pelo contrário, divide os trabalhadores e abre caminho para o fascismo. A defesa de Lula e a narrativa de que houve um golpe de estado no Brasil, desarmando a classe para a luta contra um verdadeiro golpe, mostra isso.

O PSTU lançou a candidatura da Vera, sem coligações. O PSTU não fez uma campanha forte por uma Frente de Esquerda como havia feito em eleições anteriores nas quais havia sido um elemento importante de conscientização da militância e ativistas de esquerda no Brasil de que não se deve fazer alianças com a burguesia. O PSTU diz que é contra alianças com a burguesia nas eleições, o que concordamos. Mas, no movimento sindical e nas lutas dos trabalhadores defendem qualquer tipo de alianças com a burocracia sindical e a burguesia, o que justificam não ser uma Frente mas uma “unidade de ação”. Para nós, a razão de não haver a frente de esquerda com o PSOL não é por princípio de independência de classe ou o fato do PSOL defender um programa de uma Frente Popular, mas por sectarismo do PSTU com o PSOL e por oportunismo eleitoreiro.

O programa eleitoral do PSTU chama a uma “rebelião”, e não mais a revolução. Em 2013, quando a juventude radical se rebelou contra o aumento das tarifas do transporte público e que levou às grandes manifestações conhecidas como as “Jornadas de Junho”, o PSTU publicou a famigerada notaChega de Black Blocs!” que de fato criminalizava a juventude rebelde, a qual a mídia e o governo chamavam de “vândalos”.

Foi no calor das Jornadas de Junho de 2013 que o PSTU inaugurou o bloco burocrático entre as direções das centrais sindicais, o qual existe até hoje. Desde as Jornadas em 2013 até a luta contra a Copa do Mundo em 2014 surgiram inúmeras greves por todos os setores da classe trabalhadora e o clamor por uma Greve Geral era forte. Essa pressão pela greve geral foi o que levou a conformação do bloco burocrático entre as direções das centrais que até hoje desviam a greve geral para “Dia Nacional de Mobilizações”.

A verdadeira Frente Única que se formava no decorrer das lutas, como o Bloco de Lutas em Porto Alegre, o Fórum de Lutas no RJ, a frente única dos estudantes ocupando escolas em 2016 ou as frentes durantes as greves dos trabalhadores foram destruídas pelas direções oportunistas e apoiadas pelo PSTU que enquanto boicotava a frente única e organização independente nas lutas, se juntava aos blocos burocráticos onde se decidia entre quatro paredes o rumo do movimento.

A esquerda reformista como o PSOL substitui a classe trabalhadora pela democracia burguesa e cargos no parlamento. O PSTU substitui a luta direta e independente da classe, pela burocracia sindical. Por isso, não passa de hipocrisia quando o PSTU faz criticas a burocracia sindical das centrais e se une a elas em blocos burocráticos com a justificativa de que estes são necessários como uma “etapa” da luta dos trabalhadores. Essa verdadeira Frente Popular entre as burocracias não é uma etapa necessária, mas sim um entrave para organização independente e democrática dos trabalhadores: os comitês por local de trabalho, comitês de autodefesa, a Frente Única e a Greve Geral.

A classe trabalhadora brasileira está cansada, não aguenta mais as péssimas condições de vida e trabalho. Apesar do grande descontentamento popular com o governo e o parlamento, e o descrédito cada vez maior nas eleições, ainda não veem uma alternativa por fora da democracia burguesa. Porém, qualquer um que ganhar as eleições precisará aprofundar os ataques contra a classe trabalhadora como “saída” da crise capitalista. A Reforma da Previdência, corte dos gastos públicos, privatizações e exploração maior da classe é a principal e verdadeira agenda dos partidos que aí estão.

Por isso defendemos o Voto Crítico no PSTU, que é um partido de esquerda e não está aliado a nenhum setor da burguesia. Por que crítico? Porque apesar de apresentar uma candidatura sem alianças com a burguesia, seu programa é o da “rebelião” e não o da necessária Revolução socialista. Seus métodos não são o de organização independente da classe com comitês por local de trabalho, comitês de autodefesa e a Greve Geral revolucionária, os métodos de luta da classe trabalhadora. Mas os métodos burocráticos de aliança com as direções oportunista do movimento sindical. É preciso expor a burocracia e ganhar as bases para um partido revolucionário de massas.

Pela estatização dos bancos e grandes empresas, sem indenização e com controle operário!

Pelo não pagamento da dívida pública e um plano de obras públicas que atendam a necessidade dos trabalhadores e povo pobre!

Nas eleições de 2018, apoio para comitês de trabalhadores que lancem seus candidatos como tribunos de um programa contra a Frente Popular!

Por um Congresso de Trabalhadores eleitos em comitês de base para discutir e decidir os rumos da luta!

Por um partido revolucionário que organize a vanguarda dos trabalhadores!

Por um governo de Comitês de Trabalhadores! Por um Brasil Socialista!

O ACORDO DE HELSINQUE E O IMPÉRIO AMERICANO

Há muita confusão sobre o comportamento de Trump em Helsinque. Ele é louco, um traidor ou um joguete de Putin? Ora,não é tão difícil. Ainda é sobre o Grande Jogo da Eurásia . Trump está lutando contra a China, que é a principal ameaça econômica ao imperialismo dos EUA. A China disse que vai ignorar as sanções ao Irã. Trump quer testar a lealdade de Putin à Xi na esperança de enfraquecer o bloco China / Rússia. Ele quer um novo acordo.

A confusão é agravada quando se trata a questão como Trump-ohomem e não como interesses nacionais dos EUA.Isso não é um festival de amor oligárquico. Não é sobre a conspiração mundial da Supremacia Branca ou sobre o império de negócios privados de Trump. É sobre o futuro do império dos EUA.

Mas os impérios são ultrapassados, você pode perguntar, pensando em exemplos históricos como a Grécia Antiga ou a China Antiga. Você estaria errado. Império hoje significa um império capitalista que tem suas próprias características especiais que podem ser resumidas como “capitalismo monopolista de estado“.

Como principais países capitalistas industrializados no século 19 ª , eles cresceram muito para os seus mercados nacionais e começou a evoluir em estados fortes que expandem agressivamente à custa de seus impérios rivais. Eles tiveram que exportar capital para evitar a queda dos lucros em casa. O objetivo era pegar recursos globais e mercados de suas colônias para aumentar seus lucros por qualquer meio necessário, incluindo guerras comerciais e guerras militares.

O modelo foi criado no início do século 20 como o Grande Jogo entre a Grã-Bretanha imperialista capitalista e a Rússia imperialista feudal pelo controle da Eurásia e depois do mundo! Foi a rivalidade entre as potências européias para re-dividir o mundo colonial que levou diretamente à Primeira Guerra Mundial. A Grã-Bretanha e a França haviam passado a diante seus rivais despejando capital na Rússia pré-capitalista, deixando a Alemanha e o Japão por trás do jogo.

A Primeira Guerra Mundial não resolveu esse choque de interesses – a Revolução Russa criou a União Soviética, e os termos draconianos de paz impostos à Alemanha criaram ressentimentos profundos que levaram à Segunda Guerra Mundial.

Em ambas as guerras, os EUA permaneceram isolacionistas até que seus interesses econômicos fossem diretamente ameaçados. Em abril de 1917, os EUA reagiram à perda de seus navios mercantes para submarinos alemães e à ameaça do México se unir ao Eixo.

Em dezembro de 1941, os EUA reagiram ao ataque do Japão a Peal Harbour. Mas nessa época os EUA eram a potência global dominante e assumiram esse papel na definição do acordo pós-guerra em Yalta.

Os EUA dominantes ocuparam a Europa e o Japão, definindo os termos da paz formando um círculo militar em torno da URSS e do futuro “vermelho” da China. O isolamento dos EUA terminou e a época dos EUA como a potência hegemônica global começou. A missão do imperialismo norte-americano pós-Segunda Guerra Mundial era derrotar a URSS e a China e adicioná-los ao seu domínio global.

No entanto, apesar de seu anel de aço em torno da Eurásia e da “guerra fria”, que acabaram por pôr a URSS e a China de joelhos nos anos 90, nem os EUA nem seus “aliados” europeus e japoneses conseguiram convertê-las em neocolônias. Pelo contrário, elas reentraram na economia capitalista global amplamente em seus próprios termos.  

Décadas de planejamento estatal burocrático permitiram que tanto a Rússia quanto a China desenvolvessem as economias estatais centralizadas capazes de resistir à penetração e dominação das potências imperialistas ocidentais. Os métodos usuais de penetração do capital imperialista para subordinar poderes mais fracos ao capital financeiro ocidental se depararam com regimes capitalistas de estado bem sustentados. O domínio militar foi controlado por armas nucleares. Tanto a Rússia quanto a China emergiram como novas potências imperialistas que ameaçam limitar e até desafiar a hegemonia dos EUA.

Os EUA responderam dobrando seu expansionismo agressivo enquanto os neo-conservadores pressionavam pela guerra com a Rússia e a China para conter a “ameaça vermelha”. De Reagan a Bush Júnior, a OTAN se expandiu para as fronteiras da Rússia, mas isso, juntamente com as guerras contra o Afeganistão, Iraque e Irã, não isolou o bloco Rússia / China. No leste, o anel de bases militares em volta da China, do Japão a Guam, foi reforçado.

Todos falharam em derrubar as barreiras políticas e econômicas à penetração e dominação do imperialismo ocidental. A missão neoconservadora de recuperar a Eurásia expirou. O ‘Pivot do Pacifico‘ de Obama foi em grande parte um exercício de propaganda.

Sob Obama, os democratas dos EUA se retiraram de invasões militares caras, preferindo limitadas aventuras de operações especiais, em “standing by” enquanto a Rússia e a China expandiam suas esferas de influência imperialista na Europa, Ásia, África e América Latina.

Com os neoconservadores fervilhando a Ucrânia e os democratas presos no pântano de conflitos não resolvidos, nenhum deles conseguiu deter a erosão da hegemonia dos EUA. Junto veio Donald Trump como um amálgama de ex-presidentes dos Estados Unidos, tanto isolacionista quanto expansionista, para tornar a América “Great Again”. Sua tarefa era abandonar as políticas fracassadas dos neoconservadores e a globalização dos democratas, equilibrando os custos e os benefícios da hegemonia imperialista em um período de terminal crise capitalista global.

Como Michael Klare aponta em ” Trumps Grand Strategy”  , esta tarfa se encaixava no plano russo e chinês para um mundo tripolar.

Klare argumenta que Trump, apesar de todo o seu comportamento bizarro, é uma séria tentativa de resolver os problemas do imperialismo dos EUA, juntando-se a Putin e Xi num acordo trilateral entre a Rússia, a China e os EUA. Ele acha que não há nada que impeça os EUA de acabar com o “imperialismo” neoliberal e democrata como más opções políticas, e que com a “boa vontade” de Putin e Xi Jinping ele poderia persuadir os EUA a se unirem a esse acordo para acabar com ameaça de guerra nuclear.

Por irônico que pareça, esta é, naturalmente, a essência do modelo tripolar sino-russo, abraçado e embelezado por Donald Trump. Ele prevê um mundo de constante disputa militar e econômica entre três centros de poder regionais, gerando crises de vários tipos, mas não uma guerra total. Assume-se que os líderes desses três centros cooperarão em assuntos que afetam a todos, como o terrorismo, e negociarão, conforme necessário, para evitar que pequenas escaramuças entrem em grandes batalhas.

Leia mais: http://www.tomdispatch.com/post/176451/tomgram%3A_michael_klare%2C_trump% 27s_grand_strategy /

Essa análise de esquerda liberal, baseada em Henry Kissinger , pelo menos dá a Trump o crédito por ter uma estratégia geopolítica. Mas é limitado pelo seu foco na geopolítica separada das leis da economia capitalista. Não rastreia a “estratégia” de Trump de voltar aos limites da expansão econômica dos EUA pós-Segunda Guerra e assume que não tem nada a ganhar com a agressão militar e pode realizar seus interesses nacionais em tal pacto de paz.

Além disso, está interpretando mal a natureza do imperialismo, como descrito acima, e assume que, com bons conselhos, Trump pode se juntar a Putin e Xi Jinping em uma nova época de paz mundial. Isso significaria que a história das guerras nos últimos dois séculos foi resultado de má liderança e que tudo o que é necessário é uma boa liderança. Aqui o autor entregando-se ao pensamento mágico no lugar da realidade, de que as potências imperialistas não podem sobreviver em acordos racionais do tipo “ganha-ganha” de Kissinger, mas devem derrotar seus rivais para sobreviver ao jogo da “soma zero”.

Ele falha não apenas em explicar o expansionismo econômico subjacente dos EUA que empurrou presidentes como Wilson e Truman do isolamento para o globalismo. Também interpreta mal os interesses imperialistas de Putin e Xi na promoção de suas políticas “globalistas”. E interpreta mal a “estratégia” de Trump de buscar novos métodos de restaurar a grandeza da América penetrando e dominando seus rivais. Só se pode entender a sua política em relação a outras potências imperialistas e outras nações, como objetivo de reduzir os custos e impulsionar os ganhos do Império dos EUA.

Então, para Trump, é sobre quanto do globo você ainda pode dominar, fazendo com que os estados mais fracos e os trabalhadores do mundo paguem pelo declínio da economia dos EUA. Sua intervenção sobre o Brexit mostra que ele quer que o Reino Unido saia da UE para que ele possa enfraquecer ambos. Ele quer forçar um realinhamento de seus antigos “aliados” e “inimigos” para ver como os EUA podem sair por cima.

Especificamente, ele está testando Putin em sua aliança com a China para ver se ele pode enfraquecê-lo e enfrentá-lo. O Irã provavelmente será um grande teste, já que a China está ignorando as sanções dos EUA. A UE cedeu à pressão dos EUA para aplicar as sanções. Putin seguirá ou oferecerá uma ajuda à UE para evitar as sanções? O último é mais provável, já que o Irã agora faz parte da Organização de Cooperação em Segurança – o bloco militar eurasiano liderado pela Rússia e pela China.

Eles podem chegar a um acordo sobre o Oriente Médio? A Revolução Síria tem assistido a um realinhamento da região em relação ao bloco Rússia / China. O bloco dos EUA foi reduzido para Israel, Jordânia e Arábia Saudita. O bloco Rússia / China agora inclui Síria, Turquia, Irã e Catar. A Al Monitor tem uma teoria de que Trump está subcontratando a guerra da Síria à Rússia para permitir uma maior retirada dos EUA.

Maxim Suchkov relata que “antes da reunião de Helsinque, esperava-se que a Rússia entregasse basicamente três coisas: garantir a segurança de Israel do que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vê como uma crescente presença iraniana na fronteira sírio-israelense, refrear a influência iraniana no resto da Síria e abrir-se para algum tipo de compromisso com os Estados Unidos e os estados europeus interessados ​​- tudo para garantir a retirada militar dos Estados Unidos da Síria. Assim, as declarações e medidas tomadas pelos oficiais russos nos poucos dias seguintes à reunião de Helsinque servem para sinalizar que Moscou cumpriu o que parece ter sido suas promessas para cada partido: segurança para Israel, cooperação com o Irã e engajamento com os governos ocidentais.”

Leia mais: http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/07/helsinki-meeting-trump-putin-next-chapter-syria.html#ixzz5MMF7fj94

Esta pode ser uma parte do novo acordo tripolar. Mas o que há para os EUA? O Curdistão será negociado por uma Coréia unida nos termos estabelecidos por Trump? E como os dois blocos rivais lidarão com a atual ameaça de uma revolta da classe trabalhadora no Iraque? Isso pode ser gerenciado como parte de um mundo tripolar? Certamente, eles colaborarão na supressão de qualquer renovação da revolução árabe como parte da guerra contra o terror. Mas tal cooperação regional não pode sobreviver a nenhum teste real dos interesses centrais das grandes potências rivais.  

Este, como sempre, é o Grande Jogo entre as grandes potências. Não pode ser um jogo “ganha-ganha”. Não pode haver um acordo tripolar benigno que una Israel e o Irã mais do que seus apoiadores imperialistas. Enfrentando uma economia global instável em crise, os imperialismos rivais estão inevitavelmente presos em um jogo de “soma zero”. Hoje esse jogo é entre os EUA e um renascido império russo, em bloco com o novo império chinês, com as potências da UE em ambas as direções.

As potências imperialistas são impulsionadas pela queda dos lucros para guerras comerciais e militares, em que descarregam as suas crises de queda dos lucros nas costas dos seus rivais e, em todo o mundo, nas costas dos trabalhadores. Trabalhadores de todo o mundo devem se organizar internacionalmente para chegar à frente do jogo e lutar contra todas essas manobras imperialistas.

Protestar contra Trump é um começo, mas não irá a lado nenhum a não ser que se torne um movimento antiimperialista global contra todas as guerras comerciais imperialistas, guerras quentes, genocídios, colapso climático e por uma revolução socialista global. E para que isso aconteça, todos nós precisamos acordar e perceber que para a humanidade viver, o capitalismo e toda a sua destruição de vidas e do planeta, devem morrer. Devemos nos organizar internacionalmente para o socialismo de sobrevivência!

 

http://www.atimes.com/article/shadow-play-new-great-game-eurasia/

http://www.tomdispatch.com/post/176451/tomgram%3A_michael_klare%2C_trump%27s_grand_strategy/

https://www.politico.com/story/2016/12/trump-kissinger-russia-putin-232925

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/07/helsinki-meeting-trump-putin-next-chapter-syria.html#ixzz5MMF7fj94

Originalmente publicado em:  https://situationsvacant.wordpress.com/2018/07/26/the-helsinki-deal-and-the-american-empire/?fb_action_ids=10213770278664116&fb_action_types=news.publishes

Traduzido por GTR-Brasil

Eleição no México

O capitalismo vive a maior crise da história e a disputa entre o decadente imperialismo dos EUA contra os ascendentes imperialismos da China e Rússia é cada vez mais acirrada. Essa disputa que vem se desenrolando com guerra comercial e com conflitos através de seus agentes regionais (“guerras de procuração”), como na Síria ou Ucrânia, só pode ser “resolvida” com mais uma grande guerra e ataques brutais a classe trabalhadora e povos oprimidos.

Apesar das suas disputas, as potências imperialistas estão juntas para acabar com a revolução e promover guerra, como na Síria. Na época imperialista, de crise capitalista e guerras imperialistas, a única saída para a classe trabalhadora é a independência de classe, a derrota de ambos blocos imperialistas e a vitória do socialismo.

As exploradas e oprimidas nações Latino Americanas também são objeto dessa disputa em que EUA vê cada vez maior a influência do imperialismo chinês no seu “quintal”.

O imperialismo da China/Rússia não são “alternativa” ao imperialismo dos EUA. O castro-chavismo e a esquerda reformista não são “anti-imperialistas”.

O castro-chavismo e a esquerda reformista de Obrador no México, Morales na Bolívia ou Lula no Brasil abandonaram a independência de classe e se aliam a setores burgueses “progressivos”, desviam a luta direta da classe para ilusões com a democracia burguesa que está cada vez mais desmoralizada perante os trabalhadores. São os maiores “salvadores” do capitalismo de sua época decadente para um mundo “multipolar” que na prática é tomar lado na disputa inter-imperialista. Com “ajuda” da China e Rússia, aplicam seu “anti-imperialismo” restaurando o capitalismo em Cuba, colocando nas costas dos trabalhadores venezuelanos o preço da maior crise capitalista do país, reprimindo e aterrorizando o povo da Nicarágua que se levantou contra a neoliberal Reforma da previdência e ficando do lado da contrarrevolução na Síria defendendo o massacre do regime de Assad contra o povo. Essas direções oportunistas da esquerda são uma barreira para a independência de classe e a vitória dos trabalhadores e o socialismo contra o capitalismo imperialista na América Latina e no mundo.

Deveríamos caracterizar os líderes do Chavismo como “populistas” da mesma maneira que Trotsky fez ao predecessor de Obrador, Cardenas, na década de 1930, que também estava no PRI. Cárdenas era muito mais radical que Obrador, por isso Trotsky teve que advertir que nacionalizar o petróleo e redistribuir a terra estava longe de romper com o capitalismo.

O populismo de Obrador não é anti-capitalista, mas anticorrupção. Em todo o mundo capitalista, a corrupção é epidêmica durante a época da decadência. O combate à corrupção não pode ser feito por populistas capitalistas como Obrador, Ortega, Dilma ou Chávez, porque eles se recusam a armar os trabalhadores para expropriar a propriedade privada – o capital financeiro – da classe capitalista. Agitando bandeiras vermelhas ou cor-de-rosa eles estão comprometidos em administrar o capitalismo em seu declínio, mantendo os corpos armados do estado prontos para derrubar a insurreição popular contra a decadência capitalista. A única força que pode acabar com a corrupção é a milícia de trabalhadores armados que defende recursos e indústrias socializadas. Isso requer independência política da classe trabalhadora. Um conceito que é rejeitado como uma tática anacrônica, pelos oportunistas “marxistas”, que estão se debatendo por um caminho reformistas em todo o mundo. Os marxistas revolucionários se opõem às frentes populares nas semi-colônias e no centro imperialista, assim como os centristas se atrapalham tentando explicar como o caminho para o socialismo se dá rompendo a barreira de classe através dos partidos e governos de frente popular.


Brasil: a situação com a “greve” dos caminhoneiros que paralisa o país.

Greve dos caminhoneiros no sexto dia. País paralisado. Postos sem combustível. Problemas de abastecimento de alimentos. Várias indústrias paradas e produtores colocando produtos como o leite, fora. Aeroportos cancelando voos. Os noticiários dedicados inteiros à Greve e fazendo transmissões especiais. O governo autorizou o uso das forças armadas para desbloquear rodovias e confiscar “bens privados” que sejam de interesse público. Manifestantes negociando a liberação de cargas de combustíveis para abastecer as forças de segurança! Depois de dias da população em filas tentando abastecimento de combustível e comida, final de semana as ruas e estabelecimentos estão vazios. O governo anuncia mandado de prisão para alguns empresários suspeitos de instigar e organizar a greve. Muito apoio popular à greve. Como será a segunda feira se a greve continuar? A CUT depois de 4 dias de paralisia se coloca contra a “política de preços” da Petrobras e defesa das reivindicações dos caminhoneiros e pedindo “negociação”. Faixas com pedidos de “intervenção militar já ” continuam como umas das palavras de ordem vistas nas manifestações. A esquerda pequena burguesa PSTU/PSOL chama entusiasmada o apoio a greve dos caminhoneiros e exige da CUT e demais centrais pelegas que reeditem o Bloco burocrático e chamem uma greve geral para “unir” as lutas.

O governo Temer está paralisado.Já tinha ocorrido antes com a ofensiva burguesa da Lava jato e tinha sido derrotado pelos trabalhadores não conseguindo aprovar a Reforma da Previdência.As eleições de outubro são as mais instáveis em décadas. A atual situação de “greve” dos caminhoneiro mostra que quem manda no governo é o capital financeiro internacional que não abre mão que os preços da Petrobras sejam vinculados ao mercado internacional.Os mesmos que exigem as reformas que atacam os trabalhadores.A proposta do governo aos caminhoneiros, de baixar imposto dos combustíveis, também não agrada o capital financeiro pois compromete as contas do governo e o pagamento da divida publica, ao qual obviamente não abrem mão.Isso deixa ao governo a única opção de ter que enfrentar os diversos setores descontentes o que, cada vez é mais evidente, não é capaz de fazer.Até onde vai o locaute da burguesia nacional enfurecida com o preço dos combustíveis? As direções oportunistas da esquerda como PT e Boulos/Psol atacam a política do governo de preços da Petrobras e chamam os trabalhadores a se unir a setores “progressivos” da burguesia e prendem os trabalhadores na armadilha da Frente Popular desviando a luta dos trabalhadores para ilusões na democracia burguesa e nas eleições de outubro.A frente popular não é capaz de combater a burguesia, o imperialismo e a ameaças de um verdadeiro golpe de estado no país. Pelo contrário, impedem a necessária alternativa independente dos trabalhadores, com comitês e auto defesa que se unam em Frente Única e exijam apoio de suas direções para a Greve Geral Revolucionaria! Por uma saída Socialista, pelo partido Revolucionário no Brasil!

A greve dos caminhoneiros no seu 3 dia já mostrava a força que tem de parar o país. Foi instigada e organizada pela patronal, a reacionaria burguesia e pequena burguesia brasileira indignada com os efeitos da crise em seus negócios. Eles querem a baixa do preço do combustível, mas palavras de ordem contra o governo e por “intervenção militar” são defendidas por setores envolvidos e vistas em cartazes e faixas. Isso significa que estamos em uma “onda reacionária”, que os trabalhadores “não lutam” e que devemos defender a democracia burguesa e a Frente Popular, como faz o Boulos/Psol e os oportunistas “do momento”, a Resistência? Não, a “greve” dos caminhoneiros, a crise econômica, o impeachment, o fraco governo Temer, as incertezas das eleições de outubro e a instabilidade social mostram os efeitos da crise em que o capitalismo e o imperialismo estão. Os trabalhadores estão lutando, e estão sendo derrotados pelas suas direções oportunistas às quais se juntam com a burguesia “democrática” e dizem que vão “melhorar” o capitalismo direcionando a luta para a democracia burguesa e justificando seu reformismo dizendo que os trabalhadores “não lutam”, como faz o PT e Boulos/Psol. Os caminhoneiros e seus líderes estão indignados com a situação de crise, mas suas “saídas” não tem nada a ver com os interesses dos trabalhadores, como pensa a esquerda pequeno burguesa como PSTU, CST, MES. Defendem a greve dos caminhoneiros como de trabalhadores, e na greve dos trabalhadores se juntam com a burocracia sindical em Blocos burocráticos como o bloco das Centrais, levando a luta à derrota. Para os trabalhadores a saída não é outra que o socialismo. A formação de comitês, auto defesa, e uma Frente Única nacional para organizar a greve geral revolucionaria. É urgente a construção do partido revolucionário no Brasil!

Com o país pegando fogo, o PSTU em uma assembleia em uma fabrica metalúrgica onde dirige o sindicato, discute campanha salarial! Deixando para o final uma pitada de “solidariedade”, aprovando apoio para a greve dos caminhoneiros. O governo na corda bamba e a “esquerda” discutindo economicismo na assembleia dos trabalhadores! Nenhuma discussão política, nenhum chamado e formação de comitê para discutir a situação, nada para organizar pela base a tão proclamada “Greve Geral”, nenhum alerta contra a “intervenção militar já” que ganha peso entre os manifestantes! É a ala ultraesquerdista (cada vez mais próxima da extrema direita) da mesma esquerda reformista que o PT, que diz que os trabalhadores não lutam, não chamam a mobilização da base para formação de comitês e organização de uma frente única para a greve geral, independente, dos trabalhadores.

Impressionante como essa falsa esquerda procura e não encontra mais os trabalhadores. Não pode mesmo ir além de defender a máfia nos sindicatos brasileiros ligados a patronal e defender greve de “pequena burguesia”. O setor de transportes tem burgueses, pequeno burgueses mas está cheio de trabalhadores explorados e precarizados que não tem nenhum papel independente nessa “greve”. Essa esquerda pequeno burguesa que está romantizando a greve dos caminhoneiros deveriam chamar uma frente única dos trabalhadores para organizar a greve geral, de forma independente, que represente os seus interesses e reivindicações “legítimas” dos trabalhadores como baixa do combustível, contra o desemprego, péssimas condições de vida, trabalho, etc. Tem vários setores burgueses insatisfeitos com o governo e a situação econômica, defendendo várias “saídas” como os que pedem ditadura militar. A situação mostra que quem manda no governo é a burguesia financeira internacional que não abre mão do preço da Petrobras estar vinculado ao mercado internacional, restando ao governo enfrentar a atual situação cada vez mais instável e insustentável.

Existe outros setores que também estão indignados com a situação de crise e defendem saídas reacionárias que não tem nada a ver com os interesses dos trabalhadores, como a “greve” da fascista polícia que os renegados do trotskismo também deram para defender. Também é importante dizer que infelizmente, os operários estão muito pré dispostos a defender ditadura devido, em última instância, a traição do PT e a falta de alternativa de esquerda. Isso é a principal causa da política do PSTU e outros que capitulam a consciência atrasada da classe operária em nome da luta contra o PT mas não contra a FP como o Mes, que se aliou ao burguês PPL nas eleições em POA ou o PSTU na luta dos estudantes e trabalhadores.

Os trabalhadores precisam tomar em suas mãos os rumos do país! Pela Greve Geral revolucionaria! Mobilizar as bases nos locais de trabalho, construir comitês de trabalhadores e comitês de auto defesa. É necessário a união dos trabalhadores em uma Frente Única nacional e a construção de um Congresso dos Trabalhadores que elabore um programa de luta da classe para a luta contra o governo, a burguesia e seu locaute e ameaça de um verdadeiro golpe! Por uma saída Revolucionaria e Socialista!